"O Preço da Obsessão" Capítulo 4
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Capítulo 4:
A atmosfera no escritório de Elias estava tão carregada que o ar parecia vibrar com a eletricidade de uma tempestade iminente.
Kass entrou no recinto sem bater, o bilhete de Dante ainda pesando no bolso como um lembrete constante de que sua liberdade tinha um preço alto demais para ser ignorada.
Elias estava atrás da imensa mesa de mogno, a postura impecável e a expressão de desdém absoluto que parecia ser sua única forma de comunicação com o mundo.
"Eu espero que você tenha vindo aqui para explicar por que insiste em manter contato com o lixo que frequenta a sua vida," Elias começou, a voz cortante como um bisturi.
Kass fechou a porta atrás de si com um baque surdo, a audácia crescendo em seu peito enquanto ele cruzava a sala em passos largos e decididos.
"Eu mantenho contato com quem eu quiser, e você não é dono da minha vida, apesar de se comportar como se fosse," Kass retrucou, parando apenas a centímetros da mesa.
Elias levantou-se lentamente, a cadeira de couro recuando com um rangido metálico que pareceu um trovão no silêncio do escritório.
"Você foi trazido para dentro destas paredes para ser uma ferramenta, não um foco de insubordinação ou um canal para sujeira externa," Elias sibilou, contornando a mesa para enfrentar o lutador.
A altura entre eles era praticamente a mesma, mas a autoridade que emanava de Elias era uma pressão física que Kass sentia bater contra o próprio peito.
"Talvez seja esse o seu problema, Elias; você acha que tudo pode ser comprado, controlado ou descartado conforme a sua conveniência," Kass provocou, descarregando ali a frustração que acumulava desde que Dante fora humilhado.
Elias avançou, sua mão subindo num movimento ágil para prender Kass pelo colarinho da camisa, forçando-o a dar um passo para trás até colidir com a estante de livros.
"Acha que conhece o meu mundo? Acha que sabe o que é ter controle?" Elias perguntou, seus olhos escuros perfurando a alma do lutador.
"Eu sei que você tem medo," Kass respondeu, com a respiração arfando, a proximidade fazendo o cheiro de cedro de Elias inebriar seus sentidos.
"Você tem medo de que, por trás desse império de gelo, não exista nada além de um homem vazio e desesperado por algo que não pode comprar," Kass continuou, a voz rouca e desafiadora.
Elias apertou o colarinho com mais força, a fúria em seu olhar transbordando em algo muito mais complexo, uma mistura perigosa de ódio e um desejo insaciável que ele finalmente deixara de esconder.
O beijo não veio com ternura ou hesitação; veio como um choque, Elias impulsionando o corpo contra o de Kass num movimento de colisão violenta.
Kass tentou revidar, mas o impacto da boca de Elias contra a sua foi tão selvagem que a sua primeira reação foi de rendição absoluta.
As mãos de Elias, antes prontas para punir, agarraram as costas de Kass com uma possessividade que beirava a brutalidade, marcando a pele através do tecido da camisa.
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Kass não se conteve, mergulhando os dedos nos cabelos impecavelmente penteados de Elias, puxando-os com força e desmanchando a fachada de perfeição do CEO.
Eles se moviam como dois predadores em uma luta de morte, os dentes chocando-se contra os lábios, a língua buscando o domínio em um beijo que era um duelo de vontades.
O escritório, um templo de ordem e logística, começou a sofrer os danos daquele descontrole: papéis caíram da mesa e um vaso de cristal foi empurrado para o chão, estilhaçando-se em mil pedaços.
Elias, o homem que sempre teve o controle total de cada batida de seu coração, parecia ter perdido qualquer traço de sanidade, seus lábios descendo para o pescoço de Kass, deixando marcas vermelhas e ardentes.
Kass sentia a intensidade daquele desejo — uma possessão mútua e avassaladora que os isolava do resto do mundo, tornando-os dois estranhos conectados por um incêndio impossível de extinguir.
No auge daquele momento, onde a razão havia sido completamente devorada pela luxúria, algo mudou na percepção periférica de Kass.
Uma sombra, sutil e imóvel, projetou-se na fresta da porta entreaberta, observando cada movimento, cada toque, cada suspiro desgovernado.
Era a silhueta de Astor, ali parado como um espectador em sua própria ópera trágica, o rosto escondido pela penumbra, mas a presença sentida como uma lâmina fria na nuca.
O choque de realidade atingiu Kass como uma descarga elétrica, o aviso de Dante sobre a natureza daqueles dois homens reverberando em sua mente como um sino de alarme.
Em um ímpeto de sobrevivência e repulsa pela exposição daquele momento íntimo, Kass reagiu com a força bruta que ele sempre usara para sobreviver aos ringues.
Ele concentrou toda a tensão acumulada em seu punho direito e, com um movimento seco e preciso, atingiu Elias no maxilar, obrigando o CEO a recuar e soltá-lo imediatamente.
O som do impacto foi seco, uma nota de violência que encerrou o beijo e trouxe o silêncio de volta ao escritório, agora carregado de uma tensão diferente, mais sombria.
Elias cambaleou para trás, a mão subindo até o local do soco, os olhos brilhando com uma mistura de choque, dor e uma fúria renascida que emanava de suas entranhas.
Kass ofegava, o sangue batendo forte nos ouvidos, o peito subindo e descendo com a urgência de quem acaba de fugir de uma armadilha mortal.
"Nós não vamos fazer isso," Kass declarou, limpando o sangue que escorria de seu próprio lábio inferior com as costas da mão, a voz trêmula mas firme.
"Você não pode me controlar, Elias, e certamente não pode me tornar parte de um joguinho de voyeurismo do seu irmão," ele acrescentou, apontando para a sombra que ainda pairava na porta.
Elias limpou o canto da boca com o polegar, olhando para o próprio sangue com um sorriso distorcido e perigoso que nunca, em toda a sua vida, Kass teria imaginado ver nele.
"Você acha que um soco vai mudar o fato de que, agora, você pertence a mim de uma forma que não pode mais desfazer?" Elias questionou, sua voz voltando a ser o gelo que congelava o ar ao redor.
A sombra na porta moveu-se finalmente, Astor saindo da penumbra com um sorriso sereno, como se tivesse acabado de ver a cena mais fascinante de toda a sua existência.
"Que exibição magnífica de paixão e ódio, irmão; eu sempre disse que vocês dois eram perfeitamente autodestrutivos," Astor comentou, seus olhos brilhando ao observar o hematoma que começava a surgir no rosto de Elias.
Kass sentiu uma náusea profunda tomar conta de si; ele era apenas um peão, mas o jogo era muito mais doentio do que ele jamais ousara supor.
Ele passou por Astor, sentindo o perfume suave e enjoativo do irmão mais novo, sem olhar para trás, sem oferecer uma única palavra de despedida.
Enquanto caminhava pelo corredor, Kass podia ouvir a risada baixa de Astor ecoando por trás da porta fechada do escritório.
Elias ficou sozinho com o irmão, o ar ainda denso com o aroma de Kass, o gosto de sangue na boca servindo como uma lembrança constante daquela marca que, a partir de agora, seria impossível de apagar.
Aquele beijo não tinha sido uma reconciliação; tinha sido uma declaração de guerra, e Kass sabia que, a partir daquele dia, ele não lutaria mais contra oponentes de carne e osso, mas contra as sombras daqueles dois homens que não conheciam o significado de deixar algo ir.
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