"O Preço da Obsessão" Capítulo 3
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Capítulo 3:
A manhã seguinte à exaustão do treino trouxe uma atmosfera pesada e carregada para a mansão Rosenburg.
Kass desceu as escadas sentindo cada músculo do corpo reclamar, mas a dor física era o de menos diante do que encontraria no saguão de entrada.
Dante Rinaldi estava parado próximo aos portões internos, trajando uma jaqueta de couro gasta que destoava violentamente da opulência do mármore ao redor.
O contraste entre a figura bruta de Dante e a sofisticação da mansão era um insulto visual que parecia atrair os olhares desdenhosos de todos os funcionários.
"Eu te avisei que esse lugar não era para você, Kass," Dante disse, sua voz soando como um rosnado áspero.
"Eu não pedi sua opinião, Dante, e muito menos sua visita," Kass respondeu, tentando manter a voz baixa para não atrair atenção desnecessária.
Dante deu um passo à frente, ignorando a autoridade do ambiente, e invadiu o espaço pessoal de Kass com uma familiaridade que fazia o sangue do lutador gelar.
"Você acha que é um convidado, mas eles só estão te colecionando como um troféu de rua," Dante insistiu, seus olhos vasculhando o rosto de Kass em busca de qualquer sinal de hesitação.
Antes que Kass pudesse rebater, o som de passos ritmados no andar superior anunciou a chegada de Elias.
O CEO desceu as escadas com a pose habitual de um monarca, parando ao lado de Kass e ignorando Dante como se ele fosse apenas poeira acumulada em seu tapete persa.
"Vejo que seus amigos do esgoto aprenderam a localizar o endereço da minha casa," Elias comentou, sua voz fria carregada de um sarcasmo cortante.
"Ele é meu amigo, não um invasor," Kass interveio, posicionando-se levemente à frente de Dante, uma atitude que fez os olhos de Elias estreitarem-se em uma fresta perigosa.
Elias soltou uma risada seca e desprovida de qualquer humor, caminhando até estar a poucos centímetros de Dante.
"Amigo ou um lembrete do quão baixo você pode cair quando não está sob minha supervisão?" Elias perguntou, olhando para Kass antes de devolver o foco para o visitante.
"Você não passa de um vira-lata que pensa que tem dono, e eu estou farto de ver vira-latas sujando meu piso," Elias disparou para Dante.
Kass sentiu o rosto esquentar, a humilhação queimando mais do que qualquer soco recebido no ringue, mas ele sabia que reagir ali seria decretar o fim de tudo.
Dante, contudo, não se intimidou e, num movimento rápido, colocou um pequeno papel amassado na mão de Kass, ignorando o olhar assassino de Elias.
"Pense bem, Kass, antes de vender sua alma para esses monstros," Dante disse antes de se virar e caminhar em direção à saída, sob a vigilância cerrada dos seguranças de Elias.
Elias observou a partida de Dante com um desprezo profundo, voltando-se em seguida para Kass como se ele fosse apenas um objeto de sua propriedade.
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"Nunca mais deixe alguém da sua espécie entrar na minha casa," Elias ordenou, sua voz transmitindo uma autoridade que exigia obediência cega.
"Ele não pertence a você, Elias," Kass respondeu, sua voz firme, embora soubesse que estava pisando em terreno minado.
Elias avançou, segurando o queixo de Kass com força excessiva, forçando-o a olhar diretamente para o abismo escuro de seus olhos.
"Nesta casa, tudo o que eu toco passa a ser meu, inclusive você," Elias sussurrou, o calor de suas palavras contrastando com a frieza de sua ameaça.
Enquanto isso, Astor observava toda a cena do topo das escadas, seus dedos brincando com a alça do robe de seda, um sorriso enigmático nos lábios.
Ele desceu os degraus lentamente, aproximando-se da dupla no momento em que Elias soltou o queixo de Kass com um desdém final.
"Que cena comovente de possessividade, não acha, meu caro Elias?" Astor comentou, parando atrás do irmão e colocando as mãos em seus ombros.
Elias não se moveu, mas sua mandíbula travou, um sinal claro de que a presença de Astor sempre trazia uma tensão extra que ele mal conseguia conter.
"Dante parece ser o único que ainda enxerga o homem por trás do cão de guarda," Astor continuou, sua voz suave carregando um veneno meticulosamente destilado.
Ele se inclinou para perto do ouvido de Elias, sussurrando algo que fez o corpo do CEO tencionar instantaneamente, embora Kass não pudesse ouvir.
"Você deveria se perguntar por que ele ainda luta tanto para fugir de você, Elias," Astor murmurou, as palavras caindo como gotas de ácido na mente de Elias.
Kass sentiu o peso de ser o centro daquele jogo, um brinquedo sendo disputado e humilhado entre a tirania de Elias e a manipulação sutil de Astor.
Elias, visivelmente afetado pela insinuação, olhou para Kass com um brilho de ciúme primitivo e irracional que nunca havia mostrado antes.
"O que Dante te disse naquele papel?" Elias exigiu saber, sua voz agora um rosnado baixo, a possessividade saindo de controle.
"Nada que interesse a você," Kass respondeu, apertando o bilhete no bolso da calça, sentindo o papel como se fosse uma brasa ardente.
Elias avançou novamente, mas desta vez foi Astor quem se colocou entre eles, impedindo o confronto físico com uma calma irritante.
"Deixe-o, Elias; ele está apenas assustado com a magnitude do seu novo mundo," Astor defendeu, embora seus olhos estivessem fixos em Kass com uma fome doentia.
Beatriz, que observava tudo por trás de uma das colunas do saguão, sentiu um calafrio percorrer sua espinha diante da fragilidade exposta de Kass.
Ela viu Astor lançar um olhar rápido para Kass, um olhar que prometia cumplicidade, mas que na verdade escondia uma armadilha ainda mais perigosa.
"Vamos, Kass," Astor chamou, indicando com um gesto elegante que o lutador deveria segui-lo para longe da tempestade que Elias criara.
Kass hesitou, olhando uma última vez para Elias, que ainda tremia de uma raiva contida, antes de ceder e acompanhar Astor para a segurança aparente da biblioteca.
"Seu irmão não é tão estável quanto você imagina, não é?" Kass perguntou, tentando entender a dinâmica insana que regia aquela família.
Astor soltou uma risada que ecoou pelo salão, uma risada que continha todos os segredos e as loucuras de uma vida vivida nas sombras.
"Estabilidade é uma ilusão, meu querido Kass, e você é a pessoa que vai destruir a última gota de sanidade que resta nesta casa," Astor confidenciou, os olhos brilhando com uma antecipação sombria.
Kass não respondeu, mas, quando chegou ao seu quarto, retirou o bilhete do bolso, suas mãos tremendo levemente.
"Encontre-me à meia-noite no portão dos fundos; eles não são quem você pensa," estava escrito no papel, com uma letra apressada e quase ilegível.
O peso de sua situação ficou claro: ele estava sendo puxado para direções opostas por dois homens que, de formas diferentes, queriam consumi-lo por inteiro.
Kass olhou para a janela, observando o reflexo de sua própria imagem, e percebeu que a liberdade estava a poucos metros de distância, mas o custo para alcançá-la poderia ser a sua própria sanidade.
Elias continuava no saguão, seus olhos fixos no ponto onde Kass desaparecera, a mente fervilhando com o veneno que Astor plantara pouco antes.
Ele sentia uma necessidade urgente de reclamar o que era seu, de marcar Kass de uma forma que ninguém, nem mesmo Dante, pudesse ignorar.
Beatriz emergiu das sombras, observando o CEO ainda parado, e soube que a tempestade que Astor criara estava prestes a devastar tudo o que restava de civilidade naquelas paredes.
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