"O Preço da Obsessão" Capítulo 1
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Capítulo 1:
O pesado portão de ferro da mansão Rosenburg rangeu, ecoando como uma sentença contra o silêncio da colina.
Kass Selinger, com a jaqueta de couro surrada e os nós dos dedos ainda cobertos por escoriações recentes, sentiu o peso daquele mármore gélido sob suas botas de solado grosso.
Astor Rosenburg caminhava à frente dele, seus passos tão leves e precisos que pareciam flutuar sobre o piso polido da entrada.
Ele se virou, exibindo um sorriso impecável, embora seus olhos permanecessem tão vazios quanto uma sala de velório em uma noite de inverno.
"Bem-vindo ao seu novo lar, Kass," Astor murmurou, a voz suave como veludo sobre uma lâmina afiada.
"Eu não diria lar," Kass respondeu, desviando o olhar para as tapeçarias caríssimas que decoravam as paredes.
"Digamos apenas que é onde você vai passar a maior parte do seu tempo a partir de agora," Astor brincou, mantendo o tom divertido.
No centro da vasta sala, Elias von Rosenburg estava parado, observando o intruso com uma frieza que cortava mais fundo do que qualquer soco que Kass já havia recebido no ringue.
O CEO da família Rosenburg exalava uma autoridade que parecia dobrar o ar ao redor, vestindo um terno que custava mais do que todo o bairro onde Kass cresceu.
"Disseram-me que você é o melhor no que faz," Elias começou, sua voz grave ressoando pelas vigas de carvalho sem qualquer traço de calor humano.
Ele caminhou lentamente em direção a Kass, parando apenas a centímetros, o suficiente para que o cheiro de cedro e poder do homem invadisse os sentidos de Kass.
Elias percorreu o corpo do lutador com um olhar de puro desprezo, como se avaliasse um animal de carga cujos dentes ele precisava verificar antes de uma compra duvidosa.
"Não vejo um campeão aqui," Elias comentou, os lábios se curvando em uma linha cruel que não chegava aos olhos.
"Vejo apenas alguém que aprendeu a apanhar pelas razões erradas," ele acrescentou, o desdém pingando de cada sílaba pronunciada.
Kass sentiu o sangue ferver sob a pele, mas manteve o queixo erguido, sustentando o olhar daquele homem que parecia querer desintegrá-lo apenas com a força da sua arrogância.
"Eu não estou aqui para ganhar o seu respeito, Rosenburg," Kass respondeu, sua voz rouca contrastando com a elegância impecável do ambiente.
"Estou aqui para fazer o trabalho pelo qual fui contratado," ele completou, as mãos fechadas em punhos firmes ao lado do corpo, lutando contra o impulso de reagir.
Do alto da escadaria, Beatriz, a governanta, mantinha-se imóvel como uma estátua, suas mãos entrelaçadas rigidamente atrás das costas.
Ela observava a faísca de ódio que brilhava nos olhos de Kass e a forma como Elias mal disfarçava sua irritação com a ousadia silenciosa do recém-chegado.
Bia anotava mentalmente cada microexpressão, mapeando as fissuras naquela fortaleza de cristal onde a linhagem Rosenburg escondia seus segredos mais podres.
Ela sabia que aquela mansão não precisava de segurança, mas sim de um exorcismo, e o rapaz de jaqueta surrada parecia ser o combustível perfeito para um incêndio incontrolável.
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Astor soltou uma risada baixa, observando o confronto com uma curiosidade sádica, como se assistisse a uma peça de teatro onde ele já conhecia o final trágico e inevitável.
"Elias, não seja tão rígido com nosso novo convidado," Astor sugeriu, dando um passo lateral e tocando o braço do irmão com uma delicadeza quase excessiva.
Elias não se moveu, seu olhar ainda fixo nos olhos de Kass, desafiando-o a desviar, a temer, a se curvar diante da hierarquia que ele representava.
"A rigidez é a única coisa que mantém este império de pé," Elias retrucou, sem tirar os olhos do lutador, ignorando o toque do irmão.
Kass percebeu, no momento em que Elias se virou levemente, um lampejo estranho no pulso do homem que estava parcialmente exposto.
Era uma cicatriz oculta, fina e esbranquiçada, um detalhe que não deveria existir na pele impecável de um homem tão perfeito quanto aquele CEO.
Aquele pequeno sinal de imperfeição intrigou Kass, uma rachadura na fachada que o fez perceber que o gelo tinha profundidade e talvez até um passado quebrado.
"Você tem medo de olhar nos olhos, Kass," Elias observou, sua voz subitamente mais baixa e perigosa.
"Eu não tenho medo de nada que sangra," Kass rebateu, a audácia em suas palavras fazendo o ar da sala parecer estático.
Astor arqueou uma sobrancelha, claramente entretido com a resposta, enquanto Beatriz, lá no alto, deu um passo quase imperceptível para trás, recuando para as sombras.
"Venha," Elias ordenou de repente, mudando o tom de voz para algo mais cortante e inesperado, perdendo a paciência com o jogo de olhares.
Ele deu as costas, caminhando em direção ao salão de jogos, seu porte altivo ignorando completamente se Kass o seguia ou não.
"Vamos ver se seus reflexos no ringue são tão bons quanto sua boca," Elias disse, parando junto a uma mesa de bilhar feita de ébano maciço.
Ele pegou um taco, girando-o com uma destreza letal enquanto esperava pelo intruso, o som da madeira contra o piso sendo o único ruído no recinto.
"Espero que saiba jogar algo que não envolva socar a cara de alguém, Kass," ele disse, um sorriso predador brincando em seus lábios finos.
Kass caminhou até ele, sentindo o olhar de Astor nas suas costas e a presença de Beatriz na penumbra da sala, como um fantasma que não queria ser visto.
O convite não era uma partida amigável, era uma forma de Elias marcar território e demonstrar quem detinha o controle absoluto sobre aquele espaço.
"Eu posso aprender rápido o que for necessário," Kass afirmou, pegando o taco com uma firmeza que fez a mão de Elias vacilar por uma fração de segundo.
"Veremos se você é capaz de seguir as regras," Elias murmurou, estendendo a mão para gizar o taco, seus olhos nunca deixando os de Kass.
"Regras são apenas sugestões para quem não tem nada a perder," Kass provocou, sentindo a adrenalina subir pela espinha.
Elias soltou uma lufada de ar pelo nariz, o som de um predador que acaba de encontrar uma presa que não corre, mas que ataca de volta.
Astor deu alguns passos para trás, sentando-se em uma poltrona de couro e observando a cena como se fosse um espectador privilegiado de uma tragédia grega.
"Comecem," Astor incentivou, sua voz soando como um comando que ecoou pelas paredes altas do salão.
Beatriz, da penumbra, fechou os olhos por um segundo, sentindo que a paz naquela casa tinha acabado para sempre com a chegada daquele lutador.
Kass posicionou-se na mesa, sentindo o peso do taco, mas seus pensamentos estavam fixos na cicatriz que vira no pulso de Elias e no sorriso doentio de Astor.
O jogo estava apenas começando, e as sombras daquela mansão pareciam sussurrar que, entre o Rei e o Ghost, apenas um deles sairia inteiro daquele confronto.
Kass não estava ali para ser um peão de luxo, e ele provaria isso a cada jogada, a cada movimento, a cada troca de olhares carregados de ódio e desejo contido.
Elias deu a primeira tacada com precisão cirúrgica, observando a bola percorrer o feltro verde como se estivesse traçando o destino de Kass.
"Sua vez, lutador," Elias desafiou, afastando-se para dar espaço, enquanto o silêncio retornava ao salão com uma densidade quase insuportável.
Kass respirou fundo, tentando ignorar a pressão, e preparou-se para mostrar ao dono da casa que ele era a pior escolha que ele já fizera.
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