"Renascida das Cinzas: Casada com o Inimigo do meu Ex" Capítulo 6
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Capítulo 6: O Preço da Proteção
O elevador privativo subiu silenciosamente até o último andar da cobertura blindada de Diego, localizada no coração financeiro de São Paulo. Alissa deu um passo para fora da cabine espelhada, sentindo os pés descalços afundarem no tapete felpudo cinza-escuro que decorava o imenso hall de entrada.
O ambiente exalava um luxo minimalista e imponente, com paredes de concreto aparente e grandes painéis de vidro à prova de balas que mostravam a cidade iluminada sob a tempestade.
Uma senhora de cabelos brancos e olhar acolhedor aproximou-se rapidamente com uma toalha grossa e seca nas mãos.
"Graças a Deus você está bem, menino Diego", disse a mulher, os olhos cansados avaliando os vestígios de pólvora na jaqueta do patrão. "Eu já preparei o quarto de hóspedes como você pediu pelo rádio."
"Obrigado, dona Maria, traga a maleta de primeiros socorros para o meu banheiro principal", Diego ordenou, sua voz mantendo o tom grave enquanto guiava Alissa pelo corredor largo.
Dona Maria assentiu em silêncio, lançando um olhar repleto de curiosidade e compaixão para o vestido vermelho rasgado de Alissa antes de se afastar em direção à área de serviço.
Diego empurrou a porta de correr de jacarandá, indicando o imenso banheiro revestido de mármore nero marquina e iluminado por luzes LED embutidas de tom quente.
Alissa caminhou até a bancada da pia, encarando o próprio reflexo no espelho monumental que cobria toda a extensão da parede principal.
Seu cabelo estava úmido, o batom carmesim ligeiramente borrado nos cantos e o corte texturizado do vestido expunha o hematoma roxo que crescia em seu ombro esquerdo.
Diego entrou logo em seguida, carregando a maleta preta de primeiros socorros que dona Maria havia deixado na bancada de apoio.
Ele jogou a jaqueta tática no chão, restando apenas com a camisa de seda preta que agora exibia algumas manchas de sangue dos milicianos de Renato.
"Sente-se aqui", ele comandou com rispidez, apontando para a borda da imensa banheira de hidromassagem que ocupava o centro do espaço.
Alissa obedeceu em silêncio, sentindo a cerâmica fria contra as coxas enquanto observava os movimentos precisos do homem ao abrir um frasco de antisséptico.
Diego ajoelhou-se entre as pernas dela, a proximidade física fazendo o espaço parecer subitamente pequeno demais para os dois.
Ele embebedou um pedaço de algodão no líquido e aproximou a mão grande da pele alva do pescoço de Alissa, tocando um pequeno arranhão perto da clavícula. "Isso vai arder um pouco, tente não gritar no meu ouvido."
"Eu já passei por dores muito piores do que um simples algodão com remédio, Silva", ela respondeu, os olhos azul-gelo cravados nos dele sem desviar um único milímetro.
Diego pressionou o algodão contra o corte, os olhos âmbar-dourados fixando-se nos lábios carmesim dela quando percebeu que ela sequer piscou diante do incômodo físico.
O silêncio do banheiro tornou-se denso, preenchido apenas pelo som da respiração ritmada de ambos e pelo ruído da chuva batendo contra os vidros blindados.
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"Você acha que é feita de ferro, não é?", ele murmurou, a voz caindo para um registro mais baixo e rouco enquanto afastava uma mecha úmida do cabelo dela. "Mas o mundo onde eu piso engole garotas como você antes do café da manhã."
"Você continua me subestimando, Diego", Alissa sibilou, sentindo o calor do corpo dele irradiar contra o seu, quebrando a frieza que ela tentava manter a todo custo.
"Eu conheço o tipo de monstro que o Governador esconde na gaveta", ele continuou, os dedos calejados deslizando da clavícula para a borda do tecido rasgado do vestido vermelho.
"Se você deitar na minha cama para conseguir a sua vingança, você vai descobrir que o preço da minha proteção não se paga com ações de porto."
A tensão sexual que vinha se acumulando desde o pacto de sangue no subsolo explodiu como um estopim curto dentro do banheiro de mármore.
Alissa não recuou diante da tentativa de intimidação; em vez disso, ela enterrou as mãos nos cabelos escuros da nuca de Diego e puxou o rosto dele para baixo com uma selvageria calculada.
Seus lábios carmesim colaram-se aos dele em um beijo faminto, agressivo e completamente desafiador que cortou qualquer palavra que ele pretendia dizer.
Diego congelou por uma fração de segundo, o instinto de predador falhando diante da audácia daquela mulher que deveria estar tremendo sob o seu controle.
No milésimo de segundo seguinte, a postura intocável do Jaguar desmoronou por completo sob o efeito da luxúria pura que aquela boca gélida oferecia.
Ele soltou o algodão na bancada e segurou a cintura de Alissa com uma força bruta, levantando-a da borda da banheira e prensando o corpo dela contra a parede fria de mármore nero.
O beijo tornou-se profundo e possessivo, uma batalha de dominação onde as línguas se encontravam com a urgência de dois vilões que reconheciam a perdição um no outro.
Diego apertava as curvas dela contra o seu quadril rígido, arrancando um gemido abafado de Alissa que foi engolido pela tempestade que rugia do lado de fora da cobertura.
A entrega dela era selvagem e, ao mesmo tempo, mantinha o controle cirúrgico de quem sabia exatamente o poder que exercia sobre os impulsos daquele homem perigoso.
De repente, como se recuperasse a lucidez militar que governava suas ações, Diego quebrou o contato dos lábios com um puxão abrupto, deixando um rastro de batom vermelho em sua própria boca.
Ele recuou dois passos, respirando fundo enquanto os olhos âmbar faiscavam na penumbra com uma mistura de fúria e desejo reprimido.
"Não brinque com o fogo, garota", ele avisou, a voz saindo mais rouca do que nunca enquanto ele limpava o canto dos lábios com as costas da mão ferida. "Eu não sou um dos seus playboys de condomínio que você pode manipular com um olhar."
Alissa permaneceu encostada no mármore, os lábios inchados e o peito subindo e descendo rapidamente, mas mantendo o sorriso gélido de quem acabara de vencer a primeira rodada.
"Você assinou o contrato de sangue, Silva, agora aguente as consequências dele."
Diego pegou sua jaqueta tática do chão e caminhou em direção à saída do banheiro sem olhar para trás.
"A limpeza do seu ombro está feita, vista as roupas que dona Maria deixou no quarto e tente não sair de lá até o amanhecer."
Alissa esperou que os passos dele desaparecessem pelo corredor antes de arrumar a alça rasgada do vestido e caminhar em direção ao escritório anexo que ficava no caminho de seu aposento.
A porta do escritório de Diego estava entreaberta, revelando uma mesa de vidro escuro coberta por relatórios táticos e pastas de arquivos confidenciais.
Movida pela curiosidade, ela entrou no recinto silencioso e seus olhos foram atraídos por uma pasta de couro antigo que estava semi-aberta sob a luz do abajur de leitura.
Ao puxar o documento para fora, o coração de Alissa errou uma batida ao ver uma fotografia antiga, de trinta anos atrás, mostrando uma mulher jovem e sorridente no pátio de uma antiga fazenda.
Era o rosto de sua própria mãe, antes de se casar com o velho Volkov, e ao lado dela estava escrito um valor financeiro exorbitante com a anotação manual de Diego: Dívida de sangue quitada com a morte.
A descoberta caiu como um balde de água gelada sobre a adrenalina daquela noite; a aliança com o Jaguar guardava segredos muito mais profundos do que uma simples parceria de negócios.
Alissa fechou a pasta devagar, guardando a imagem na mente enquanto percebia que a teia de mentiras de sua vida passada era apenas a superfície de uma guerra de gerações.
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