"Renascida das Cinzas: Casada com o Inimigo do meu Ex" Capítulo 3
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Capítulo 3: O Território da Jaguara
O carro esporte cortava a Avenida Paulista como uma lâmina negra sob a tempestade que castigava a cidade de São Paulo. Alissa olhava pelo vidro embaçado, vendo os reflexos das luzes vermelhas dos faróis desaparecerem na escuridão da noite.
Seus dedos tocaram o papel rígido e fosco do cartão preto escondido no decote do vestido vermelho. Ela sabia que a humilhação pública que causara no baile de gala faria os Silva agirem rápido, desesperados para conter o sangramento de suas ações e reputações.
"Para o centro velho", Alissa ordenou ao motorista, sua voz saindo firme, sem qualquer resquício da garota assustada de outrora.
"Procure a entrada lateral do antigo edifício de charutos, perto da zona portuária desativada."
O motorista apenas assentiu com a cabeça, mudando o curso do veículo em uma manobra brusca que fez os pneus cantarem contra o asfalto alagado.
Minutos depois, o carro parou diante de um prédio de fachada antiga, de tijolos aparentes, cujas janelas altas estavam completamente escuras.
Não havia letreiro, nem seguranças visíveis na calçada, apenas uma pesada porta de ferro com uma pequena abertura na altura dos olhos.
Alissa desceu do veículo sem se importar com a água da chuva que imediatamente castigou seus ombros nus. Ela caminhou de salto agulha com passos decididos, batendo três vezes firmes contra a superfície metálica da entrada.
A pequena abertura de ferro correu para o lado com um rangido seco, revelando um par de olhos frios e desconfiados que a inspecionaram de cima a baixo.
"Eu tenho isso", Alissa disse, deslizando o cartão preto com o relevo da onça-pintada pela fresta estreita da porta.
O homem do outro lado recolheu o papel e houve um silêncio que durou eternos segundos antes que o som de trincos pesados ecoasse pelo beco escuro.
A porta de ferro se abriu o suficiente para que ela passasse, fechando-se imediatamente atrás de suas costas com um estrondo absoluto.
O interior do edifício era o oposto da fachada decadente; o chão de madeira nobre polida brilhava sob as luzes quentes e baixas.
O ar estava saturado com o aroma denso e sofisticado de tabaco cubano legítimo, uísque envelhecido e o perfume caro de homens que compravam a lei com o próprio bolso.
"Por aqui, senhorita Volkov", um homem alto, vestindo um terno cinza perfeitamente alinhado, indicou a escadaria que levava ao subsolo do clube privado.
Alissa desceu os degraus sem hesitar, sentindo a atmosfera mudar para algo muito mais silencioso e opressor a cada centímetro que avançava.
Ela entrou em um salão amplo, decorado com poltronas de couro Chesterfield e paredes revestidas de madeira escura que absorviam quase todo o som do ambiente.
Na penumbra do canto mais afastado do VIP, um homem estava sentado sozinho, com as pernas longas cruzadas e os braços apoiados no encosto do estofado.
Ele vestia uma camisa de seda preta com os primeiros botões abertos, revelando a pele bronzeada e o contorno de uma cicatriz antiga perto da clavícula.
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Diego Silva ergueu os olhos lentamente quando a silhueta em vermelho-sangue cortou a névoa tênue de fumaça do ambiente.
Aqueles olhos âmbar-dourados fixaram-se nela com uma intensidade predatória, avaliando o perigo daquela intrusa que ousara quebrar o isolamento de seu refúgio.
"Você tem muita coragem ou muito pouco instinto de sobrevivência para vir até aqui, Alissa", a voz de Diego ecoou baixa, com uma tonalidade rouca e arrastada que carregava o peso de quem comandava o submundo.
"Eu vim porque sei que você é o único homem nesta cidade que não pode ser comprado pelo dinheiro do Governador Silva", Alissa respondeu, caminhando até a poltrona em frente a ele e sentando-se com a elegância de uma rainha prestes a ditar termos.
Diego deu uma tragada lenta em seu charuto, observando o contraste violento da pele de porcelana dela contra o vermelho de seu vestido e a frieza azul de seus olhos.
"O escândalo que você causou no hotel de gala já chegou ao meu conhecimento antes mesmo de você entrar no seu carro", ele comentou, soltando a fumaça cinzenta que flutuou entre os dois.
"Você destruiu a carreira do seu noivo em dez minutos, mas agora você é uma mulher caçada."
"Eu não vim aqui para pedir misericórdia ou proteção barata, Silva", ela declarou, inclinando o corpo para a frente de modo que a fenda do vestido revelasse a coxa alva.
"Eu vim fazer um negócio que vai colocar a sua família no topo do comércio portuário deste país."
Diego soltou uma risada curta, um som sem calor que demonstrou o divertimento do predador diante de uma presa que achava que sabia caçar.
"Você acha que pode me oferecer alguma coisa que eu já não possa tomar com as minhas próprias mãos?", ele perguntou, mudando a postura e inclinando-se na direção dela, o perfume de sândalo e pólvora invadindo o espaço pessoal de Alissa.
"Você não pode tomar o Porto de Santos sem iniciar uma guerra aberta com as milícias do Governador", Alissa sibilou, os olhos azul-gelo fixos nos dele, sem demonstrar um único milímetro de medo diante da aproximação perigosa do homem.
"Mas eu posso entregar as chaves daquela operação sem que você precise disparar um único tiro no cais."
Diego apagou a ponta do charuto no cinzeiro de cristal com um movimento lento, a mente militar calculando a precisão cirúrgica das palavras daquela mulher.
Ele esticou a mão grande e áspera, pegando o queixo de Alissa entre os dedos calejados pelo uso de armas táticas, forçando-a a erguer o rosto.
"Você está jogando um jogo muito perigoso, garota", ele sussurrou, a distância entre os seus lábios diminuindo tanto que ela podia sentir o calor da respiração dele contra a sua maquiagem carmesim.
"Se você estiver mentindo para mim, a tempestade lá fora vai ser o menor dos seus problemas nesta vida."
Alissa manteve o olhar congelado e firme, o coração batendo com uma força renovada pela certeza de que o monstro que ela escolhera para ser sua arma havia mordido a isca perfeita.
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