"O Pacto do Esquecimento" Capítulo 13
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Capítulo 13: O Castelo de Cinzas
A mansão Waldemar gemia sob o peso de séculos de mentiras, cada viga de madeira e pilar de pedra colapsando em um lamento apocalíptico. O Pacto, antes uma corrente indestrutível, agora se desfazia como teias de aranha, deixando um vácuo de poder que engolia a realidade ao redor.
Lady Isolde, imperturbável em meio ao caos, arrastou Elena pelos cabelos até o calabouço mais profundo, um poço de escuridão onde a luz das tochas morria.
Ela a atirou contra a grade úmida com um prazer sádico, selando a saída com um feitiço de sangue que pulsava com a mesma agonia da mansão.
"Sozinha com seus fantasmas, Elena," Isolde sussurrou, observando a garota se debater enquanto as memórias roubadas irrompiam como uma enchente incontrolável. "Vamos ver se você sobrevive ao peso de tudo o que ele lhe tirou."
Dentro da cela, Elena estava imersa em um vórtice de lembranças que não pediam permissão para existir.
Cada cena de sua infância, cada momento de amor com o irmão, colidia com as sombras dos experimentos de Silas, criando uma cacofonia de vozes que pareciam rasgar seu cérebro.
Ela se encolheu no chão, as mãos cravadas nos cabelos enquanto tentava, sem sucesso, separar o que era dela do que fora forjado por Silas.
O ódio frio, contudo, permanecia intacto no centro de seu ser, uma âncora que a impedia de perder a sanidade por completo.
Enquanto isso, nos corredores que desmoronavam, Silas definhava em uma agonia silenciosa e atroz.
Sem a energia de Elena para ancorar sua existência decadente, a magia ancestral dos Waldemar, que ele manipulou por eras, voltava-se contra sua própria carne.
Sua pele tornava-se translúcida, revelando veias que brilhavam com a cor de cinzas frias, e seus ossos pareciam querer se fragmentar ao menor movimento.
Ele arrastava-se pelo chão de mármore, o predador de outrora agora reduzido a um espectro faminto por uma vida que ele mesmo desperdiçara.
"Elena," ele chamou, a voz saindo como o som de folhas secas sendo pisadas no inverno. "A escuridão... ela está se aproximando, e eu não tenho mais nada para me proteger."
Ele alcançou a cela de Elena, seus movimentos tão trêmulos e vacilantes que parecia que o próprio ar o sustentava. O espectro do homem que uma vez a dominou estava ali, parado diante das grades, um reflexo distorcido de tudo o que era errado e cruel.
Elena levantou o olhar, seus olhos âmbar brilhando com uma intensidade que parecia ignorar a penumbra do calabouço. Ela não sentia medo, apenas um ódio tão absoluto que o ar ao redor dela parecia congelar em contato com sua aura.
"O que você veio buscar, Silas?", ela perguntou, sua voz sendo o único som estável em meio ao rugido da mansão moribunda.
"Você veio ver o que resta da sua obra-prima enquanto o seu mundo queima?"
Ele estendeu uma mão, seus dedos agora frios e quase intangíveis, tocando a grade da cela com uma fragilidade que faria qualquer um sentir piedade, exceto ela.
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O contato da mão dele com o metal gerou um sibilo de energia, um choque entre o que era mágico e o que era puramente humano.
"Eu não vim buscar nada," ele sussurrou, a voz carregada de uma aceitação dolorosa do fim que se aproximava. "Eu apenas não queria morrer onde não pudesse ouvir a sua voz uma última vez."
Elena levantou-se e aproximou-se das grades, seu rosto a poucos centímetros do dele, seus olhos âmbar fixos naqueles olhos cinzentos que mal podiam focar em sua imagem.
O ódio frio que ela carregava era uma arma poderosa, mas, diante daquela degradação, ela sentiu um vazio ainda mais profundo.
"Você me destruiu, Silas," ela afirmou, cada palavra carregando o peso de sua jornada traumática.
"Você não queria me salvar, você queria que eu fosse o seu espelho para que você não tivesse que encarar o monstro que se tornou."
Ele inclinou a cabeça, uma lágrima incolor escorrendo por sua pele quase transparente, um sinal de uma humanidade que ele tentara enterrar sob séculos de feitiçaria.
A mansão deu um último suspiro, uma viga gigantesca caindo ao longe e fazendo o chão sob eles vibrar com uma força apocalíptica.
"Você acha que eu roubei sua vida, mas eu estava apenas com medo de que a morte me encontrasse vazio," ele confessou, a honestidade sendo seu último ato de egoísmo. "Eu tentei me vestir com a sua luz, Elena, para não morrer no escuro absoluto."
Elena recuou, horrorizada com a simplicidade daquela confissão que resumia toda a sua miséria.
Ela percebeu que ele nunca a viu como uma pessoa, mas como um manto, um escudo, uma mentira necessária para sustentar uma existência que não tinha valor real.
"A sua covardia não justifica o que você fez," ela sussurrou, virando as costas para ele. "Agora vá e suma nas sombras, pois a luz que eu carrego não terá misericórdia de você."
Ele não respondeu, sua mão deslizando da grade como se perdesse a força de existir.
A mansão Waldemar desabava ao seu redor, cada pedra sendo reduzida a nada, assim como a influência de Silas sobre o mundo.
Elena fechou os olhos, concentrando toda a sua vontade na chama que queimava em seu peito, preparando-se para o momento em que a cela se abriria.
Ela não esperava a salvação, ela apenas esperava o momento em que poderia caminhar para fora daqueles escombros sem olhar para trás.
O ódio frio a manteve de pé, protegida pela certeza de que, após aquela noite, Silas não seria nada mais do que uma nota de rodapé em um livro esquecido.
O predador havia se tornado o espectro que ele sempre tentara evitar, um fantasma que definhava na porta da cela de sua própria vítima.
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