"O Pacto do Esquecimento" Capítulo 5
PUBLICIDADE
Capítulo 5: O Eco do Sangue Perdido
A mansão Waldemar tremeu sob um impacto distante, o som abafado de uma explosão mágica que fez os candelabros de cristal oscilarem violentamente. As facções rivais haviam rompido as barreiras de proteção da propriedade, transformando o silêncio aristocrático em um campo de batalha.
Silas surgiu como um espectro na biblioteca, sua expressão destituída de qualquer humanidade enquanto conjurava chamas gélidas nas palmas das mãos. Ele não olhou para os guardas que morriam nos corredores; seus olhos estavam fixos em Elena, que tentava se proteger sob uma mesa maciça de carvalho.
"Levante-se, Elena," Silas ordenou, a voz cortando o caos como uma lâmina. "Se você ficar aqui, o fogo deles devorará sua alma antes que o pacto possa terminar o trabalho."
Ela obedeceu, movendo-se por puro instinto de sobrevivência enquanto ele a guiava para um corredor lateral, onde as paredes de pedra começavam a se abrir.
Eles entraram em um túnel escuro que serpenteava sob as fundações do castelo, um lugar que cheirava a umidade e magia antiga.
Enquanto corriam, uma onda de choque vinda da superfície atingiu o túnel, forçando Silas a criar um escudo invisível para protegê-los.
Elena viu o esforço no rosto dele, veias negras pulsando sob sua pele pálida, e percebeu que ele estava drenando a energia do pacto para manter aquela defesa.
A exaustão de Silas era um abismo visível, e o Pacto, sentindo a fraqueza de seu hospedeiro, começou a se alimentar de tudo ao redor para se sustentar. Elena sentiu uma fisgada violenta na base do crânio, uma dor que não era física, mas existencial.
Ela tentou invocar o nome de seu irmão, a única âncora de sua sanidade, mas o som morreu em sua garganta antes mesmo de ser pronunciado.
O nome, antes tão vibrante em sua memória, tornou-se apenas um eco vazio, uma sílaba sem significado flutuando no abismo de sua mente.
"Pare," ela gritou, apertando a cabeça entre as mãos enquanto o terror a consumia por dentro. "Por que você está tirando isso de mim?"
Silas parou por um segundo, olhando-a com uma frieza calculada que doía mais do que o feitiço que ele exercia. "O Pacto exige um pagamento, Elena, e sua memória de sangue é o preço mais alto que posso pagar para manter você viva."
Ele a puxou para cima, a mão dele em seu braço deixando um rastro de dormência que ela temia que fosse permanente. Elena olhou para o rosto dele, procurando por qualquer sombra de remorso, mas encontrou apenas o vazio de uma estátua.
"Eu não quero sobreviver se for para ser apenas uma casca vazia," ela sibilou, a fúria finalmente superando o terror. "Você está me transformando em nada."
Silas não respondeu, ele apenas continuou a empurrá-la pelas sombras profundas do túnel, onde a escuridão parecia ganhar vida. Eles finalmente emergiram em uma câmara subterrânea onde Bento, o zelador cego, esperava com uma lanterna de luz mortiça.
PUBLICIDADE
"O sangue Waldemar está fervendo hoje, senhor," Bento comentou, sua voz ecoando contra as paredes de pedra como um sussurro profético. "Mas o custo desta proteção será contado em nomes esquecidos."
Elena olhou para Bento, sentindo que ele era a única âncora de realidade naquele pesadelo surreal.
"O que ele quer dizer com isso, Bento?", ela perguntou, a voz quase inaudível devido à exaustão.
"Ele quer dizer que, ao final desta noite, haverá algo sobre o seu irmão que nem mesmo o destino será capaz de lembrar," Bento respondeu, movendo-se com uma precisão assustadora.
"E cuidado, pois o coração da maldição está batendo mais perto do que você imagina."
Silas apertou o ombro de Elena, um gesto que parecia uma ordem silenciosa para que ela se calasse.
"O destino é uma desculpa para os fracos, Bento, e eu não preciso de previsões para ditar o meu caminho."
Eles deixaram a câmara para trás, subindo uma escadaria oculta que levava de volta aos aposentos privados, agora mergulhados em uma penumbra quase absoluta.
A batalha na superfície parecia ter se transformado em um rugido distante, uma tempestade que não poderia mais alcançá-los.
Elena estava trêmula, o pânico dando lugar a uma frieza atroz enquanto tateava a mesa em busca do pequeno retrato de seu irmão que ela mantivera escondido. Seus dedos encontraram o papel envelhecido e ela o trouxe para a luz fraca da lanterna de Bento.
O coração dela parou por um instante, um choque que a deixou sem fôlego. O rosto na fotografia estava lá, mas os traços que ela deveria conhecer, a essência que deveria despertar um calor em seu peito, não significavam nada.
"Quem é ele?", ela murmurou, a voz carregada de uma confusão que beirava a loucura.
Silas olhou para a foto e, pela primeira vez, Elena viu um lampejo de hesitação em seus olhos cinzentos. Ele sabia o que ela estava perdendo, sabia que cada vez que a protegia, o Pacto devorava um pedaço de sua humanidade.
"A foto é apenas papel, Elena," ele disse, embora sua voz soasse mais suave, quase um pedido de desculpas que ele não podia formular. "O que importa é que você ainda está aqui."
Elena jogou a foto sobre a mesa, afastando-se do objeto como se ele estivesse queimando suas mãos.
A face no retrato era de um estranho, alguém que ela deveria ter amado, mas que agora era apenas tinta e papel.
"Eu não o conheço," ela repetiu, sentindo o ódio brotar em seu peito, um ódio tão intenso que superava qualquer vestígio de dor. "Eu não sei quem ele é, e isso é sua culpa."
Silas se aproximou, mas Elena recuou, sua postura defensiva e carregada de uma desconfiança que ele próprio havia cultivado. Ela não queria mais ser protegida por alguém que a desconstruía peça por peça.
"O que você fez comigo não é proteção, é apagamento," ela disse, seus olhos brilhando com uma intensidade nova. "Se você acha que pode me controlar tirando quem eu sou, você está enganado."
Silas observou-a, a máscara de pedra de seu rosto permanecendo imóvel, mas ele não tentou se aproximar novamente.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pela respiração pesada deles e pelo som distante da mansão que ainda queimava lá fora.
O Pacto era um parasita que se fortalecia com a tragédia, e Elena sentiu o nó em seu peito se apertar. Ela estava sozinha, cercada por estranhos, carregando uma marca no pulso que a ligava ao homem que roubara sua memória.
Ela olhou para as próprias mãos, sentindo o vazio onde o nome de seu irmão costumava residir.
O trauma da perda tinha se tornado uma ferida incurável, algo que ela teria que carregar em silêncio enquanto procurava uma forma de quebrar a maldição.
Silas virou-se para a janela, observando as chamas que devoravam a biblioteca onde ela estivera há poucas horas.
A destruição lá fora era apenas um espelho do que ele havia feito com a mente dela.
Elena, por sua vez, não olhou mais para a foto. Ela estava focada no reflexo de seu próprio rosto no vidro escuro, uma estranha que começava a entender as regras cruéis daquele novo mundo.
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 11
MENINA DÁ METADE DO LANCHE A UM MENINO SEM-TETO... 25 ANOS DEPOIS, ELE VOLTA MILIONÁRIO
Aos nove anos, Gabriel Costa vivia nas ruas de São Paulo e esperava todos os dias diante do portão de uma escola particular. Foi ali que conheceu Valentina Almeida, uma menina rica que passou a dividir escondida metade do próprio almoço com ele. Quando Gabriel foi adotado por uma família de Curitiba, fez uma promessa antes de partir: "Quando eu crescer… eu volto para te buscar." Vinte e cinco anos depois, Valentina enfrenta a doença do pai, a falência do Grupo Almeida e um noivado que esconde interesses perigosos. É então que Gabriel retorna a São Paulo — não mais como o menino faminto do portão, mas como um empresário cuja fortuna ultrapassa R$ 950 milhões.Moderno13.8 mil palavras5 180 -
TerminadoCapítulo 11
MILIONÁRIO CHEGA MAIS CEDO À CASA DE CAMPO... E QUASE DESMAIA COM O QUE VÊ
Milionário chega mais cedo à casa de Campo e quase desmaia com o que vê. Alejandro para no jardim sem acreditar. Léo, seu filho, ri alto nos braços de Helena, a faxineira. O menino que diziam ser incapaz de sentir emoção, agora gargalha como nunca. Pela manhã, Carla insistiu em aumentar os sedativos, dizendo que Léo era um caso perdido. Mas ali, diante dos olhos do pai, a verdade aparece. Não era doença, era medo. Helena tenta soltá-lo, assustada, mas Léo se agarra a ela como proteção. Quando o carro de Carla surge na entrada, o sorriso some, o corpo do menino trava. Alejandro entende tudo naquele instante. Ele manda Helena agir normalmente e decide observar em silêncio. Aquela risada muda tudo. Naquela noite, ele jura proteger o filho, descobrir quem mentiu e acabar com o terror escondido dentro da própria casa. A guerra começa ali, no quintal, com um riso que salvou uma vida.Moderno13.7 mil palavras5 123 -
TerminadoCapítulo 12
Eles Pensavam Que Eu Era Uma Boneca Frágil… Até Ouvirem o Som do Gatilho
Na alta sociedade de São Paulo, Christian von Stock e Victória de Medeiros pareciam o casal perfeito: ele, um titã corporativo brilhante e irretocável; ela, uma herdeira gélida e deslumbrante. Mas o conto de fadas durou apenas até o momento em que a porta da imponente mansão se fechou. No segundo em que o último flash da imprensa sumiu, Christian revelou ser o seu pior pesadelo. Dono de uma mente brilhante e sádica, ele confiscou o passaporte, o celular e as contas de Victória, transformando-a em uma prisioneira na própria casa. Para garantir a obediência absoluta, ele escolheu a única fraqueza dela: Camila, sua irmã caçula com síndrome de down, agora vigiada de perto como refém. Aos olhos do mundo, eles eram a imagem da felicidade conjugal, com sorrisos ensaiados e jantares de gala. Entre quatro paredes, era uma guerra psicológica diária onde a respiração de Victória era controlada e a liberdade, uma lembrança distante. Christian acreditava ter quebrado o espírito de sua esposa, transformando-a em uma boneca dócil. O que ele não sabia era que, sob a pele da mulher acuada, Victória contava cada segundo, memorizava cada código de segurança e aguardava pacientemente o momento certo. Ela fingiu submissão. Ela jogou o jogo dele. E, quando o monstro finalmente cometeu o erro de subestimá-la, a frágil esposa sumiu. No lugar dela, emergiu a lâmina afiada pronta para destruir o império dele de dentro para fora. Uma mente brilhante, uma gaiola de ouro e um jogo de gato e rato onde a única regra é sobreviver para ver quem quebra primeiro.Outras|Aventura|Moderno15.3 mil palavras5 148 -
TerminadoCapítulo 10
Minha Mãe Deixou Minha Esposa Desmaiada no Chão
Arthur voltou de viagem dois dias antes e encontrou a mesa cheia, o filho de oito dias chorando e Elena desacordada no tapete. A mãe dele continuava cortando o jantar. Se você encontrasse sua esposa nessa situação e descobrisse que alguém da sua própria família havia falsificado sua assinatura, qual seria sua primeira atitude? Leia até o fimModerno10.3 mil palavras5 130 -
TerminadoCapítulo 11
Mostraram Suas Verdadeiras Faces… Sem Saber Que Eu Fingia Estar Paralisada
Fingi Estar Paralisada Por 10 Dias… Meus Filhos Disputaram Minha Fortuna, Mas A “Intrusa” Ficou... Aos 66 anos, Beatriz Montenegro Sampaio construiu um dos maiores impérios imobiliários de São Paulo. Rica, poderosa e acostumada a controlar tudo, ela acreditava conhecer os próprios filhos. Até ser envenenada durante sua festa de aniversário. Ao descobrir que sobreviveria sem sequelas permanentes, Beatriz toma uma decisão perigosa: fingir que ficou paralisada e sem conseguir falar para descobrir quem permaneceria ao seu lado quando ela não pudesse mais oferecer poder, dinheiro ou proteção.Moderno15.1 mil palavras5 352 -
TerminadoCapítulo 11
“Ela Não É Minha Filha”… Até o DNA Revelar Um Segredo Pior
No aniversário da pequena Sofia, Isabela presencia uma cena que muda para sempre sua relação com a poderosa família Montenegro. Mas o golpe mais cruel vem do próprio marido, Alexandre, que olha para a menina e declara diante de todos: "Ela não é minha filha." Isabela, porém, já conhece a verdade. Um exame de DNA confirma que Sofia é filha biológica de Alexandre com 99,9998% de probabilidade. Só que existe uma segunda página no resultado — e ela revela algo ainda mais devastador... Até onde sua própria mãe foi capaz de ir para proteger os segredos da família Montenegro?Moderno13.4 mil palavras5 287 -
TerminadoCapítulo 11
O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta
Isabela Oliveira Martins só queria sobreviver a mais um turno em um restaurante sofisticado nos Jardins, em São Paulo. Mas, ao servir a mesa 17, suas mãos começaram a tremer diante do homem que todos no salão pareciam temer: Dante Vasconcelos Montenegro, um poderoso e misterioso chefe da máfia. Quando Dante percebe as marcas no pulso da garçonete, segura sua mão e pergunta baixinho: "Quem fez isso com você?" Isabela não consegue responder. Porque o homem de quem está fugindo é Marcelo Ferraz, seu ex-namorado controlador, alguém que parece sempre saber onde ela está. O que Isabela ainda não sabe é que seu encontro com Dante está longe de ser uma coincidência do destino. Uma investigação começa a revelar que Marcelo se aproximou dela por causa de Antônio, seu pai, morto quinze anos antes em circunstâncias nunca esclarecidas. E quanto mais Isabela procura respostas, mais descobre que os Ferraz e os Montenegro escondem um passado construído sobre dinheiro, traições e silêncio. Até Dante guarda um segredo sobre a noite em que Antônio morreu. Agora, Isabela terá que descobrir em quem pode confiar — sem permitir que outro homem decida seu destino. Porque talvez seu pai não tenha morrido apenas por descobrir um crime.Bilionário|Máfia|Moderno14.3 mil palavras5 4105 -
TerminadoCapítulo 10
Três Dias Após o Funeral, Ouvi Meu Marido Planejar Minha Herança
Três dias depois de enterrar a mãe, Eliza ouviu o marido dizer ao telefone: “Assim que eu acessar as contas, a gente venceu.” Ela não desceu a escada nem exigiu explicações. Apertou o botão de gravar. Na manhã seguinte, o último vídeo de Margaret revelou que Garrett pesquisava a herança antes mesmo do casamento — e que Sienna, irmã de Eliza, havia aberto a primeira porta.Moderno9.7 mil palavras5 197 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Que Entrou Molhada no Baile
Com fome e encharcada, Lívia, de nove anos, entra escondida no baile beneficente do Hotel Imperial procurando a mãe. Helena Albuquerque, viúva de uma das famílias mais ricas de São Paulo, joga água no rosto da menina e a acusa de roubo. Quando Lívia cai, um colar de safira se solta de seu pescoço. Dentro da pedra existe uma fotografia que Helena não vê há vinte anos — e a prova de que a criança humilhada diante da elite é a neta que ela nunca soube que tinha.Moderno10.0 mil palavras5 110 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Deu Seu Último Remédio ao Temido Homem
Uma reação alérgica derruba Adrian Moretti dentro da própria mansão. Ellie Carter, filha de uma funcionária e portadora de alergia severa, usa nele seu último autoinjetor de epinefrina. Quando Adrian voltou a respirar, descobriu que aquela era a última dose dela. Minutos depois, a menina disse algo ainda mais impossível: viu um velho colocar “lágrimas azuis” no vinho. O que começou com uma injeção levou a uma chave costurada dentro de um coelho, ao assassinato encoberto de David e à filha que Adrian acreditava ter enterrado.Moderno|Romance10.1 mil palavras5 127