"Rendida ao Alfa: O Retorno do Fantasma" Capítulo 1
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Capítulo 1
O cheiro de café passado preenchia a pequena cozinha de Mateo. Elara sorria enquanto observava o filho, Leo, brincando com um caminhão de madeira no chão de tacos desgastados.
"A mamãe já vai terminar o café, querido," Elara disse com uma voz suave e despreocupada.
Mateo estava à mesa, folheando um jornal antigo enquanto mastigava uma torrada.
"Você viu onde eu deixei as chaves da caminhonete, Elara?" perguntou Mateo, sem tirar os olhos das páginas.
"Devem estar no gancho perto da entrada," ela respondeu, sentindo uma paz que nunca soube que poderia possuir.
De repente, o ar na casa tornou-se gélido, como se todas as janelas tivessem sido abertas para uma nevasca repentina.
O caminhão de madeira de Leo parou de fazer barulho no chão.
Elara sentiu os pelos do braço se arrepiarem, um instinto de sobrevivência que ela tentou enterrar há cinco anos voltando com força total.
A porta da frente não foi batida; ela foi aberta com um movimento calmo e autoritário.
Rodrigo de Souza entrou na casa como se o lugar lhe pertencesse por direito divino.
Ele vestia um terno impecável que parecia uma ofensa visual naquele ambiente rústico e simples.
Seus olhos azul-aço varreram o cômodo, ignorando os móveis velhos, ignorando a simplicidade, focando apenas nela.
Mateo largou o jornal e levantou-se da cadeira, a confusão dando lugar a uma súbita inquietação.
"Quem é você e como entrou aqui?" Mateo perguntou, sua voz falhando um pouco ao ver o tamanho daquele homem.
Rodrigo não deu um único passo em direção a Mateo, mantendo todo o seu foco cravado em Elara.
"Achei que você tivesse aprendido a se esconder melhor, Elara," disse Rodrigo, sua voz um sussurro perigoso que parecia ecoar nas paredes.
Elara sentiu o sangue fugir de seu rosto, mas manteve-se imóvel, suas mãos apertando a bancada da cozinha.
"Você não deveria estar aqui, Rodrigo," ela respondeu, sua voz saindo mais firme do que ela esperava.
Rodrigo deu um passo lento, seu olhar perfurando a fachada de dona de casa comum que ela havia construído.
"Acha mesmo que pode roubar o que é meu e viver como se fosse uma de vocês?" ele questionou, dando mais um passo à frente.
Mateo interveio, ficando entre Rodrigo e sua esposa com as mãos estendidas.
"Saia da minha casa agora, ou eu vou chamar a polícia," Mateo gritou, tentando parecer imponente.
Rodrigo desviou o olhar para Mateo por um milésimo de segundo, com um desprezo tão profundo que o dono da casa recuou um passo.
"Você não quer que eu chame a atenção de ninguém aqui," Rodrigo zombou, virando-se novamente para Elara.
Ele caminhou até a mesa de jantar e, com um movimento lento, alcançou um brinquedo de plástico que Leo tinha deixado sobre o tampo.
Rodrigo pegou o objeto, sentindo o peso do plástico barato, e o jogou sobre a madeira maciça com um estrondo seco.
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"Isso é a prova da sua vida patética?" Rodrigo perguntou, olhando para o objeto com desdém.
Elara sentiu seu coração martelar contra as costelas, o medo de perder seu filho sendo eclipsado por uma fúria fria.
"Não toque nas coisas do meu filho," ela disse, caminhando até ele e ficando cara a cara com o magnata.
Rodrigo soltou uma risada seca e sem qualquer sinal de humor, seus olhos encontrando os dela com uma intensidade avassaladora.
"Seu filho?" ele repetiu, enfatizando cada sílaba enquanto o nome dele pairava no ar como uma ameaça.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pela respiração pesada de Mateo e pelo choro baixo de Leo.
"O jogo acabou, Elara," Rodrigo declarou, sua voz baixa e cheia de uma autoridade que não admitia contestação.
Mateo tentou tocar o braço de Rodrigo, mas o magnata o empurrou com um único movimento de ombro, sem sequer olhar para ele.
"Elara, quem é esse louco?" Mateo perguntou, desesperado por uma explicação que ela não podia dar.
"Não se envolva, Mateo, por favor," Elara pediu, sem tirar os olhos do homem que representava sua antiga prisão.
Rodrigo estendeu a mão e tocou uma mecha de cabelo de Elara, um gesto que parecia uma carícia, mas era uma marcação de território.
"Você achou que seria livre para sempre, mas o passado tem o hábito de cobrar caro," ele sussurrou perto do ouvido dela.
Elara sentiu um arrepio percorrer sua espinha, o peso daquela presença era como uma corrente de ferro prendendo seus pulsos.
"Eu não sou mais a mulher que você conheceu há cinco anos," ela rebateu, sentindo a adrenalina correr por suas veias.
Rodrigo sorriu, aquele sorriso predador que ele usava antes de destruir qualquer competidor no mundo dos negócios.
"Isso é o que vamos descobrir agora," ele disse, virando-se para observar Leo, que chorava no canto da sala.
Mateo avançou, tentando conter a fúria que fervia dentro dele diante daquela invasão descarada.
"Eu disse para você sair!" Mateo rugiu, preparando-se para um confronto que ele não tinha chances de vencer.
Rodrigo não se moveu, apenas levantou a mão direita em um gesto contido, e em segundos, dois homens armados de terno surgiram na porta da frente.
A paz daquele domingo morreu ali mesmo, entre o cheiro de café e o brilho frio de armas táticas.
"Não complique as coisas," Rodrigo ordenou para Mateo, sua voz fria como o gelo.
Elara olhou para o filho, depois para Rodrigo, percebendo que a vida que ela construiu havia acabado naquele exato momento.
"O que você quer de mim?" ela perguntou, sua voz finalmente quebrando o silêncio tenso.
Rodrigo caminhou até a porta, parando e olhando para trás uma última vez com um brilho de possessividade nos olhos.
"Eu quero que você volte para o único lugar onde você realmente pertence," ele respondeu.
Ele sinalizou para os homens, que avançaram para fechar o cerco dentro da pequena cozinha.
Mateo tentou resistir, mas foi contido com facilidade por um dos seguranças, seu rosto sendo pressionado contra a mesa.
"Não encoste nele!" Elara gritou, esquecendo por um segundo que estava tentando manter seu disfarce.
Rodrigo parou no limiar da porta, observando a reação dela com um interesse sádico e calculista.
"Você ainda se importa com esse homem?" ele perguntou, uma sobrancelha arqueada em zombaria.
Elara sabia que qualquer coisa que ela dissesse naquele momento selaria o destino de Mateo.
"Deixe-o em paz e eu farei o que você quiser," ela disse, a rendição amarga pesando em cada palavra.
Rodrigo deu um sorriso satisfeito, como se tivesse acabado de fechar o negócio mais lucrativo de sua carreira.
"Prepare as malas," ele ordenou, saindo da cozinha e esperando no carro estacionado lá fora.
O mundo ao redor de Elara desmoronou em questão de segundos, transformando sua segurança em uma armadilha fatal.
Ela olhou para o caminhão de madeira no chão, percebendo que nada voltaria a ser como antes.
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