"Troca Proibida: Um Corpo, Dois Mundos" Capítulo 2
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Capítulo 2: Contrato de Sombras
Lorenzo Montenegro, ou melhor, o que restava dele dentro daquele corpo frágil de Bia Lacerda, sentia uma pontada de ódio puro a cada respiração.
O apartamento de Bia era minúsculo, cheirava a café requentado e desespero. Ele vestiu a peça de roupa mais apresentável que encontrou no guarda roupa dela e saiu, determinado a chegar ao estúdio onde a tal atriz deveria estar.
Sua mente de CEO não aceitava o imprevisto. Ele precisava retomar o controle de sua vida, nem que para isso tivesse que demolir a carreira de cada pessoa que cruzasse seu caminho naquele dia.
No estúdio, o clima era de puro descaso. O Diretor Carlos, um homem de meia idade com excesso de joias e uma arrogância que competia com a do próprio Lorenzo, esperava por Bia em sua sala privada. Ele acreditava que a garota viria implorar pela ponta no filme.
"Entre, querida. Eu estava esperando por você," disse Carlos, quando Bia, ou melhor, Lorenzo, entrou na sala. Ele deu um tapinha no sofá ao seu lado, com aquele sorriso sujo que Lorenzo reconheceria a quilômetros de distância.
"Sabe, as coisas podem ser muito mais fáceis se você souber ser colaborativa."
Lorenzo, habituado a lidar com acionistas agressivos e advogados traiçoeiros, sentiu uma onda de desprezo.
Ele ignorou o convite para sentar se ao lado do homem e, em vez disso, caminhou até a mesa, passando a mão pelo tampo de vidro como se estivesse inspecionando uma mercadoria de baixa qualidade.
"Você tem um contrato aqui, Carlos?" a voz de Lorenzo saiu, embora nos lábios de Bia, carregada de uma autoridade glacial que fez o diretor franzir a testa imediatamente.
"O quê? Que história é essa de contrato agora? Você sabe como as coisas funcionam aqui," Carlos riu, recostando se na cadeira com desdém.
"Primeiro o teste, depois a gente vê o seu valor. Não banque a difícil, não combina com você."
"O seu valor é o que me interessa agora," Lorenzo disse, mantendo a postura ereta e o olhar fixo. "Eu li os relatórios de auditoria da sua produtora esta manhã. Sei que você desvia verbas da lei de incentivo para pagar seus luxos pessoais. Sabe o que acontece quando alguém como eu decide olhar mais de perto para suas finanças?"
Carlos empalideceu. A atmosfera na sala mudou drasticamente. "Do que você está falando? Você é apenas uma atriz de quinta categoria! Como você teria acesso a isso?"
Lorenzo caminhou até a porta e a trancou com um clique metálico que ecoou como um disparo. "Eu não sou Bia Lacerda. Pelo menos, não como você pensa. Eu sou o pesadelo que vai garantir que você nunca mais coloque os pés em um estúdio de filmagem. Se você tocar em um fio de cabelo de qualquer pessoa que trabalha aqui com segundas intenções, eu vou destruir não apenas a sua carreira, mas a sua vida pessoal. Entendeu?"
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Do outro lado da cidade, na sede da Montenegro Media, a verdadeira Bia Lacerda estava tendo o pior dia de sua vida. Sentada na cadeira presidencial, ela encarava uma mesa de diretores que a olhavam como se ela tivesse perdido o juízo completo.
"Senhor Montenegro, se não aprovar este plano de fusão agora, as ações vão despencar até o fechamento da bolsa," disse um diretor de terno cinza, impaciente, batendo a pasta sobre a mesa.
Bia suava frio. Ela não entendia uma vírgula sobre fusões, ações ou o mercado financeiro. Tudo o que ela sabia era o roteiro de uma novela que ela nunca conseguiu o papel principal. Ela precisava ganhar tempo a qualquer custo.
"Eu preciso analisar os dados de novo," Bia tentou, mas sua voz saiu grave e imponente, o que a assustou profundamente.
"Analisar de novo? Você mesmo assinou o pré acordo ontem!" o diretor exclamou, levantando se. "O que está acontecendo com você hoje? Você parece outra pessoa, parece que perdeu o senso de urgência que sempre teve!"
Bia sentiu o coração disparar. Ela precisava ser fria. Ela se lembrou de como Lorenzo caminhava, de como ele mantinha o queixo erguido e o olhar desdenhoso. Ela copiou a postura e respirou fundo, tentando emular aquela frieza inabalável.
"Eu decidi que a fusão é um erro," Bia disse, olhando nos olhos do diretor com uma firmeza que ela não sabia que possuía.
"Se vocês não confiam no meu julgamento, a porta é serventia da casa. Eu prefiro perder alguns milhões do que entrar em um negócio que cheira a fraude. Algum de vocês gostaria de me explicar por que esse plano está tão apressado?"
O silêncio na sala foi absoluto. Os diretores se entreolharam, desconfortáveis. A aura de Lorenzo parecia emanar de Bia, e a desconfiança que eles tinham se transformou em um medo reverencial.
Enquanto isso, de volta ao estúdio, Lorenzo, no corpo de Bia, terminava de intimidar o Diretor Carlos. Ele pegou o celular de Bia, abriu o chat e começou a digitar, enviando os detalhes da falcatrua para um contato que ele conhecia nos bastidores.
"Você está louca! Você vai acabar comigo se fizer isso!" Carlos gritou, tentando se levantar, mas recuando ao ver o olhar impiedoso de Bia.
"Eu não sou louca. Eu sou o seu novo pesadelo," Lorenzo respondeu, abrindo a porta da sala.
"E se eu vir você assediando alguém novamente, não vou apenas denunciar. Vou pessoalmente garantir que cada centavo que você roubou volte para o estado. Agora, saia da minha frente."
Lorenzo saiu da sala com uma confiança que, embora não combinasse com o corpo pequeno de Bia, assustava mais do que qualquer grito. Ele precisava encontrar Bia. Eles tinham um império para salvar, um inimigo para caçar e, acima de tudo, um mistério para resolver.
No banheiro do estúdio, Lorenzo se olhou no espelho novamente. "Bia Lacerda, onde quer que você esteja, espero que esteja sendo tão implacável quanto eu," ele murmurou para a própria imagem.
Longe dali, Bia fechou a porta da sala de reuniões, finalmente sozinha, e desabou na cadeira. "Meu Deus, que mundo é esse onde as pessoas destroem umas às outras por um pedaço de papel?" ela sussurrou, olhando para os próprios dedos, agora fortes e habituados ao poder. Ela começou a digitar no celular: "Onde você está? A diretoria está tentando me derrubar. Preciso de você agora."
O jogo de sombras havia começado, e nenhum dos dois estava preparado para as consequências de viver a vida do outro.
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