"Instinto Proibido: Sim, Doutor. Não, Tio." Capítulo 5
PUBLICIDADE
Capítulo 5: Retrato em Cinzas
O cheiro forte de tinta a óleo e terebintina impregnava o ar do pequeno quarto de despejo, transformado às pressas no meu ateliê improvisado.
Era a minha única válvula de escape contra o tédio sufocante daquele confinamento de luxo, o único espaço onde Dominic ainda não havia conseguido ditar as regras.
Minhas mãos, manchadas de pigmento escuro, moviam o pincel com uma força quase violenta contra a textura áspera da tela esticada.
Na superfície branca, as pinceladas grossas em tons de preto, grafite e titânio davam forma a uma figura monumental, uma criatura predatória e sombria.
O rosto pintado não tinha traços humanos perfeitos, mas os olhos eram inconfundíveis: duas fendas de um cinza gélido e cortante que pareciam queimar o tecido.
Eu estava retratando o meu tutor, o meu captor, o monstro de olhos cinzentos que havia transformado a minha existência em uma colônia de exploração particular.
Um baque suave na madeira da porta me fez sobressaltar, o pincel deslizando e borrando a linha da mandíbula que eu tentava corrigir. Dominic invadiu o ambiente sem pedir licença, sua silhueta alta preenchendo o vão da entrada e contrastando com a bagunça artística do chão.
Ele não usava o jaleco médico, apenas uma camisa de linho preto com as mangas dobradas até os antebraços, revelando as veias marcadas da sua pele clara. Seus olhos reais focaram imediatamente na tela ainda úmida, varrendo cada detalhe daquela obra perturbadora com uma lentidão que fez meu estômago encolher.
Esperei por uma explosão de fúria, por palavras duras sobre a minha insolência ou pela destruição imediata daquela provocação explícita em tinta. No entanto, o canto dos lábios de Dominic se elevou sutilmente em um meio sorriso sombrio, uma reação que me apavorou muito mais do que qualquer grito.
Longe de se enfurecer com a representação monstruosa, o médico parecia genuinamente deliciado com o que estava vendo bem diante de si.
Ele caminhou lentamente entre os potes de tinta espalhados pelo chão, aproximando-se da tela com a postura de um crítico de arte que aprecia uma obra-prima.
Ele saboreava com um prazer quase palpável a profundidade do medo e do fascínio doentio que exercia sobre a minha mente e a minha arte.
O quadro era a prova irrefutável de que, mesmo quando trancada sozinha, a minha mente continuava orbitando exclusivamente ao redor da sua figura.
"É uma perspectiva impressionante, Antonia", ele comentou, sua voz de barítono preenchendo o espaço confinado com uma calma que me desarmou.
"Eu não sabia que você me enxergava com tanta... grandiosidade mitológica."
Senti uma onda de humilhação ardente subir pelo meu pescoço, percebendo que, ao tentar atacá-lo através da arte, eu havia apenas despido a minha própria alma.
Eu havia mostrado a ele o tamanho exato do poder que ele detinha sobre o meu psicológico, entregando a minha maior vulnerabilidade em uma bandeja de prata.
"Você é exatamente isso, Dominic: um monstro que se alimenta da desgraça alheia", sibilei, limpando as mãos em um pano velho com movimentos bruscos. "Um predador que tranca a presa em uma gaiola e espera que ela cante para ele."
PUBLICIDADE
Dominic deu mais um passo à frente, ignorando o meu insulto verbal e reduzindo a distância entre nós até que eu pudesse sentir o calor que emanava do seu corpo. Ele estendeu a mão longa e, com as pontas dos dedos limpos, acariciou a lateral da tela, bem próximo ao contorno dos olhos pintados.
"Um monstro, talvez", ele sussurrou, fixando as órbitas cinzentas nas minhas com uma intensidade que me fez esquecer como respirar por alguns segundos. "Mas sou o único monstro no seu mundo, Antonia, o único que tem o direito de protegê-la e de destruí-la."
Ele se inclinou levemente na minha direção, o aroma de cedro competindo com o odor forte da terebintina que flutuava no ar do ateliê. "Você deveria saber que a verdadeira arte exige dor para alcançar a perfeição", ele murmurou contra o meu ouvido, fazendo meu corpo inteiro tencionar.
Aquelas palavras pareceram uma promessa sombria, um prenúncio claro de que a minha domesticação psicológica estava apenas começando sob a sua tutela. Ele não queria desfazer o medo que eu sentia; ele precisava alimentar aquela dependência emocional até que eu não soubesse mais viver sem o seu controle.
Sustentei o olhar dele com o que me restava de orgulho, recusando-me a desviar o rosto ou a demonstrar a fraqueza que fazia minhas pernas tremerem.
Dominic sorriu diante da minha resistência silenciosa, parecendo aprovar o fogo que ainda queimava nos meus olhos apesar do confinamento.
Com um movimento calmo e deliberado, ele enfiou a mão direita no bolso da calça de alfaiataria e retirou um pequeno objeto metálico.
O reflexo da luz fluorescente bateu na lâmina afiada de um bisturi cirúrgico, o mesmo instrumento que ele usava para abrir corpos no hospital.
Prendi a respiração, dando um passo involuntário para trás enquanto minha mente processava a visão daquela arma branca na mão do neurocirurgião. Dominic não moveu a lâmina contra mim; em vez disso, ele voltou sua atenção novamente para a pintura vertical.
Com uma precisão milimétrica, ele pressionou a ponta do bisturi contra a quina inferior direita da tela e puxou o metal para baixo.
O som do tecido de algodão sendo rasgado ecoou como um estalo violento no silêncio claustrofóbico do quarto improvisado.
O corte limpo e vertical abriu uma fenda na lateral do quadro, desfigurando a perfeição da moldura, mas mantendo a figura do monstro intacta. Ele retirou o bisturi, limpando a lâmina invisível com o polegar antes de guardá-lo de volta no bolso com uma naturalidade assustadora.
"Agora sim a obra está completa, minha querida", ele declarou com uma frieza inabalável, deixando sua marca física e violenta na minha criação.
"Para que você nunca se esqueça de quem é o dono do pincel e da tela neste apartamento."
Dominic deu as costas e caminhou em direção à saída, sua presença monumental deixando o quarto tão abruptamente quanto havia entrado.
Fiquei sozinha no ateliê, encarando o rasgo na quina da tela enquanto as lágrimas de frustração finalmente rolavam pelas minhas bochechas manchadas de tinta.
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 11
MENINA DÁ METADE DO LANCHE A UM MENINO SEM-TETO... 25 ANOS DEPOIS, ELE VOLTA MILIONÁRIO
Aos nove anos, Gabriel Costa vivia nas ruas de São Paulo e esperava todos os dias diante do portão de uma escola particular. Foi ali que conheceu Valentina Almeida, uma menina rica que passou a dividir escondida metade do próprio almoço com ele. Quando Gabriel foi adotado por uma família de Curitiba, fez uma promessa antes de partir: "Quando eu crescer… eu volto para te buscar." Vinte e cinco anos depois, Valentina enfrenta a doença do pai, a falência do Grupo Almeida e um noivado que esconde interesses perigosos. É então que Gabriel retorna a São Paulo — não mais como o menino faminto do portão, mas como um empresário cuja fortuna ultrapassa R$ 950 milhões.Moderno13.8 mil palavras5 180 -
TerminadoCapítulo 11
MILIONÁRIO CHEGA MAIS CEDO À CASA DE CAMPO... E QUASE DESMAIA COM O QUE VÊ
Milionário chega mais cedo à casa de Campo e quase desmaia com o que vê. Alejandro para no jardim sem acreditar. Léo, seu filho, ri alto nos braços de Helena, a faxineira. O menino que diziam ser incapaz de sentir emoção, agora gargalha como nunca. Pela manhã, Carla insistiu em aumentar os sedativos, dizendo que Léo era um caso perdido. Mas ali, diante dos olhos do pai, a verdade aparece. Não era doença, era medo. Helena tenta soltá-lo, assustada, mas Léo se agarra a ela como proteção. Quando o carro de Carla surge na entrada, o sorriso some, o corpo do menino trava. Alejandro entende tudo naquele instante. Ele manda Helena agir normalmente e decide observar em silêncio. Aquela risada muda tudo. Naquela noite, ele jura proteger o filho, descobrir quem mentiu e acabar com o terror escondido dentro da própria casa. A guerra começa ali, no quintal, com um riso que salvou uma vida.Moderno13.7 mil palavras5 123 -
TerminadoCapítulo 12
Eles Pensavam Que Eu Era Uma Boneca Frágil… Até Ouvirem o Som do Gatilho
Na alta sociedade de São Paulo, Christian von Stock e Victória de Medeiros pareciam o casal perfeito: ele, um titã corporativo brilhante e irretocável; ela, uma herdeira gélida e deslumbrante. Mas o conto de fadas durou apenas até o momento em que a porta da imponente mansão se fechou. No segundo em que o último flash da imprensa sumiu, Christian revelou ser o seu pior pesadelo. Dono de uma mente brilhante e sádica, ele confiscou o passaporte, o celular e as contas de Victória, transformando-a em uma prisioneira na própria casa. Para garantir a obediência absoluta, ele escolheu a única fraqueza dela: Camila, sua irmã caçula com síndrome de down, agora vigiada de perto como refém. Aos olhos do mundo, eles eram a imagem da felicidade conjugal, com sorrisos ensaiados e jantares de gala. Entre quatro paredes, era uma guerra psicológica diária onde a respiração de Victória era controlada e a liberdade, uma lembrança distante. Christian acreditava ter quebrado o espírito de sua esposa, transformando-a em uma boneca dócil. O que ele não sabia era que, sob a pele da mulher acuada, Victória contava cada segundo, memorizava cada código de segurança e aguardava pacientemente o momento certo. Ela fingiu submissão. Ela jogou o jogo dele. E, quando o monstro finalmente cometeu o erro de subestimá-la, a frágil esposa sumiu. No lugar dela, emergiu a lâmina afiada pronta para destruir o império dele de dentro para fora. Uma mente brilhante, uma gaiola de ouro e um jogo de gato e rato onde a única regra é sobreviver para ver quem quebra primeiro.Outras|Aventura|Moderno15.3 mil palavras5 148 -
TerminadoCapítulo 10
Minha Mãe Deixou Minha Esposa Desmaiada no Chão
Arthur voltou de viagem dois dias antes e encontrou a mesa cheia, o filho de oito dias chorando e Elena desacordada no tapete. A mãe dele continuava cortando o jantar. Se você encontrasse sua esposa nessa situação e descobrisse que alguém da sua própria família havia falsificado sua assinatura, qual seria sua primeira atitude? Leia até o fimModerno10.3 mil palavras5 130 -
TerminadoCapítulo 11
Mostraram Suas Verdadeiras Faces… Sem Saber Que Eu Fingia Estar Paralisada
Fingi Estar Paralisada Por 10 Dias… Meus Filhos Disputaram Minha Fortuna, Mas A “Intrusa” Ficou... Aos 66 anos, Beatriz Montenegro Sampaio construiu um dos maiores impérios imobiliários de São Paulo. Rica, poderosa e acostumada a controlar tudo, ela acreditava conhecer os próprios filhos. Até ser envenenada durante sua festa de aniversário. Ao descobrir que sobreviveria sem sequelas permanentes, Beatriz toma uma decisão perigosa: fingir que ficou paralisada e sem conseguir falar para descobrir quem permaneceria ao seu lado quando ela não pudesse mais oferecer poder, dinheiro ou proteção.Moderno15.1 mil palavras5 352 -
TerminadoCapítulo 11
“Ela Não É Minha Filha”… Até o DNA Revelar Um Segredo Pior
No aniversário da pequena Sofia, Isabela presencia uma cena que muda para sempre sua relação com a poderosa família Montenegro. Mas o golpe mais cruel vem do próprio marido, Alexandre, que olha para a menina e declara diante de todos: "Ela não é minha filha." Isabela, porém, já conhece a verdade. Um exame de DNA confirma que Sofia é filha biológica de Alexandre com 99,9998% de probabilidade. Só que existe uma segunda página no resultado — e ela revela algo ainda mais devastador... Até onde sua própria mãe foi capaz de ir para proteger os segredos da família Montenegro?Moderno13.4 mil palavras5 287 -
TerminadoCapítulo 11
O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta
Isabela Oliveira Martins só queria sobreviver a mais um turno em um restaurante sofisticado nos Jardins, em São Paulo. Mas, ao servir a mesa 17, suas mãos começaram a tremer diante do homem que todos no salão pareciam temer: Dante Vasconcelos Montenegro, um poderoso e misterioso chefe da máfia. Quando Dante percebe as marcas no pulso da garçonete, segura sua mão e pergunta baixinho: "Quem fez isso com você?" Isabela não consegue responder. Porque o homem de quem está fugindo é Marcelo Ferraz, seu ex-namorado controlador, alguém que parece sempre saber onde ela está. O que Isabela ainda não sabe é que seu encontro com Dante está longe de ser uma coincidência do destino. Uma investigação começa a revelar que Marcelo se aproximou dela por causa de Antônio, seu pai, morto quinze anos antes em circunstâncias nunca esclarecidas. E quanto mais Isabela procura respostas, mais descobre que os Ferraz e os Montenegro escondem um passado construído sobre dinheiro, traições e silêncio. Até Dante guarda um segredo sobre a noite em que Antônio morreu. Agora, Isabela terá que descobrir em quem pode confiar — sem permitir que outro homem decida seu destino. Porque talvez seu pai não tenha morrido apenas por descobrir um crime.Bilionário|Máfia|Moderno14.3 mil palavras5 4105 -
TerminadoCapítulo 10
Três Dias Após o Funeral, Ouvi Meu Marido Planejar Minha Herança
Três dias depois de enterrar a mãe, Eliza ouviu o marido dizer ao telefone: “Assim que eu acessar as contas, a gente venceu.” Ela não desceu a escada nem exigiu explicações. Apertou o botão de gravar. Na manhã seguinte, o último vídeo de Margaret revelou que Garrett pesquisava a herança antes mesmo do casamento — e que Sienna, irmã de Eliza, havia aberto a primeira porta.Moderno9.7 mil palavras5 197 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Que Entrou Molhada no Baile
Com fome e encharcada, Lívia, de nove anos, entra escondida no baile beneficente do Hotel Imperial procurando a mãe. Helena Albuquerque, viúva de uma das famílias mais ricas de São Paulo, joga água no rosto da menina e a acusa de roubo. Quando Lívia cai, um colar de safira se solta de seu pescoço. Dentro da pedra existe uma fotografia que Helena não vê há vinte anos — e a prova de que a criança humilhada diante da elite é a neta que ela nunca soube que tinha.Moderno10.0 mil palavras5 110 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Deu Seu Último Remédio ao Temido Homem
Uma reação alérgica derruba Adrian Moretti dentro da própria mansão. Ellie Carter, filha de uma funcionária e portadora de alergia severa, usa nele seu último autoinjetor de epinefrina. Quando Adrian voltou a respirar, descobriu que aquela era a última dose dela. Minutos depois, a menina disse algo ainda mais impossível: viu um velho colocar “lágrimas azuis” no vinho. O que começou com uma injeção levou a uma chave costurada dentro de um coelho, ao assassinato encoberto de David e à filha que Adrian acreditava ter enterrado.Moderno|Romance10.1 mil palavras5 127