"Madrasta humilha menina após seu pai falecer" PARTE 10
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A noite em São Paulo deixou de ser apenas escura. Agora parecia perigosa.
Isabela Vasconcelos já não era a mesma mulher que havia saído da mansão no dia do funeral do pai.
Depois de tudo o que viu no hospital subterrâneo, depois da voz do pai dentro do sistema VERITAS, depois da palavra “observando”, algo dentro dela mudou.
Agora ela não corria mais apenas para sobreviver.
Ela começava a entender que estava dentro de uma guerra.
No carro de Caio Menezes, o silêncio era pesado.
Ele dirigia sem ligar o rádio, sem olhar para o celular. Apenas observava o trânsito e os retrovisores com atenção constante.
Isabela olhou para ele.
“Você está nervoso…” ela disse.
Caio respondeu sem desviar o olhar da rua.
“Não é nervosismo. É cálculo.”
Ela franziu a testa.
“Cálculo de quê?”
Ele respirou fundo.
“De quanto tempo temos antes deles nos encontrarem de novo.”
No mesmo instante, na mansão Vasconcelos em Alto de Pinheiros, Patrícia caminhava de um lado para o outro em um escritório iluminado demais.
Telas exibiam dados em tempo real.
Câmeras.
Localização.
Interceptações.
E uma linha piscando constantemente:
“INTERFERÊNCIA EXTERNA ATIVA”
Patrícia apertou os dedos.
“Ele está protegendo ela…” ela disse em voz baixa.
O operador ao lado hesitou.
“Dona Patrícia… os sistemas estão sendo atacados de dentro.”
Ela virou o rosto lentamente.
“De dentro de onde?”
O operador engoliu seco.
“Da própria rede do VERITAS.”
Patrícia ficou imóvel por um segundo.
Depois disse:
“Então alguém está usando o sistema contra nós.”
No carro, Isabela começou a perceber algo estranho.
“Estamos sendo seguidos?” ela perguntou.
Caio não respondeu imediatamente.
Ele olhou pelo retrovisor.
Dois carros pretos.
Distância constante.
“Sim”, ele disse finalmente.
Isabela ficou tensa.
“Quem são eles?”
Caio respondeu com frieza:
“Limpeza operacional.”
Ela arregalou os olhos.
“Limpeza do quê?”
Ele olhou rapidamente para ela.
“De qualquer pessoa que saiba demais.”
O carro entrou em uma avenida mais estreita.
Caio acelerou.
Isabela segurou o banco.
“Você não pode simplesmente despistar eles?” ela perguntou.
Caio respondeu:
“Eles não estão aqui para nos seguir. Estão aqui para encerrar o assunto.”
Na mansão, Patrícia abriu um novo arquivo no sistema.
“PROTOCOLO SILÊNCIO”
Ela clicou.
O sistema respondeu:
“ATIVAÇÃO REQUER AUTORIZAÇÃO FINAL”
Patrícia respirou fundo.
“Autorização concedida.”
O operador olhou assustado.
“Dona Patrícia… isso ativa ações irreversíveis.”
Ela respondeu friamente:
“Exatamente.”
No carro, Caio mudou de rota abruptamente.
Entrou em um viaduto.
Os carros atrás deles também mudaram.
Isabela começou a ficar desesperada.
“Caio… eles não estão desistindo!”
Ele respondeu:
“Eles nunca desistem.”
Um dos carros atrás deles acelerou.
Isabela viu pelo retrovisor.
“Eles vão bater na gente!”
Caio apertou o volante.
“Segura.”
O impacto veio segundos depois.
Um choque lateral.
O carro balançou violentamente.
Isabela gritou.
“CAIO!”
Mas ele manteve controle.
“Não solta nada!”
No sistema da mansão, Patrícia observava tudo em tempo real.
“Contato confirmado”, disse o operador.
Ela observava a tela.
“Finalize.”
Outro impacto.
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Mais forte.
O carro quase saiu da pista.
Isabela estava em pânico.
“Vamos morrer!”
Caio respondeu com voz firme:
“Não hoje.”
Ele virou o carro para uma rua lateral estreita.
Entraram em um estacionamento abandonado.
Frearam bruscamente.
Silêncio.
Por dois segundos.
Isabela respirava com dificuldade.
“Acabou?” ela perguntou.
Caio olhou ao redor.
“Não.”
Do lado de fora, passos.
Portas abrindo.
Sons metálicos.
Eles tinham sido cercados.
Isabela começou a tremer.
“Caio…”
Ele olhou para ela.
“Escuta com atenção.”
Ela engoliu seco.
“Agora você vai ter que confiar em mim sem entender tudo.”
Na mansão, Patrícia observava a tela.
“Eles estão encurralados”, disse o operador.
Ela não sorriu.
“Não subestime Caio Menezes.”
No estacionamento, Caio abriu o porta-luvas.
Retirou um dispositivo pequeno.
Isabela viu.
“O que é isso?”
Ele respondeu:
“Uma rota de fuga que seu pai deixou para casos extremos.”
Isabela ficou chocada.
“Meu pai deixou isso?”
Caio assentiu.
“Ele esperava que você chegasse até aqui.”
Do lado de fora, passos se aproximando.
Luzes de lanterna atravessavam o escuro.
Isabela sussurrou:
“Eles estão chegando…”
Caio entregou o dispositivo a ela.
“Separa isso de mim.”
Ela hesitou.
“Por quê?”
Ele respondeu:
“Porque se nos pegarem juntos, você perde a única vantagem que ainda tem.”
Isabela segurou o dispositivo.
“E você?”
Caio olhou para ela.
“Eu vou atrair eles para longe.”
Isabela arregalou os olhos.
“Não!”
Ele abriu a porta do carro.
“Isabela…”
Ela olhou para ele.
Caio falou mais baixo:
“Agora você precisa sobreviver sem mim por alguns minutos.”
Ele saiu.
Fechou a porta.
E caminhou em direção ao som dos passos.
Isabela ficou imóvel dentro do carro.
“Caio…” ela sussurrou.
Mas ele já estava longe.
Do lado de fora, vozes.
“Ele está aqui!”
“Captura!”
Isabela apertou o dispositivo.
E uma luz começou a piscar.
No sistema da mansão, Patrícia observava tudo.
“Ele se separou dela…” disse o operador.
Patrícia estreitou os olhos.
“Então agora é o momento decisivo.”
Caio correu entre os carros estacionados.
Atraiu os perseguidores.
Gritos.
Passos.
Caos.
No carro, Isabela tremia.
Mas algo dentro dela mudou.
Ela olhou para o dispositivo.
E depois para a saída oposta.
Respirou fundo.
E disse para si mesma:
“Chega…”
No mesmo instante, no sistema VERITAS, um novo alerta apareceu:
“VARIÁVEL ISABELA VASCONCELOS – ALTERAÇÃO DE COMPORTAMENTO DETECTADA”
Patrícia ficou em silêncio.
Depois murmurou:
“Ela entendeu…”
Isabela abriu a porta do carro.
E saiu pela direção oposta.
E enquanto Caio lutava do outro lado do estacionamento…
Isabela tomou a primeira decisão que não foi de fuga.
Foi de escolha.
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