"Você Vai Morrer às 15:10" PARTE 13
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O Instituto Chronos entrou em colapso silencioso antes mesmo de qualquer alarme ser disparado.
As luzes piscaram uma vez.
Depois duas.
E então tudo voltou — mas não da mesma forma.
Isabela Monteiro Vasconcelos estava no centro da sala principal do núcleo de sincronização.
Rafael Albuquerque estava ao lado dela, tentando manter a calma, enquanto Helena Prado observava de uma distância segura, como se já soubesse o resultado de tudo aquilo.
Mas o problema não era mais o sistema.
Era Isabela.
Porque agora havia mais de uma.
“Isso não é possível…”, Rafael sussurrou.
Isabela olhou ao redor.
E viu.
Outra ela.
E outra.
E outra.
Versões diferentes, com roupas diferentes, expressões diferentes, todas surgindo como falhas sobrepostas no mesmo espaço físico.
Uma Isabela parecia mais velha.
Outra mais agressiva.
Outra completamente silenciosa, apenas observando.
Isabela recuou.
“Isso não pode estar acontecendo…”
Mas uma das versões dela deu um passo à frente.
E falou com a mesma voz:
“Você finalmente chegou no ponto de ruptura.”
Isabela congelou.
“Quem é você?!”
A outra Isabela sorriu de forma fria.
“Sou você… depois da primeira correção completa.”
Rafael deu um passo à frente imediatamente.
“Isso é instabilidade de sincronização de identidade!”
Helena respondeu calma:
“Não. Isso é o sistema tentando se reequilibrar.”
Isabela virou para ela, desesperada.
“Equilibrar o quê?!”
Helena apontou para o núcleo central.
“Você não deveria estar em uma única instância agora.”
Silêncio.
O ar ficou mais pesado.
E então todas as versões de Isabela começaram a se mover.
Não juntas.
Mas em padrões diferentes.
Como se cada uma estivesse lembrando de um passado diferente.
Uma delas gritou:
“Ele mentiu pra você!”
Outra respondeu:
“Não! Ele tentou salvar você!”
Uma terceira falou com frieza absoluta:
“Você já aceitou isso antes.”
Isabela cobriu os ouvidos.
“PAREM!”
Mas não pararam.
Rafael tentou se aproximar dela.
“Isabela, olha pra mim!”
Mas uma das versões dela entrou na frente.
“Ele não é confiável neste ciclo.”
Rafael congelou.
“Ciclo…?”
Helena fechou os olhos por um segundo.
“Começou.”
Isabela olhou ao redor, em pânico.
“Eu não sei quem eu sou mais!”
E então uma das versões dela deu um passo à frente.
Mais próxima.
Mais nítida.
E disse:
“Você quer fechar o Chronos.”
Isabela olhou imediatamente.
“Sim… eu quero!”
Outra versão respondeu:
“E você já tentou isso antes.”
Isabela ficou paralisada.
“Não…”
Rafael ficou rígido.
“Isabela… não faça isso.”
Mas já era tarde.
Porque o sistema respondeu.
As telas do núcleo acenderam todas ao mesmo tempo.
E uma mensagem surgiu:
“INTERFERÊNCIA DIRETA DETECTADA — PROTOCOLO DE DEFESA ATIVADO.”
Helena abriu os olhos imediatamente.
“Isso não deveria ativar resposta armada.”
Rafael virou para ela.
“Você disse que não haveria defesa ativa!”
Helena respondeu seca:
“Não neste nível de instabilidade.”
O chão vibrou levemente.
E então portas internas se fecharam automaticamente.
CLAC.
CLAC.
CLAC.
Isabela recuou.
“Vocês estão me prendendo aqui?!”
Rafael tentou acessar o painel.
“Sistema bloqueado…”
Helena observou a tela com atenção.
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“Não é bloqueio.”
Ela pausou.
“É contenção de múltiplas instâncias.”
Isabela virou para ela.
“O que isso quer dizer?!”
Helena respondeu:
“O sistema decidiu que existem versões demais de você coexistindo.”
Silêncio.
E então uma das Isabela riu.
“Ele está escolhendo quem fica.”
Isabela olhou para ela, aterrorizada.
“O quê?!”
A versão mais agressiva dela deu um passo à frente.
“Só uma pode permanecer estável.”
Rafael gritou:
“ISABELA, NÃO ESCUTA ISSO!”
Mas todas as versões dela começaram a falar ao mesmo tempo.
“Ele sempre escolhe uma versão por vez.”
“Você já foi descartada antes.”
“Você já morreu tentando estabilizar isso.”
Isabela começou a tremer.
“EU NÃO QUERO ISSO!”
O sistema respondeu.
A voz não era humana.
“SELEÇÃO DE CONTINUIDADE INICIADA.”
As luzes ficaram vermelhas.
Rafael tentou puxar Isabela.
“Vamos sair daqui!”
Mas uma das versões dela segurou o braço dele.
“Você não pode levá-la agora.”
Rafael olhou para ela.
“Solta!”
Mas ela respondeu:
“Você já tentou protegê-la antes. E falhou.”
Rafael congelou por um instante.
Helena observava tudo sem interferir.
“Ele está puxando memórias de ciclos anteriores”, ela disse.
Isabela caiu de joelhos.
“PAREM DE FALAR COMO SE EU NÃO FOSSE UMA SÓ!”
Mas então todas as versões dela olharam para ela ao mesmo tempo.
E disseram em uníssono:
“VOCÊ NÃO É MAIS UMA SÓ.”
O sistema começou a emitir um som contínuo.
BEEP.
BEEP.
BEEP.
E então uma nova tela surgiu no núcleo:
“INÍCIO DA FUSÃO DE IDENTIDADES.”
Isabela levantou os olhos lentamente.
“Fusão…?”
Rafael ficou pálido.
“Isso não é possível…”
Helena deu um passo para trás pela primeira vez.
“Ele não está escolhendo estabilidade…”
Ela respirou fundo.
“Está forçando uma única versão dominante.”
Isabela começou a gritar:
“EU NÃO QUERO SER DIVIDIDA!”
Mas o chão começou a brilhar sob ela.
Linhas começaram a se formar ao redor de todas as versões.
Como grades invisíveis.
Rafael tentou correr até ela.
“ISABELA!”
Mas uma força invisível o empurrou para trás.
Ele caiu.
“Sistema de defesa ativo…”, ele murmurou.
Isabela olhou ao redor.
E viu todas as suas versões começarem a se aproximar lentamente dela.
Uma delas disse calmamente:
“Você vai lembrar de tudo.”
Outra disse:
“Ou vai desaparecer tentando.”
A versão mais silenciosa apenas olhou para ela e sussurrou:
“Você já escolheu isso antes.”
Isabela gritou:
“EU NÃO LEMBRO DE NADA DISSO!”
E então o sistema respondeu pela última vez naquele ciclo:
“REINTEGRAÇÃO DE ISABELA EM CURSO — ESTADO FINAL NÃO DEFINIDO.”
A luz branca tomou toda a sala.
E no instante seguinte, todas as versões dela deram um passo ao mesmo tempo em direção ao centro.
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