"Você Vai Morrer às 15:10" PARTE 12
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O sistema de emergência do Instituto Chronos não fazia barulho.
Ele simplesmente apagava a realidade ao redor.
As luzes da sala onde Isabela Monteiro Vasconcelos estava desapareceram por completo por alguns segundos, deixando apenas o som da própria respiração dela ecoando no escuro absoluto.
Quando a luz voltou, nada estava exatamente igual.
A projeção no centro da sala havia mudado.
Rafael Albuquerque estava imóvel, olhando para a tela como se estivesse vendo algo que não queria aceitar.
Helena Prado não parecia surpresa.
Isso foi o que mais assustou Isabela.
“Isso… foi você?”, Isabela perguntou com a voz falhando.
Rafael não respondeu.
Helena apenas observava.
A projeção agora mostrava um novo arquivo, destacado em vermelho.
“SUBJETO ORIGINAL — ISABELA MONTEIRO VASCONCELOS”
Isabela deu um passo para trás.
“Original… do quê?”
Helena finalmente falou:
“Do sistema.”
Isabela riu nervosamente.
“Vocês estão me chamando de quê agora? De origem de computador?”
Rafael fechou os olhos por um segundo.
“Isabela…”
Mas ela interrompeu.
“Não! Chega! Eu cansei dessas palavras técnicas!”
Ela apontou para a projeção.
“Ciclo, falha, sistema, correção… isso tudo é pra quê?!”
Silêncio.
Helena se aproximou lentamente.
“Para estabilizar o que você desestabiliza.”
Isabela ficou imóvel.
“O quê?”
Helena respondeu:
“Você não é um erro dentro do Chronos.”
Ela fez uma pausa.
“Você é a primeira versão que o Chronos conseguiu salvar.”
Rafael finalmente falou, baixo:
“Ela é o Experimento Zero.”
Isabela sentiu o chão desaparecer.
“Não…”
Helena continuou:
“O primeiro caso em que a morte prevista às 15:10 não aconteceu como esperado… foi você.”
Isabela começou a tremer.
“Eu não… eu não lembro disso…”
Rafael virou para ela.
“Porque isso não foi nesta linha temporal.”
Silêncio pesado.
A projeção mudou novamente.
Agora mostrava uma sala de hospital.
Monitores antigos.
Um relógio marcando 15:09.
E Isabela deitada.
Sem sinais vitais aparentes.
Isabela levou a mão à boca.
“Para… para… isso não sou eu…”
Helena respondeu:
“Era você.”
Rafael completou:
“Antes do primeiro reset.”
Isabela começou a recuar até encostar na parede.
“Então vocês me mataram…”
Rafael levantou a voz pela primeira vez:
“NÃO.”
Ele respirou fundo.
“Você morreu sozinha. O sistema só registrou.”
Isabela começou a chorar.
“Isso não faz sentido… isso não faz sentido…”
Helena se aproximou mais.
“Chronos não foi criado para prever mortes.”
Ela pausou.
“Foi criado para impedir que uma morte específica aconteça fora do padrão.”
Isabela olhou para ela com desespero.
“Minha morte?”
Helena assentiu.
“Exatamente às 15:10.”
Silêncio absoluto.
Isabela sussurrou:
“Por quê?”
Rafael hesitou.
E então respondeu:
“Porque sua morte sempre gera colapso em cadeia.”
Isabela riu em choque.
“Colapso de quê?!”
Helena respondeu:
“Da estrutura temporal ao redor de você.”
Isabela balançou a cabeça.
“Isso é absurdo…”
Rafael caminhou até a projeção.
“Olha para os dados.”
Ele ampliou.
Linhas se expandiram.
Centenas de ramificações se quebrando sempre no mesmo ponto.
15:10.
Sempre 15:10.
Rafael continuou:
“Cada vez que você morre nesse horário… a linha temporal entra em colapso e reinicia.”
Isabela sentiu náusea.
“Então… eu sou a causa disso tudo?”
Helena respondeu:
“Você é o ponto fixo do colapso.”
Isabela gritou:
“EU NÃO ESCOLHI ISSO!”
O sistema respondeu sozinho.
A tela piscou.
E uma nova linha apareceu:
“ESCOLHA NÃO É VARIÁVEL PERMITIDA.”
Rafael ficou rígido.
“Isso não deveria estar ativo aqui…”
Helena olhou para ele.
“Está reagindo a ela.”
Isabela caiu de joelhos.
“Para de falar como se eu fosse uma máquina…”
Rafael se aproximou dela.
“Isabela… você não é uma máquina.”
Ele hesitou.
“Mas você também não é mais uma pessoa comum no sistema.”
Isabela olhou para ele com olhos cheios de lágrimas.
“Então o que eu sou?”
Rafael não respondeu imediatamente.
E isso foi pior do que qualquer resposta.
Helena foi quem disse:
“Você é o núcleo de reinicialização do Chronos.”
Silêncio.
Isabela ficou imóvel.
Rafael completou, com dificuldade:
“Sem você… não existe reset.”
Isabela sussurrou:
“Então vocês precisam de mim morta…”
Rafael respondeu imediatamente:
“NÃO.”
Mas Helena não desviou o olhar.
E disse algo que destruiu o resto da estabilidade da sala:
“Precisamos de você funcionando.”
Isabela levantou o olhar lentamente.
“Funcionando…”
Helena assentiu.
“Viva. Repetindo. Estável.”
Rafael deu um passo para trás.
“Helena…”
Mas já era tarde.
A projeção mudou novamente.
E agora mostrava algo que não deveria existir.
Isabela em diferentes versões.
Todas conscientes.
Todas conectadas.
E uma frase central:
“SUBJETO ZERO — INTERFACE PRINCIPAL DO CHRONOS”
Isabela começou a tremer.
“Eu não sou isso…”
Mas o sistema respondeu sozinho:
“IDENTIDADE CONFIRMADA.”
As luzes da sala piscaram.
E então todas as telas do Instituto Chronos começaram a exibir a mesma frase ao mesmo tempo:
“INTERFACE ORIGINAL ATIVADA.”
Isabela levantou os olhos lentamente.
E percebeu que não era mais apenas observada.
Era o próprio sistema olhando através dela.
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