"Meu Marido Não Existe na Linha do Tempo" PARTE 11
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O som das sirenes em São Paulo não era comum naquele horário, mas naquela noite parecia que a cidade inteira tinha mudado de frequência.
Não era apenas polícia. Não era ambulância. Era algo mais coordenado, mais silencioso entre os ruídos.
Isabela estava correndo.
Sem saber exatamente de quê.
Mas sentindo claramente que estavam correndo atrás dela.
Marcos apareceu do nada no meio da rua, puxando-a para um beco lateral.
“Eles ativaram o protocolo de recuperação.”
Isabela respirava com dificuldade.
“O que isso significa?”
Marcos olhou ao redor.
“Significa que você deixou de ser um caso clínico.”
Ela franziu a testa.
“E virei o quê?”
Ele respondeu baixo:
“Um ativo instável.”
Ao mesmo tempo, no Hospital Santa Cecília, todas as telas ficaram vermelhas.
Uma mensagem central piscava em loop:
“RECOLHIMENTO DE INSTÂNCIA INICIADO”
Henrique Valença caminhava rápido pelos corredores.
A equipe médica estava em movimento coordenado.
Não parecia hospital.
Parecia operação.
Uma médica ao lado dele perguntou:
“Quantos agentes precisamos?”
Henrique respondeu sem hesitar:
“Todos os disponíveis.”
Isabela estava escondida atrás de um caminhão estacionado.
Marcos entregou um celular para ela.
“Você precisa ver isso agora.”
Ela abriu.
E viu.
Vídeos.
Transmissões.
Noticiários sendo invadidos.
Uma gravação de Marcos aparecendo em rede aberta.
Ele estava falando diretamente para o público.
“Existe um sistema de reescrita de memória operando em hospitais privados em São Paulo.”
Isabela levantou os olhos.
“Você publicou isso?”
Marcos assentiu.
“Sim.”
Ela ficou em choque.
“Você enlouqueceu…”
Ele respondeu firme:
“Ou finalmente comecei a dizer a verdade.”
Na tela do celular, o vídeo continuava.
Marcos mostrava documentos.
Arquivos vazados.
Imagens do Hospital Santa Cecília.
E então algo ainda mais grave.
“Existem pacientes sendo reconstruídos cognitivamente sem consentimento público.”
A transmissão começou a sofrer interferência.
A imagem tremia.
E uma mensagem apareceu sobreposta:
“CONTEÚDO CLASSIFICADO REMOVIDO”
Isabela arregalou os olhos.
“O que está acontecendo?”
Marcos respondeu:
“Eles estão derrubando a transmissão em tempo real.”
Na cidade, telões começaram a piscar.
Em avenidas como Paulista e Faria Lima, anúncios mudaram sozinhos.
Antes de propagandas comerciais, surgiam mensagens:
“ESTABILIZAÇÃO EM ANDAMENTO”
Pessoas começaram a olhar para os painéis.
Algumas filmavam.
Outras ignoravam.
Mas algumas… começaram a sentir dor de cabeça.
Isabela colocou a mão na testa.
“Meu Deus…”
Marcos observou.
“Está afetando o público.”
Ela olhou para ele.
“Isso está escapando do hospital…”
Ele respondeu:
“Já escapou há muito tempo.”
No subsolo do hospital, Henrique entrou em uma sala de controle.
Monitores exibiam mapas mentais.
Linhas de identidade.
Isabela aparecia em múltiplas versões.
Uma médica perguntou:
“Qual instância devemos priorizar?”
Henrique respondeu:
“A original física.”
A médica hesitou.
“E a reconstruída?”
Silêncio.
Henrique respondeu:
“Será desativada se necessário.”
Isabela e Marcos chegaram perto da entrada do metrô.
Mas antes de descer, algo aconteceu.
Vários homens apareceram.
Uniformes discretos.
Sem identificação clara.
Marcos puxou Isabela.
“Corre.”
Isabela virou.
“Quem são eles?”
Marcos respondeu:
“Equipe de contenção.”
Eles começaram a correr.
Escadas.
Corredores.
Multidão.
Isabela gritava:
“EU NÃO SOU UM CRIME!”
Mas ninguém ao redor reagia.
Como se não ouvissem.
Em outro ponto da cidade, Tiago “Byte” estava em frente ao computador.
Ele tinha acesso direto ao sistema do hospital.
Suava.
“Isso está pior do que eu pensei…”
Ele abriu arquivos internos.
E começou a puxar dados.
De repente, encontrou algo novo.
PROCEDIMENTO ATIVO: RECOLHIMENTO FÍSICO DA INSTÂNCIA 07
Tiago arregalou os olhos.
“Eles vão capturar ela viva…”
Isabela foi encurralada em uma entrada de estacionamento subterrâneo.
Marcos tentou bloquear a passagem.
Mas eram muitos.
Um dos agentes falou:
“Isabela Nogueira Almeida, você está sob protocolo de estabilização obrigatória.”
Isabela gritou:
“EU NÃO SOU UMA AMEAÇA!”
O agente respondeu:
“Você é uma instabilidade sistêmica.”
Marcos tentou intervir.
“Ela não fez nada!”
Mas foi empurrado contra a parede.
Um dos agentes segurou Isabela.
Ela se debateu.
“ME SOLTA!”
Outro se aproximou com uma seringa.
Isabela viu.
“Não…”
Ela começou a gritar:
“O QUE VOCÊS VÃO FAZER COMIGO?”
O agente respondeu calmamente:
“Restaurar sua coerência cognitiva.”
Marcos gritou:
“ISABELA, NÃO DEIXA ELES TE PEGAREM!”
Mas já era tarde.
A agulha entrou no braço dela.
Isabela gritou de dor e medo ao mesmo tempo.
“EU LEMBRO DE TUDO!”
O agente respondeu:
“E isso é o problema.”
Ela começou a perder força.
Marcos lutava, mas era contido.
“ISABELA!”
Ela caiu de joelhos.
A visão começou a ficar turva.
As vozes distantes.
O mundo desacelerando.
E a última coisa que ela ouviu antes da consciência falhar foi o agente dizendo:
“Aplicação de estabilizador concluída.”
E enquanto Isabela perdia a força no chão frio do estacionamento, os monitores do Hospital Santa Cecília exibiam uma nova mensagem automática que ninguém havia inserido manualmente:
“INSTÂNCIA 07 EM PROCESSO DE REDEFINIÇÃO FINAL”
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