"A Outra Mulher Que Vive a Minha Vida" PARTE 5
PUBLICIDADE
O Hospital Santa Cecília parecia diferente naquela manhã.
Não fisicamente.
Mas algo no ar tinha mudado.
Isabela estava sentada novamente em uma sala interna, agora acompanhada apenas pela Dra. Helena Duarte. A médica mantinha os olhos fixos em um tablet, com uma expressão que Isabela nunca tinha visto antes nela: dúvida.
Não era profissional.
Era pessoal.
Helena deslizou a tela lentamente, como se cada movimento pesasse mais do que deveria.
Isabela observava em silêncio.
“Você encontrou alguma coisa?” — ela perguntou finalmente.
Helena não respondeu imediatamente.
Isso já foi suficiente para Isabela entender que sim.
“Doutora…” — Isabela insistiu. — “Me diga a verdade.”
Helena respirou fundo.
“Alguns registros do seu histórico foram… inconsistentes.”
Isabela franziu a testa.
“Inconsistentes como?”
Helena hesitou.
“Não batem entre si.”
Isabela inclinou o corpo para frente.
“Explique isso direito.”
Helena virou o tablet para ela.
Na tela, havia arquivos médicos.
Exames.
Relatórios de internação.
Datas.
Tudo organizado.
Mas algo estava errado.
Isabela apontou imediatamente.
“Isso aqui… não é a minha linha do tempo.”
Helena assentiu lentamente.
“Eu sei.”
O silêncio ficou denso.
Isabela pegou o tablet com cuidado.
“Isso aqui mostra que eu tive alta duas vezes.”
Helena confirmou.
“Sim.”
Isabela levantou o olhar rapidamente.
“Isso é impossível.”
Helena respondeu baixo:
“Também achei que fosse.”
Isabela começou a passar os dedos na tela.
“Esses registros foram editados.”
Helena não respondeu.
Isabela olhou para ela com intensidade crescente.
“Doutora… isso não é erro. Isso é alteração.”
Helena finalmente falou:
“Eu pedi acesso direto ao servidor central do hospital.”
Isabela congelou.
“E?”
Helena respirou fundo.
“Os logs foram limpos.”
Isabela arregalou os olhos.
“Limpos?”
Helena assentiu.
“Como se alguém tivesse apagado parte da sua existência aqui dentro.”
Isabela soltou o tablet lentamente.
“Isso não é hospital normal…”
Helena abaixou o olhar.
“Não mais.”
O silêncio entre as duas ficou pesado.
Isabela começou a sentir aquele frio familiar novamente.
Não era medo simples.
Era a sensação de estar dentro de algo maior do que ela.
“Doutora…” — Isabela falou mais baixo. — “Quem teria acesso a isso?”
Helena demorou para responder.
“Somente administração central… ou alguém com autorização externa.”
Isabela levantou imediatamente.
“Como quem?”
Helena hesitou.
E isso foi o pior sinal possível.
“Empresas parceiras do grupo de saúde.”
Isabela ficou imóvel.
“Grupo Albuquerque Saúde?”
Helena não respondeu diretamente.
Mas não precisou.
Isabela começou a andar pela sala.
“Você está me dizendo que alguém de fora pode mexer no meu histórico médico?”
Helena respondeu:
“Não estou dizendo que pode.”
Uma pausa.
“Estou dizendo que aconteceu.”
Isabela parou.
“E vocês estão me dizendo isso agora?”
Helena fechou o tablet.
“Porque eu não tinha certeza antes.”
Isabela virou rapidamente.
“E agora tem?”
Helena olhou diretamente para ela.
“Agora eu tenho evidências de intervenção externa.”
O ar ficou pesado.
Isabela sentiu o estômago apertar.
“Intervenção em quê exatamente?”
Helena abriu um novo arquivo.
E mostrou.
Um nome.
Isabela Nogueira.
Isabela congelou.
PUBLICIDADE
“Esse nome…”
Helena assentiu.
“Ele aparece em registros paralelos seus.”
Isabela deu um passo para trás.
“Paralelos?”
Helena continuou:
“Consultas, exames, movimentações clínicas… como se existissem duas pacientes com o mesmo perfil biológico.”
Isabela levou a mão à cabeça.
“Isso não é possível…”
Helena respondeu:
“Mas está documentado.”
Isabela respirou fundo.
“Então não é erro administrativo…”
Helena negou lentamente.
“Não.”
Uma pausa.
“É estrutura duplicada.”
Isabela sentiu o chão instável.
“Duas estruturas…”
Helena continuou, mais cautelosa:
“Dois registros paralelos de uma mesma identidade clínica.”
Isabela olhou para ela fixamente.
“Você está dizendo que existem duas Isabela registradas aqui dentro.”
Helena não respondeu imediatamente.
E isso respondeu tudo.
Isabela começou a rir de nervoso.
“Isso é absurdo…”
Helena interrompeu:
“Eu também achei.”
Silêncio.
Isabela respirou fundo.
“E quem criou isso?”
Helena fechou o tablet lentamente.
“Isso é o que eu estou tentando descobrir.”
Isabela deu um passo à frente.
“Você está me dizendo que alguém pegou minha identidade médica e duplicou.”
Helena corrigiu:
“Não só sua identidade médica.”
Uma pausa.
“Seu padrão neurológico também.”
Isabela congelou.
“Padrão neurológico?”
Helena assentiu.
“Há registros de exames cerebrais avançados realizados durante sua internação.”
Isabela franziu a testa.
“Eu nunca fiz isso.”
Helena respondeu imediatamente:
“Mas alguém fez por você.”
Isabela ficou em silêncio.
Helena continuou:
“E os resultados foram armazenados em outro sistema.”
Isabela perguntou:
“Qual sistema?”
Helena hesitou.
“Um sistema não vinculado ao hospital.”
Isabela sentiu o corpo inteiro ficar frio.
“Então isso não é medicina comum.”
Helena respondeu baixo:
“Não.”
Uma pausa longa.
“Isso parece pesquisa experimental.”
Isabela ficou imóvel.
“Experimental em quê?”
Helena olhou diretamente para ela.
“Identidade.”
O silêncio naquela sala mudou de qualidade.
Agora não era só pesado.
Era perigoso.
Isabela sentiu a respiração falhar por um segundo.
“Você está me dizendo que alguém mexeu na minha identidade…”
Helena respondeu:
“Estou dizendo que ela pode ter sido reconstruída.”
Isabela arregalou os olhos.
“Reconstruída?”
Helena assentiu lentamente.
“Neuroplasticidade artificial aplicada a padrões de memória e comportamento.”
Isabela deu um passo para trás.
“Isso não existe…”
Helena respondeu:
“Existe nos registros que encontrei.”
Isabela respirou fundo.
“E onde isso foi feito?”
Helena hesitou por um segundo.
E então respondeu:
“Campinas.”
O nome ficou no ar.
Isabela repetiu lentamente:
“Campinas…”
Helena continuou:
“Instituto privado.”
Isabela fechou os olhos por um segundo.
Quando abriu, sua voz estava mais baixa.
“E o que eles fizeram comigo?”
Helena olhou para o tablet novamente.
E mostrou um último arquivo.
Isabela se aproximou lentamente.
O título era simples.
Mas devastador.
“Projeto: Reestruturação Neural de Identidade – ISB-01”
Isabela ficou imóvel.
“ISB-01…”
Helena respondeu:
“Isso parece ser você.”
Isabela sentiu as pernas falharem levemente.
“Não…”
Helena continuou:
“E há uma segunda linha associada.”
Isabela perguntou quase sem voz:
“Qual?”
Helena deslizou a tela.
E leu:
“ISB-02 – Instância ativa paralela.”
Isabela ficou completamente em silêncio.
O mundo ao redor dela parecia ter perdido o som.
Helena fechou o tablet devagar.
“Isabela… isso não é só erro de registro.”
Uma pausa.
“Isso é experimento documentado.”
Isabela não respondeu.
Ela apenas encarava o vazio à frente.
Porque naquele instante, ela entendeu algo que ninguém tinha dito diretamente.
Se existia ISB-01…
E ISB-02…
Então nenhuma das duas versões era acidente.
E alguém sabia exatamente o que estava fazendo desde o começo.
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 11
MENINA DÁ METADE DO LANCHE A UM MENINO SEM-TETO... 25 ANOS DEPOIS, ELE VOLTA MILIONÁRIO
Aos nove anos, Gabriel Costa vivia nas ruas de São Paulo e esperava todos os dias diante do portão de uma escola particular. Foi ali que conheceu Valentina Almeida, uma menina rica que passou a dividir escondida metade do próprio almoço com ele. Quando Gabriel foi adotado por uma família de Curitiba, fez uma promessa antes de partir: "Quando eu crescer… eu volto para te buscar." Vinte e cinco anos depois, Valentina enfrenta a doença do pai, a falência do Grupo Almeida e um noivado que esconde interesses perigosos. É então que Gabriel retorna a São Paulo — não mais como o menino faminto do portão, mas como um empresário cuja fortuna ultrapassa R$ 950 milhões.Moderno13.8 mil palavras5 180 -
TerminadoCapítulo 11
MILIONÁRIO CHEGA MAIS CEDO À CASA DE CAMPO... E QUASE DESMAIA COM O QUE VÊ
Milionário chega mais cedo à casa de Campo e quase desmaia com o que vê. Alejandro para no jardim sem acreditar. Léo, seu filho, ri alto nos braços de Helena, a faxineira. O menino que diziam ser incapaz de sentir emoção, agora gargalha como nunca. Pela manhã, Carla insistiu em aumentar os sedativos, dizendo que Léo era um caso perdido. Mas ali, diante dos olhos do pai, a verdade aparece. Não era doença, era medo. Helena tenta soltá-lo, assustada, mas Léo se agarra a ela como proteção. Quando o carro de Carla surge na entrada, o sorriso some, o corpo do menino trava. Alejandro entende tudo naquele instante. Ele manda Helena agir normalmente e decide observar em silêncio. Aquela risada muda tudo. Naquela noite, ele jura proteger o filho, descobrir quem mentiu e acabar com o terror escondido dentro da própria casa. A guerra começa ali, no quintal, com um riso que salvou uma vida.Moderno13.7 mil palavras5 123 -
TerminadoCapítulo 12
Eles Pensavam Que Eu Era Uma Boneca Frágil… Até Ouvirem o Som do Gatilho
Na alta sociedade de São Paulo, Christian von Stock e Victória de Medeiros pareciam o casal perfeito: ele, um titã corporativo brilhante e irretocável; ela, uma herdeira gélida e deslumbrante. Mas o conto de fadas durou apenas até o momento em que a porta da imponente mansão se fechou. No segundo em que o último flash da imprensa sumiu, Christian revelou ser o seu pior pesadelo. Dono de uma mente brilhante e sádica, ele confiscou o passaporte, o celular e as contas de Victória, transformando-a em uma prisioneira na própria casa. Para garantir a obediência absoluta, ele escolheu a única fraqueza dela: Camila, sua irmã caçula com síndrome de down, agora vigiada de perto como refém. Aos olhos do mundo, eles eram a imagem da felicidade conjugal, com sorrisos ensaiados e jantares de gala. Entre quatro paredes, era uma guerra psicológica diária onde a respiração de Victória era controlada e a liberdade, uma lembrança distante. Christian acreditava ter quebrado o espírito de sua esposa, transformando-a em uma boneca dócil. O que ele não sabia era que, sob a pele da mulher acuada, Victória contava cada segundo, memorizava cada código de segurança e aguardava pacientemente o momento certo. Ela fingiu submissão. Ela jogou o jogo dele. E, quando o monstro finalmente cometeu o erro de subestimá-la, a frágil esposa sumiu. No lugar dela, emergiu a lâmina afiada pronta para destruir o império dele de dentro para fora. Uma mente brilhante, uma gaiola de ouro e um jogo de gato e rato onde a única regra é sobreviver para ver quem quebra primeiro.Outras|Aventura|Moderno15.3 mil palavras5 148 -
TerminadoCapítulo 10
Minha Mãe Deixou Minha Esposa Desmaiada no Chão
Arthur voltou de viagem dois dias antes e encontrou a mesa cheia, o filho de oito dias chorando e Elena desacordada no tapete. A mãe dele continuava cortando o jantar. Se você encontrasse sua esposa nessa situação e descobrisse que alguém da sua própria família havia falsificado sua assinatura, qual seria sua primeira atitude? Leia até o fimModerno10.3 mil palavras5 130 -
TerminadoCapítulo 11
Mostraram Suas Verdadeiras Faces… Sem Saber Que Eu Fingia Estar Paralisada
Fingi Estar Paralisada Por 10 Dias… Meus Filhos Disputaram Minha Fortuna, Mas A “Intrusa” Ficou... Aos 66 anos, Beatriz Montenegro Sampaio construiu um dos maiores impérios imobiliários de São Paulo. Rica, poderosa e acostumada a controlar tudo, ela acreditava conhecer os próprios filhos. Até ser envenenada durante sua festa de aniversário. Ao descobrir que sobreviveria sem sequelas permanentes, Beatriz toma uma decisão perigosa: fingir que ficou paralisada e sem conseguir falar para descobrir quem permaneceria ao seu lado quando ela não pudesse mais oferecer poder, dinheiro ou proteção.Moderno15.1 mil palavras5 352 -
TerminadoCapítulo 11
“Ela Não É Minha Filha”… Até o DNA Revelar Um Segredo Pior
No aniversário da pequena Sofia, Isabela presencia uma cena que muda para sempre sua relação com a poderosa família Montenegro. Mas o golpe mais cruel vem do próprio marido, Alexandre, que olha para a menina e declara diante de todos: "Ela não é minha filha." Isabela, porém, já conhece a verdade. Um exame de DNA confirma que Sofia é filha biológica de Alexandre com 99,9998% de probabilidade. Só que existe uma segunda página no resultado — e ela revela algo ainda mais devastador... Até onde sua própria mãe foi capaz de ir para proteger os segredos da família Montenegro?Moderno13.4 mil palavras5 287 -
TerminadoCapítulo 11
O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta
Isabela Oliveira Martins só queria sobreviver a mais um turno em um restaurante sofisticado nos Jardins, em São Paulo. Mas, ao servir a mesa 17, suas mãos começaram a tremer diante do homem que todos no salão pareciam temer: Dante Vasconcelos Montenegro, um poderoso e misterioso chefe da máfia. Quando Dante percebe as marcas no pulso da garçonete, segura sua mão e pergunta baixinho: "Quem fez isso com você?" Isabela não consegue responder. Porque o homem de quem está fugindo é Marcelo Ferraz, seu ex-namorado controlador, alguém que parece sempre saber onde ela está. O que Isabela ainda não sabe é que seu encontro com Dante está longe de ser uma coincidência do destino. Uma investigação começa a revelar que Marcelo se aproximou dela por causa de Antônio, seu pai, morto quinze anos antes em circunstâncias nunca esclarecidas. E quanto mais Isabela procura respostas, mais descobre que os Ferraz e os Montenegro escondem um passado construído sobre dinheiro, traições e silêncio. Até Dante guarda um segredo sobre a noite em que Antônio morreu. Agora, Isabela terá que descobrir em quem pode confiar — sem permitir que outro homem decida seu destino. Porque talvez seu pai não tenha morrido apenas por descobrir um crime.Bilionário|Máfia|Moderno14.3 mil palavras5 4105 -
TerminadoCapítulo 10
Três Dias Após o Funeral, Ouvi Meu Marido Planejar Minha Herança
Três dias depois de enterrar a mãe, Eliza ouviu o marido dizer ao telefone: “Assim que eu acessar as contas, a gente venceu.” Ela não desceu a escada nem exigiu explicações. Apertou o botão de gravar. Na manhã seguinte, o último vídeo de Margaret revelou que Garrett pesquisava a herança antes mesmo do casamento — e que Sienna, irmã de Eliza, havia aberto a primeira porta.Moderno9.7 mil palavras5 197 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Que Entrou Molhada no Baile
Com fome e encharcada, Lívia, de nove anos, entra escondida no baile beneficente do Hotel Imperial procurando a mãe. Helena Albuquerque, viúva de uma das famílias mais ricas de São Paulo, joga água no rosto da menina e a acusa de roubo. Quando Lívia cai, um colar de safira se solta de seu pescoço. Dentro da pedra existe uma fotografia que Helena não vê há vinte anos — e a prova de que a criança humilhada diante da elite é a neta que ela nunca soube que tinha.Moderno10.0 mil palavras5 110 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Deu Seu Último Remédio ao Temido Homem
Uma reação alérgica derruba Adrian Moretti dentro da própria mansão. Ellie Carter, filha de uma funcionária e portadora de alergia severa, usa nele seu último autoinjetor de epinefrina. Quando Adrian voltou a respirar, descobriu que aquela era a última dose dela. Minutos depois, a menina disse algo ainda mais impossível: viu um velho colocar “lágrimas azuis” no vinho. O que começou com uma injeção levou a uma chave costurada dentro de um coelho, ao assassinato encoberto de David e à filha que Adrian acreditava ter enterrado.Moderno|Romance10.1 mil palavras5 127