"O Erro Foi Subestimar a Esposa" PARTE 5
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A sede da Almeida Tech Solutions, na Avenida Faria Lima, parecia diferente naquela manhã.
Não era visivelmente destruída.
Não havia vidro quebrado.
Nem funcionários gritando.
Mas havia algo pior.
Um tipo de vazio estrutural.
Como se a empresa ainda existisse fisicamente…
mas não mais no sistema do mundo real.
Rodrigo Almeida Vasconcelos entrou na sala de reuniões com o rosto fechado.
Ele não tinha dormido.
Não porque estava cansado.
Mas porque pela primeira vez na vida corporativa dele, o controle não respondia.
Fernanda Ribeiro Duarte já estava lá, olhando para o notebook como se estivesse tentando convencer o sistema a obedecê-la apenas com vontade.
“Tem algo errado com o cadastro do Consórcio Águia”, disse ela.
Rodrigo franziu o cenho.
“Não é erro. É instabilidade bancária.”
Mas ele mesmo já não acreditava nisso.
Ele abriu o sistema corporativo central.
Digitou o nome:
CONSÓRCIO ÁGUIA
Carregando…
Carregando…
Resultado vazio.
Ele piscou.
Tentou novamente.
Nada.
Fernanda se aproximou.
“Não está aparecendo?”, perguntou ela.
Rodrigo não respondeu.
Entrou diretamente no banco de dados regulatório.
Pesquisa avançada.
Registro empresarial.
Jurídico.
Financeiro.
Nada.
O silêncio na sala começou a ficar desconfortável.
Rodrigo virou lentamente a tela para Fernanda.
“Isso aqui não existe.”
Ela riu nervosamente.
“Como assim não existe?”
Ele abriu outro sistema.
“Registro de empresa… vazio.”
Fernanda deu um passo para trás.
“Você está brincando comigo.”
Rodrigo ficou sério.
“Eu estou tentando entender o que está acontecendo.”
No departamento jurídico da empresa, três advogados tentavam acessar os documentos do Consórcio Águia.
Um deles franziu a testa.
“Não tem CNPJ ativo.”
Outro olhou para ele.
“Impossível.”
Ele atualizou a página.
Nada mudou.
“Não está registrado no sistema nacional.”
O terceiro advogado ficou em silêncio.
“Então isso significa…?”
Ele não terminou a frase.
Rodrigo desceu rapidamente até o setor de compliance.
“Quero todos os documentos do Consórcio Águia agora”, disse ele.
A analista olhou para ele confusa.
“Já enviamos ontem, senhor.”
“De novo.”
Ela digitou.
Abriu o arquivo.
E congelou.
“O arquivo não abre.”
Rodrigo bateu na mesa.
“Como não abre?”
“Está corrompido… ou foi removido do servidor.”
Fernanda entrou logo atrás.
“Isso está ficando ridículo”, disse ela.
Mas a voz dela já não tinha firmeza.
Rodrigo virou para o time técnico.
“Quem tem acesso ao sistema raiz?”
O chefe de TI hesitou.
“Só o administrador principal.”
Rodrigo respondeu rápido.
“Eu sou o administrador.”
O técnico balançou a cabeça lentamente.
“Não mais.”
O ar ficou pesado novamente.
Rodrigo respirou fundo.
“Então quem é?”
O técnico olhou para a tela.
“Não aparece nenhum controlador humano.”
Fernanda ficou pálida.
“O que quer dizer isso?”
Ele respondeu baixo:
“Quer dizer que o sistema está rodando sob uma estrutura externa.”
Rodrigo voltou para a sala principal.
Abriu todos os relatórios possíveis.
O Consórcio Águia não aparecia em nenhum lugar.
Nem como ativo.
Nem como inativo.
Nem como pendente.
Era como se nunca tivesse existido.
Ele apertou os olhos.
“Isso não faz sentido.”
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Fernanda sentou devagar.
“Eu vi contratos assinados… reuniões… investidores…”
Rodrigo interrompeu.
“Eu também vi.”
Ele abriu os arquivos físicos.
Os contratos escaneados.
As assinaturas digitais.
Mas agora algo estranho acontecia.
Cada documento tentava carregar…
E voltava em branco.
Um por um.
Sumindo.
Fernanda segurou o celular com força.
“Rodrigo… isso não é falha técnica.”
Ele não respondeu.
Porque agora ele também estava começando a perceber isso.
No sistema financeiro, um alerta apareceu.
“EMPRESA SEM ENTIDADE LEGAL RECONHECIDA.”
Outro alerta:
“FLUXO DE CAPITAL SEM DESTINO REGULATÓRIO.”
Outro:
“PROPRIEDADE NÃO ATRIBUÍDA.”
Rodrigo se levantou rapidamente.
“Chamem o banco agora!”
O operador tentou contato.
Minutos depois voltou.
“Senhor… o banco diz que nunca processou operações do Consórcio Águia.”
Rodrigo congelou.
“O quê?”
O operador repetiu:
“Nenhuma transação foi registrada sob esse nome.”
Fernanda levantou o olhar lentamente.
“Mas… o dinheiro?”
Rodrigo ficou em silêncio.
Porque ele também tinha essa pergunta.
Na Vila Olímpia, Mariana Vasconcelos Almeida observava o sistema com calma absoluta.
Nenhuma pressa.
Nenhuma surpresa.
Ela apenas analisava os fluxos desaparecendo das estruturas visíveis do mercado.
Um painel apareceu:
“ENTIDADE CORPORATIVA REMOVIDA DA CAMADA PÚBLICA”
Ela apenas respirou fundo.
E fechou o notebook por um segundo.
Na Faria Lima, o colapso psicológico começou a se instalar.
Rodrigo caminhava de um lado para o outro.
“Isso não pode ser real… eu assinei contratos… eu negociei isso com investidores…”
Fernanda interrompeu:
“Com quem exatamente?”
Ele parou.
Silêncio.
Essa pergunta abriu algo.
Uma rachadura.
Rodrigo tentou lembrar.
Os nomes.
As reuniões.
Os rostos.
Mas tudo parecia agora…
genérico demais.
Ele abriu o último registro do sistema.
E viu algo que não esperava.
Um único campo ainda ativo.
“FONTE PRIMÁRIA DE CAPITAL”
Ele clicou.
Carregando dados…
Fernanda se aproximou.
“O que aparece?”
Rodrigo não respondeu imediatamente.
Porque o nome carregando na tela era o único que não deveria fazer sentido ali.
Mas fazia.
A linha seguinte começou a aparecer lentamente…
E naquele instante, o sistema inteiro pareceu hesitar antes de revelar o que vinha depois.
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