"Toque de Mistério: O Alarme que Parou o Aeroporto" Capítulo 2
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Falei devagar, tentando lembrar daquela alucinação que passou como um flash.
As sobrancelhas de Xavier se franziram num nó.
"Mergulhada na água..."
Ele parecia ter pensado em algo.
Nesse momento, seu celular tocou.
Era a equipe de investigação de retaguarda.
Xavier colocou no viva-voz.
"Chefe, conseguimos os dados de Fabiana. O currículo dela é brilhante, formada em universidade de prestígio, casou-se com um empresário estrangeiro rico e emigrou há cinco anos. Ela volta ao país uma ou duas vezes por ano para visitar os pais."
"Parece muito normal."
"Sim, superficialmente parece normal. Mas investigamos suas relações familiares e encontramos uma suspeita."
A voz do outro lado da linha hesitou por um momento.
"Ela tem uma irmã mais nova chamada Sheila. Ela desapareceu há um ano."
Troquei olhares com Xavier.
"Desaparecida?"
"Sim, foi registrado como desaparecimento. Na época, a família disse que Sheila sofria de depressão e que talvez tivesse fugido de casa por desespero. A polícia investigou por muito tempo, não encontrou ninguém e acabou tratando como pessoa desaparecida."
"Sheila... onde ela estava antes de desaparecer?", perguntou Xavier.
"Aqui na cidade. Ela morava com o marido. Ah, a propósito, o marido dela se chama Sérgio."
"Fabiana, desta vez que voltou, encontrou esse Sérgio?"
"Sim. Verificamos o formulário de entrada dela; o contato indicado no país era justamente esse Sérgio."
A ligação foi encerrada.
A premonição sinistra em meu coração ficava cada vez mais pesada.
Irmã mais velha, irmã mais nova, desaparecimento, cunhado.
Essas palavras juntas já formam um roteiro de drama intenso.
"Capitão", disse eu, "peça ao pessoal na sala de interrogatório para perguntar a Fabiana sobre sua irmã, Sheila."
"Já estão perguntando", respondeu Xavier. "Ela está muito alerta, não sabe de nada, apenas insiste que a irmã fugiu devido à depressão e que ela também está muito triste."
"Ela está mentindo."
"Eu sei."
Nesse momento, Léo, do departamento técnico, entrou correndo novamente, ainda mais agitado que antes.
"Capitão Xavier! Nova descoberta!"
Ele segurava um saco de evidências transparente com a espuma que envolvia as pedras.
"Fizemos uma varredura profunda e análise de resíduos nessa espuma."
Léo ofegava e bateu um relatório de análise na mesa.
"Detectamos traços minúsculos... de tecido adiposo humano e hemoglobina."
Xavier e eu levantamos abruptamente.
"Tem certeza de que é humano?"
"Certeza! A sequência de DNA também foi extraída; embora incompleta, é suficiente para comparação. Já enviamos para o banco de dados de pessoas desaparecidas."
O celular de Léo tocou.
Ele atendeu e ouviu por alguns segundos, seu rosto empalideceu instantaneamente.
Ele olhou para nós, com os lábios trêmulos.
"Capitão Xavier... o resultado da comparação com o banco de dados saiu."
"De quem é?"
"Sheila. A Sheila que desapareceu."
Capítulo 4
O ar congelou.
O olhar de Xavier e o meu estavam fixos no rosto pálido de Léo.
Sheila.
Sheila, desaparecida há um ano.
O DNA dela apareceu na espuma que envolvia as pedras.
A natureza do caso mudou completamente naquele segundo.
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Não era mais um caso de suspeita de contrabando na alfândega.
Era um caso de homicídio.
A reação de Xavier foi mais rápida que a minha.
Ele pegou o rádio, sua voz era assustadoramente calma.
"Atenção todas as unidades, a suspeita Fabiana foi reclassificada como suspeita de crime grave de nível A."
"Transfiram-na imediatamente para a sala de interrogatório especial da equipe de crimes graves da delegacia central."
"Isolem todas as evidências, incluindo as duas pedras; classifiquem como prova material de nível máximo."
"Notifiquem a delegacia central para enviar especialistas em perícia e medicina legal; eles assumirão o caso daqui."
Ele dava ordens uma a uma, claras e decisivas.
Este é o Capitão Xavier.
Imperturbável mesmo que o Monte Tai desmoronasse diante dele.
Respirei fundo, contendo as ondas gigantes em meu coração.
"Vamos", disse Xavier, olhando para mim. "Vamos encontrá-la."
A nova sala de interrogatório ficava no segundo subsolo do centro policial do aeroporto.
Paredes totalmente metálicas, sem janelas, com uma lâmpada incandescente brilhando de cima, fria e ofuscante.
Fabiana estava sentada na cadeira de interrogatório, tendo trocado seu conjunto bege elegante.
Ela vestia o uniforme cinza do centro de detenção, e seu cabelo estava solto.
Sem o disfarce, ela parecia muito mais abatida.
Mas o ressentimento em seus olhos não diminuiu nem um pouco.
Xavier e eu entramos e sentamos à sua frente.
Uma mesa nos separava.
"Sra. Fabiana", Xavier colocou aquele relatório de DNA sobre a mesa e empurrou na direção dela.
"Reconhece isto?"
Fabiana olhou de relance, suas pupilas contraíram violentamente.
Mas ela logo se acalmou.
"Não entendo."
"Eu explico", disse Xavier, inclinando-se para frente com os dedos cruzados. "Detectamos tecido humano na espuma que envolvia as pedras."
"Após a comparação de DNA, pertence à sua irmã, Sheila."
O corpo de Fabiana ficou visivelmente rígido.
"Mentira!", ela gritou. "Minha irmã apenas desapareceu! Isso é calúnia!"
"É mesmo?", o tom de Xavier não mudou. "Então explique por que ela está desaparecida há um ano e o DNA dela aparece na bagagem que você pretendia levar para o exterior?"
"Eu não sei!", Fabiana balançou a cabeça com força. "Eu não sei de nada! Essa espuma... sim, essa espuma me foi dada pela minha irmã antes de desaparecer! Ela disse que havia algo importante embrulhado dentro e me pediu para guardar bem! Eu não sabia que eram pedras, muito menos que havia... havia esses restos nelas!"
Ela encontrou uma desculpa que parecia perfeita.
Empurrou tudo para a morta que desapareceu.
Mortos não dão testemunho.
Xavier riu.
"Invente, continue inventando."
"Eu não estou inventando!", Fabiana estava muito agitada. "Minha irmã tinha depressão! O estado mental dela era muito instável antes de desaparecer! Quem sabe o que ela fez? Vocês deveriam ir atrás dela, não me interrogar!"
Ela começou a chorar.
As lágrimas surgiram prontamente, atuando como se fosse real.
Eu não disse nada o tempo todo, apenas observando-a.
Observando seus olhos.
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Falei lentamente.
"Sua irmã, quando morreu, devia estar muito frio, não é?"
Minha voz não era alta, mas na sala de interrogatório fechada, era extraordinariamente clara.
O choro de Fabiana cessou abruptamente.
Ela parecia ter sido estrangulada, encarando-me fixamente.
"O que você disse?"
"Toquei naquela pedra", continuei. "Senti. O frio cortante brotando dos ossos. Aquilo não era a temperatura de uma pedra, era a temperatura dela."
"Você... seu louco!", a voz de Fabiana tremia.
"Vi o rosto dela também."
Encarei os olhos dela, palavra por palavra.
"Mergulhado na água, esbranquiçado, inchado. Com os olhos bem abertos, parecendo perguntar por quê."
"Aaaah!"
Fabiana soltou um grito estridente de repente.
Ela levantou-se abruptamente da cadeira, tentando avançar sobre mim.
Mas estava firmemente presa pelas algemas.
Sua defesa psicológica colapsou completamente naquele momento.
"Não fui eu! Não fui eu que matei!"
Ela gritava como louca.
"Foi Sérgio! Foi aquele animal! Foi ele quem matou Sheila! Foi ele!"
Sérgio.
Marido de Sheila.
Troquei olhares com Xavier.
Sabíamos que o verdadeiro ponto de ruptura havia aparecido.
Capítulo 5
Do lado de fora da sala de interrogatório.
As luzes do corredor estavam um pouco fracas.
Xavier me entregou um cigarro e acendeu um para si mesmo.
A fumaça preenchia o ar.
"O que você acha?", ele perguntou.
"Ela está mentindo", respondi. "Ou melhor, é meio verdade, meio mentira."
"Sérgio tem problemas, mas ela também não é nada santa."
"Por que diz isso?"
"Quando ela me ouviu dizer que 'a irmã morreu com muito frio', a primeira reação não foi tristeza, foi pavor."
Lembrei-me da expressão de Fabiana naquele momento.
"Uma irmã normal, ao ouvir sobre a morte da irmã, mesmo que fossem inimigas, deveria ter alguma oscilação emocional. Mas ela não teve. O que ela temia era o fato de 'como eu poderia saber disso'."
Xavier assentiu, profundamente convencido.
"Eu também senti isso. Ela atirou Sérgio para nós rápido demais, apressada demais. Parecia um bode expiatório pronto há muito tempo."
"E agora?"
"Dividiremos nossas forças", Xavier apagou o cigarro. "Vou deixar Xiao Wang e os outros continuarem o interrogatório, para aprofundar na relação dela com Sérgio e no motivo dela ter levado as pedras."
"Nós dois, agora mesmo, vamos conhecer esse Sérgio."
Ao sair do aeroporto, já tinha anoitecido.
As luzes de neon da cidade passavam rapidamente pelas janelas do carro.
Colegas da delegacia central já estavam esperando na residência de Sérgio.
Era um condomínio de alto padrão, em um ambiente tranquilo.
Sheila e Sérgio moravam ali.
Ou melhor, Sheila costumava morar ali.
Batemos na porta.
Quem atendeu foi um homem de trinta e poucos anos, usando óculos de armação dourada, parecendo culto e educado.
Era Sérgio.
Ao nos ver, ele ficou atordoado.
Quando Xavier mostrou sua identificação, sua expressão mudou.
"Oficiais? Algum problema?"
"Sr. Sérgio, gostaríamos de entender algumas coisas sobre sua esposa, Sheila", disse Xavier, indo direto ao ponto.
Sérgio nos convidou para entrar.
A casa era grande, luxuosamente decorada, mas vazia, sem vida.
"Sheila... há alguma notícia dela?", Sérgio nos serviu água, com a voz carregada de expectativa e cansaço.
Ele parecia um marido sentindo falta da esposa falecida.
"Encontramos algumas pistas que podem estar relacionadas a ela", disse Xavier. "Antes de responder às perguntas, espero que saiba que mentir para a polícia acarreta consequências legais."
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