"DEUS:O MILAGRE ESCONDIDO" PARTE 11
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O Hospital Santa Aurora já não lembrava mais da própria noite anterior.
Mas algo ainda permanecia no ar.
Não como memória.
Mas como falha invisível.
Júlia estava sozinha na sala de arquivo central.
Pela primeira vez desde tudo o que havia acontecido…
ninguém mais a acompanhava.
Porque, oficialmente, nada havia acontecido.
Ela olhava para a tela do sistema com as mãos trêmulas.
Tentando provar para si mesma que não estava louca.
“Isso não pode ter desaparecido…”, ela sussurrou.
Mas a tela respondia apenas uma coisa.
SEM REGISTROS DISPONÍVEIS
Júlia tentou acessar novamente os arquivos da UTI 3.
ACESSO NEGADO.
Histórico de pacientes.
Vazio.
Logs do sistema.
Corrompidos.
Ela começou a respirar mais rápido.
“Eles apagaram tudo…”
E então ela viu algo diferente.
Um único arquivo que não deveria existir.
PISCANDO.
Sem origem.
Sem usuário.
Sem permissão.
“DEUS PROTOCOL – ACESSO RESTRITO”
Júlia congelou.
“Não…”
Ela hesitou por alguns segundos.
Depois clicou.
A tela escureceu imediatamente.
E uma mensagem apareceu.
“IDENTIFICAÇÃO EM ANDAMENTO…”
Silêncio absoluto.
Júlia começou a tremer.
“Isso não estava aqui ontem…”
E então o sistema abriu sozinho.
Um dossiê completo surgiu.
Mas não era um arquivo médico.
Era outra coisa.
“PROJETO DEUS”
OBJETIVO: RECONSTRUÇÃO DE EVENTOS DE MORTE CLÍNICA
STATUS: EM EXECUÇÃO GLOBAL
UNIDADES ENVOLVIDAS: 47 HOSPITAIS
Júlia levou a mão à boca.
“Quarenta e sete…”
A tela continuou.
SUJEITOS NÃO SÃO PACIENTES
Silêncio.
Júlia começou a chorar.
“Então… eles sabiam…”
E então apareceu outra linha.
“ELES SÃO SINAIS BIOLÓGICOS DE RETORNO”
Ela recuou da tela.
“Isso não é medicina…”
Mas o sistema não havia terminado.
Um novo campo abriu automaticamente.
“SUJEITO PRINCIPAL: MARINA DUARTE”
Júlia congelou.
STATUS: ATIVA
CLASSIFICAÇÃO: CÓDIGO 07
FUNÇÃO: NÚCLEO DE RETORNO
Silêncio absoluto.
Júlia sussurrou:
“Ela não era uma paciente…”
A tela respondeu.
“NUNCA FOI.”
Júlia começou a chorar mais forte.
“Então o que ela era?”
E o sistema exibiu:
“EVIDÊNCIA VIVA DO PROTOCOLO”
A porta da sala abriu atrás dela.
Júlia virou bruscamente.
Era o Dr. Renato.
Mas algo estava diferente nele.
Ele parecia… vazio.
“Júlia… o que você está fazendo aqui sozinha?”, ele perguntou.
Ela olhou para ele desesperada.
“Doutor… você lembra da Marina?”
Ele franziu a testa.
“Marina… quem?”
Silêncio.
Júlia começou a chorar em desespero.
“Não… não… você não pode esquecer…”
Renato a observou com calma.
“Você está bem? Parece confusa.”
Ela apontou para a tela.
“DEUS PROTOCOL! VOCÊ NÃO VÊ ISSO?!”
Renato olhou para a tela.
E viu apenas um sistema vazio.
“Não tem nada aqui”, ele disse.
Júlia congelou.
“Isso não é possível…”
E então ela percebeu.
Ele não lembrava.
Nem do hospital subterrâneo.
Nem das mortes.
Nem da UTI 3.
Nem de Marina.
“Eles te apagaram também…”, ela sussurrou.
Renato deu um passo para trás.
“Júlia, você precisa descansar.”
Ela começou a gritar.
“VOCÊ ESTAVA LÁ! VOCÊ VIU TUDO!”
Mas ele já estava saindo.
Como se ela não existisse mais no mesmo nível da realidade.
Júlia caiu de joelhos.
E voltou para o sistema.
“Mostra tudo de novo…”
A tela respondeu.
E então o pior aconteceu.
TODOS OS ARQUIVOS REAPARECERAM.
Mas estavam diferentes.
Marina Duarte:
STATUS: NUNCA HOSPITALIZADA
Júlia começou a tremer violentamente.
“Não… isso é mentira…”
Mas o sistema continuava.
EVENTO REMOVIDO DA LINHA DO TEMPO
“Eles não apagaram os arquivos…”, ela sussurrou.
“Eles apagaram a realidade…”
E então o sistema começou a escrever sozinho.
Sem comando.
Sem operador.
“PROTOCOLO DEUS ATIVADO EM TODAS AS UNIDADES”
Júlia começou a gritar.
“PARA! PARA ISSO!”
Mas a tela não parou.
STATUS FINAL:
SUJEITO 07 CONFIRMADO
Silêncio absoluto.
E então a última linha apareceu lentamente.
Júlia leu em voz alta, chorando:
“ELA NÃO É UMA VÍTIMA DO PROTOCOLO…”
Ela engoliu seco.
E continuou lendo.
“ELA É O CENTRO DO PROTOCOLO.”
A sala inteira começou a piscar.
E todos os sistemas do hospital foram ativados ao mesmo tempo.
Como se algo tivesse despertado.
E então apareceu uma última mensagem.
“INICIALIZAÇÃO COMPLETA DO SISTEMA DE RETORNO BIOLÓGICO.”
Júlia recuou.
“Não…”
E a tela final abriu sozinha.
Um único arquivo.
TÍTULO:
ORIGEM DO EVENTO MARINA DUARTE
E então apareceu uma frase.
E foi nesse momento que Júlia entendeu que tudo era pior do que ela imaginava.
“ELA NÃO MORREU ACIDENTALMENTE.”
Ela tremia.
E continuou lendo.
“ELA MORREU PROGRAMADA.”
Silêncio absoluto.
E então a última linha surgiu lentamente na tela.
Júlia leu em voz baixa, chorando:
“A MORTE DELA FOI PROJETADA DESDE O INÍCIO.”
E antes que a tela apagasse…
uma nova linha apareceu sozinha.
“E ELA AINDA NÃO TERMINOU O PROCESSO.”
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