"DEUS:O MILAGRE ESCONDIDO" PARTE 10
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O Hospital Santa Aurora já não era mais o mesmo lugar da noite anterior.
Mas o mais assustador não era o que havia mudado.
Era o que ninguém conseguia mais lembrar.
Na UTI 3, os equipamentos estavam novamente funcionando.
A energia havia voltado.
As luzes estavam normais.
Tudo parecia… restaurado.
Como se nada tivesse acontecido.
Júlia entrou na sala com expressão confusa.
“Doutor… você viu o que aconteceu ontem à noite?”
Dr. Renato Alencar levantou os olhos do prontuário.
“Ontem à noite… o quê?”
Silêncio.
Júlia congelou.
“Como assim o quê?”
Renato franziu a testa.
“Teve alguma ocorrência?”
O técnico de TI entrou logo depois.
Com o mesmo olhar perdido.
“Doutor, os logs do sistema estão normais. Nenhum evento crítico registrado.”
Júlia deu um passo para trás.
“Isso não é possível…”
Ela olhou para o monitor.
E tudo parecia limpo.
Organizado.
Sem falhas.
Sem DEUS.
Sem laboratório.
Sem erro de morte.
“Alguém apagou tudo”, Júlia disse baixo.
Renato olhou para ela.
“Apagou o quê?”
Ela respirou fundo.
“Tudo o que aconteceu com a Marina.”
Silêncio.
Renato folheou o prontuário digital.
E franziu a testa.
“Marina Duarte… está com status estável desde ontem.”
Júlia arregalou os olhos.
“Não… isso não é verdade.”
O técnico olhou a tela dele.
E confirmou:
“Os sistemas estão sincronizados. Não houve parada cardíaca registrada.”
Júlia começou a tremer.
“Eu vi ela morrer.”
Renato olhou para ela com calma.
“Você está falando de quê, exatamente?”
O corredor do hospital estava cheio de médicos novamente.
Como se a noite anterior nunca tivesse acontecido.
Mas algo estava errado.
Muito errado.
Júlia entrou na sala de descanso dos enfermeiros.
“Alguém lembra do apagão?”
Uma enfermeira olhou para ela estranhando.
“Que apagão?”
Júlia congelou.
“Ontem à noite… tudo apagou…”
A enfermeira riu levemente.
“Não teve apagão nenhum, Júlia.”
Júlia começou a sentir falta de ar.
“Isso não é possível…”
Ela saiu correndo pelo corredor.
Encontrou outro médico.
“Doutor Henrique estava aqui ontem, certo?”
O médico franziu a testa.
“Henrique? Ele está de férias há uma semana.”
O mundo de Júlia começou a se desmontar.
“Não… ele estava aqui…”
Ela pegou o celular.
Procurou vídeos.
Fotos.
Registros.
Nada.
Nem da UTI.
Nem dos alarmes.
Nem da sala subterrânea.
Nem de Marina.
Tudo havia desaparecido.
Ela voltou para a UTI 3 em desespero.
“Doutor Renato!”
Ele a olhou.
Calmo.
Profissional.
“Júlia, você está bem?”
Ela segurou o braço dele.
“Você não lembra de nada?”
Renato franziu a testa.
“Lembrar de quê?”
Júlia começou a chorar.
“Marina… o projeto… o laboratório… o número 47…”
Silêncio.
Renato a observou com preocupação.
“Você está trabalhando demais.”
Ela recuou.
“Você está mentindo…”
O técnico de TI apareceu.
“Júlia, o sistema está normal. Nenhuma instabilidade.”
“PARA!”, ela gritou.
Todos olharam.
“Vocês estão fingindo… isso não pode ter sumido!”
Renato se aproximou.
“Júlia, talvez você precise descansar.”
Ela recuou como se tivesse sido atingida.
“Não… não…”
Ela correu para a sala de segurança.
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Tentou acessar os backups.
Nada.
Tentou acessar as câmeras.
Arquivos vazios.
Histórico apagado.
Ela começou a gritar sozinha na sala.
“EU VI TUDO!”
Mas ninguém respondia.
Do outro lado do hospital…
Renato conversava com outro médico.
“Ela sempre foi assim?”, perguntou o médico.
Renato hesitou.
“Quem?”
Silêncio.
Júlia voltou para a UTI em choque.
E viu algo ainda pior.
A maca de Marina estava vazia.
Ela congelou.
“Não…”
Ela correu até o prontuário.
STATUS:
ALTA MÉDICA CONCLUÍDA
Júlia começou a tremer violentamente.
“Não… não… ela estava aqui…”
Um enfermeiro passou ao lado.
“Quem estava aqui?”
Júlia segurou ele.
“Marina Duarte!”
O enfermeiro franziu a testa.
“Não temos nenhuma paciente com esse nome hoje.”
O chão pareceu desaparecer sob os pés dela.
“Isso não é real…”
Ela olhou ao redor.
E percebeu algo horrível.
Ninguém estava reagindo.
Ninguém lembrava.
Nem os médicos.
Nem os técnicos.
Nem os sistemas.
Só ela.
Ela correu de volta ao sistema central.
E tentou abrir o log principal.
Mas o sistema pediu autenticação.
Ela digitou.
ACESSO NEGADO.
Ela tentou novamente.
ACESSO NEGADO.
E então…
a tela piscou sozinha.
E apareceu uma mensagem.
“REGISTROS NÃO EXISTEM.”
Júlia caiu de joelhos.
“Isso não pode estar acontecendo…”
E então uma voz veio do rádio interno.
“Relatório de turno normalizado.”
Júlia levantou o rosto lentamente.
E viu todos trabalhando normalmente.
Como se nada tivesse acontecido.
Como se ela fosse a única pessoa quebrada.
Ela caminhou pelo corredor.
E encontrou uma última pessoa.
Um técnico antigo.
Ela segurou ele.
“Você… você lembra da UTI 3 ontem à noite?”
Ele hesitou.
E então respondeu baixo:
“Eu lembro… mas não posso falar sobre isso.”
Júlia congelou.
“Por quê?”
Ele olhou ao redor.
E sussurrou:
“Porque isso não deveria existir na memória de ninguém.”
Júlia começou a chorar.
“Mas eu lembro…”
Ele se afastou.
E disse uma última frase antes de sair:
“Então cuidado… porque quem lembra demais… também pode ser apagado.”
Ela ficou sozinha no corredor.
E então percebeu algo ainda pior.
Todas as câmeras do hospital estavam apontadas para ela.
E no monitor de segurança…
havia um único registro ativo.
Sua imagem.
E ao lado dela…
uma legenda automática apareceu.
“TESTEMUNHA NÃO AUTORIZADA.”
E então o sistema exibiu uma última linha.
“ELA É A ÚLTIMA QUE AINDA LEMBRA.”
E a tela ficou preta.
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