"A Mulher Que Voltou da Morte" PARTE 6
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O edifício do Grupo Monteiro estava mais silencioso do que o normal naquela manhã.
O ar-condicionado gelado contrastava com a tensão invisível que circulava entre os funcionários.
Rafael Monteiro Vasconcelos caminhava pelos corredores do décimo andar com passos firmes, mas o olhar distante.
Ele não tinha dormido bem.
Desde a mensagem anônima, algo dentro dele não havia se acalmado.
“Algumas coisas não morrem. Apenas esperam.”
Essas palavras repetiam-se como um eco insistente.
No setor administrativo, ele parou diante de uma sala de reuniões parcialmente aberta. Havia funcionários organizando documentos antigos do hospital parceiro. Ele não deveria estar ali, mas algo o puxou para dentro.
“Senhor Rafael?”, perguntou uma secretária, surpresa.
Ele não respondeu.
Seus olhos estavam fixos em outra coisa.
Uma funcionária de limpeza no corredor ao lado.
Helena Duarte estava limpando o chão com movimentos precisos, quase mecânicos. Ela não olhava ao redor, mas sentia o ambiente inteiro como se fosse parte dele. Cada passo, cada respiração, cada som distante parecia registrado em algum lugar da sua mente.
Mas naquele instante, ela sentiu algo diferente.
Um olhar.
Pesado.
Fixado nela.
Rafael parou completamente.
Ele não sabia por quê.
Mas havia algo naquela mulher.
Algo impossível de ignorar.
Ele estreitou os olhos.
“Eu já vi essa pessoa…”, murmurou para si mesmo.
Camila Ribeiro apareceu no mesmo instante, vindo do corredor lateral com dois assessores.
“Rafael, precisamos conversar sobre o conselho hoje”, disse ela, tocando levemente o braço dele.
Ele não respondeu.
Seu olhar continuava fixo em Helena.
“Rafael?”, insistiu Camila, percebendo a distração.
“Quem é aquela funcionária?”, ele perguntou, sem desviar o olhar.
Camila seguiu a direção do olhar dele.
E viu Helena.
Seu rosto mudou apenas por um segundo.
Mas foi suficiente.
“É apenas uma funcionária da limpeza”, respondeu Camila rapidamente.
Rafael deu um passo à frente.
“Qual o nome dela?”
Camila apertou levemente os dedos.
“Não importa.”
Mas ele já estava andando.
Helena continuava limpando o corredor quando percebeu a aproximação dos passos. Lentos. Firmes. Diferentes dos outros.
Ela não levantou a cabeça.
Até que ouviu uma voz.
“Você trabalha aqui há quanto tempo?”
Ela parou.
Respirou.
E respondeu sem olhar:
“Pouco tempo.”
Rafael ficou a poucos metros dela.
O silêncio entre os dois parecia estranho demais.
“Qual é o seu nome?”, ele perguntou.
Helena hesitou por uma fração de segundo.
“Helena Duarte.”
Camila apareceu imediatamente atrás dele.
“Rafael, isso não é necessário”, disse ela, com firmeza controlada.
Mas ele não reagiu.
Algo nele estava fora do eixo.
“Olhe para mim”, ele disse à funcionária.
Helena levantou lentamente o rosto.
E naquele instante, algo aconteceu dentro dele.
Rafael congelou.
O mundo pareceu perder foco por um segundo.
O rosto não era exatamente o mesmo.
Mas os olhos…
Os olhos eram impossíveis de esquecer.
Uma sensação violenta atravessou seu peito.
Dor.
Confusão.
Reconhecimento.
“Isabela…?”, escapou da boca dele sem controle.
Helena piscou.
Por um instante quase imperceptível, sua expressão mudou.
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Mas ela respondeu rapidamente:
“Desculpe, senhor?”
Camila interveio imediatamente.
“Ela está ocupada. Vamos continuar, Rafael.”
Mas ele não se mexeu.
“Qual o seu sobrenome?”, ele insistiu.
Helena apertou o pano de limpeza.
“Duarte.”
Rafael deu mais um passo.
Agora estava muito perto.
Perto demais.
Camila segurou o braço dele com mais força.
“Você está confundindo as coisas”, disse ela, num tom mais rígido.
“Eu não estou confundindo nada”, ele respondeu sem olhar para ela.
Helena finalmente baixou o olhar.
Mas suas mãos tremiam levemente.
Quase imperceptível.
Rafael percebeu.
E isso o destruiu por dentro.
“Eu preciso falar com você”, ele disse diretamente para Helena.
Camila aumentou o tom imediatamente:
“Ela não tem nada para falar com você.”
Rafael virou-se pela primeira vez para Camila.
“Não agora.”
A frieza na voz dele a surpreendeu.
Helena deu um passo para trás.
“Com licença, senhor, eu preciso terminar meu trabalho”, disse ela.
Mas Rafael não deixou.
“Só um minuto.”
O ambiente inteiro parecia congelado.
Funcionários ao redor pararam para observar discretamente.
Camila respirou fundo.
E então tomou uma decisão rápida.
“Rafael, reunião agora. O conselho já está esperando.”
Ela puxou o braço dele com firmeza.
“Agora.”
Ele hesitou.
Olhou mais uma vez para Helena.
Longamente.
Como se estivesse tentando lembrar algo impossível.
Helena voltou a olhar para o chão.
“Eu preciso trabalhar”, disse ela novamente, agora mais firme.
Mas sua voz tinha uma leve instabilidade.
Quase imperceptível.
Quase perigosa.
Rafael finalmente foi puxado por Camila para longe do corredor.
Mas ele continuou olhando para trás.
Até o último segundo.
Quando se afastaram, Camila soltou o braço dele.
“Você não pode fazer isso no meio da empresa”, disse ela.
Mas ele não respondeu imediatamente.
Estava perdido.
“Eu conheço aquela mulher”, ele disse finalmente.
Camila congelou.
“Não conhece.”
No subsolo, Helena encostou-se discretamente na parede assim que ficou sozinha.
Fechou os olhos por um segundo.
Respirou fundo.
Mas o coração estava acelerado.
Mais do que deveria.
Ela sussurrou para si mesma:
“Por que ele me chamou assim…?”
Silêncio.
Mas nenhuma resposta veio.
No andar superior, Rafael entrou na sala de reuniões ainda distraído. Os executivos falavam, mas ele não estava ouvindo.
Camila sentou-se ao lado dele, observando cada reação.
“Você precisa se concentrar”, ela disse.
Ele não respondeu.
A reunião começou.
Mas Rafael estava em outro lugar.
Naquele corredor.
Naquele olhar.
Naquela sensação impossível de explicar.
Enquanto isso, no subsolo, Helena terminou de limpar o corredor.
Mas antes de sair, parou.
Olhou na direção do elevador executivo.
Como se soubesse que algo havia mudado.
Algo que não podia ser desfeito.
E no último instante, no andar superior, Rafael abriu discretamente o celular sob a mesa.
Procurou registros internos da empresa.
E digitou um nome.
“Helena Duarte.”
O sistema carregou.
Mas o resultado que apareceu na tela fez sua expressão mudar completamente.
E ele ficou imóvel.
Sem conseguir respirar direito.
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