"A MENINA QUE NUNCA EXISTIU" PARTE 6
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Naquela semana, São Paulo parecia respirar menos.
Não era apenas impressão.
Era como se algo maior estivesse se reorganizando por trás das estruturas visíveis da cidade.
Na sede do Grupo Vasconcelos de Tecnologia, o clima havia mudado completamente após os eventos recentes.
As reuniões não eram mais sobre inovação ou mercado.
Eram sobre controle.
No 40º andar, Otávio Vasconcelos estava sentado na cadeira principal da sala de conselho.
Ele não pertencia àquele lugar por acaso.
Seu olhar era frio, calculado, como alguém que esperava há anos por uma brecha.
“Os últimos relatórios mostram instabilidade na liderança executiva”, ele disse.
Alguns conselheiros se entreolharam.
Do outro lado da mesa, um diretor hesitou.
“Eduardo ainda é o CEO legítimo.”
Otávio sorriu levemente.
“Legitimidade não impede colapso emocional.”
Ele abriu um documento.
“Temos uma criança envolvida em acessos não autorizados a sistemas críticos da empresa.”
Silêncio imediato.
“E isso ocorreu durante um evento corporativo oficial.”
Na mesma hora, na Mansão Vasconcelos, Sofia estava sentada no chão do corredor novamente.
Mas agora não desenhava.
Ela apenas observava a parede.
Como se esperasse algo aparecer ali.
No escritório, Eduardo Vasconcelos falava ao telefone com um tom mais agressivo do que o habitual.
“Eu quero o isolamento completo do servidor do Santa Clara.”
“Senhor, isso vai interromper integrações médicas e judiciais.”
“Então interrompa.”
Ele desligou.
E respirou fundo.
Algo dentro dele já não era apenas preocupação.
Era desconfiança.
No Jardim Ângela, Téo Ribeiro estava novamente com Júlia Farias.
Ela mostrava novos documentos impressos.
“Seu nome apareceu em mais três registros cruzados com o hospital Santa Clara.”
Téo franziu a testa.
“Eu não estive lá.”
Júlia hesitou.
“Isso não significa que você não esteja sendo usado como referência de sistema.”
Téo levantou o olhar.
“Referência de quê?”
Júlia não respondeu imediatamente.
“De comportamento.”
Na empresa, Camila Braga entrou na sala de TI com passos rápidos.
Ela carregava um acesso externo.
Um login que não deveria existir dentro da rede interna.
Um técnico a parou.
“Você não pode entrar aqui sem autorização do conselho.”
Camila o ignorou.
“Alguém está reescrevendo logs em tempo real.”
O técnico riu nervoso.
“Isso é impossível.”
Camila mostrou a tela.
“Então explique isso.”
Na tela, registros antigos estavam sendo substituídos por versões diferentes.
Nomes alterados.
Datas reescritas.
Identidades reorganizadas.
O técnico empalideceu.
“Isso não é ataque externo…”
Camila completou:
“É interno.”
No mesmo instante, na Mansão Vasconcelos, Sofia levantou.
Ela caminhou até o escritório sem olhar para trás.
Eduardo percebeu.
“Sofia?”
Ela não respondeu.
Ela entrou no escritório.
Foi direto ao computador.
E ligou o sistema.
Sem senha.
Sem permissão.
Sem barreira.
Eduardo ficou paralisado.
“Como ela fez isso?”
Na tela, o sistema abriu automaticamente o banco de dados do Santa Clara.
Mas agora havia algo diferente.
Uma nova categoria havia surgido:
“ACESSO VIVO – INTERFACE HUMANA”
Eduardo se aproximou lentamente.
“Sofia… o que você está fazendo?”
Ela tocou a tela.
E um arquivo se abriu.
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No arquivo:
“Projeto Santa Clara – Fase de Reversão Cognitiva”
Otávio, na sala do conselho, recebeu uma notificação no tablet.
Ele leu rapidamente.
E pela primeira vez, seu rosto perdeu leveza.
“Eles ativaram a camada de reversão”, ele disse.
Um conselheiro perguntou:
“Isso é perigoso?”
Otávio respondeu seco:
“Isso é irreversível.”
No abrigo, Téo sentiu o celular vibrar novamente.
Mas desta vez não era mensagem.
Era alerta do sistema.
“ATUALIZAÇÃO GLOBAL DE REGISTROS EM ANDAMENTO”
Téo levantou abruptamente.
“Eles estão mexendo em tudo de novo…”
Júlia olhou para ele.
“Quem são ‘eles’?”
Téo respondeu baixo:
“Quem não quer que ninguém lembre.”
Na Mansão Vasconcelos, Sofia começou a respirar mais rápido.
Os olhos dela se fixaram na tela.
E então algo inesperado aconteceu.
Ela começou a mover os dedos no teclado.
Não como alguém aprendendo.
Mas como alguém lembrando.
Eduardo ficou em choque.
“Sofia… isso não é possível.”
Na empresa, Camila viu o sistema inteiro oscilar.
Todos os servidores internos estavam sendo reescritos simultaneamente.
“Eles não estão apagando dados…”, ela murmurou.
“O sistema está sendo reconstruído.”
De repente, um alerta vermelho surgiu:
“PROCEDIMENTO DE CONTENÇÃO ATIVADO”
Otávio viu o mesmo alerta na sala do conselho.
E se levantou imediatamente.
“Eles ativaram o protocolo físico”, ele disse.
Um dos diretores perguntou:
“O que isso significa?”
Otávio respondeu:
“Que vão destruir o que não podem mais controlar.”
No hospital Santa Clara, técnicos correram entre corredores.
Os servidores centrais começaram a emitir fumaça leve.
“Desliguem o sistema!”, gritou alguém.
Mas já era tarde.
No centro de dados principal, uma sequência automática foi iniciada.
“ERASING HARDWARE NODE 01…”
“ERASING HARDWARE NODE 02…”
Na tela da Mansão Vasconcelos, Sofia parou de digitar.
Ela olhou para Eduardo.
E pela primeira vez, seus olhos mostravam urgência.
Ela bateu na mesa.
Forte.
E apontou para o sistema.
Eduardo entendeu tarde demais.
“Eles vão destruir tudo…”
No abrigo, Téo viu no celular:
“CONEXÃO COM SERVIDORES PERDIDA”
Júlia perguntou:
“O que aconteceu?”
Téo respondeu:
“Eles estão apagando a prova.”
Na empresa, Camila tentou salvar backups.
Mas todos os sistemas estavam sendo desligados fisicamente um por um.
“Não é um ataque digital…”, ela disse.
“É uma execução.”
Na sala do conselho, Otávio pegou o telefone.
“Confirmem destruição total dos servidores do Santa Clara.”
Do outro lado, a resposta foi curta:
“Executando.”
No hospital, explosões internas controladas começaram a ocorrer nos racks de armazenamento.
Um por um.
Na Mansão Vasconcelos, Sofia olhou para a tela pela última vez.
E o sistema apagou.
Tudo ficou preto.
Silêncio total.
Eduardo ficou imóvel.
“Eles destruíram… a única coisa que podia explicar tudo…”
Mas Sofia ainda segurava o teclado.
E então, mesmo sem sistema ativo…
um único arquivo reapareceu sozinho na tela.
Nome:
Luciana Ribeiro
Status:
NÃO CONFIRMADO
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