"A Herdeira Perdida do Império de Santa Aurora" Capítulo 6
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O
Palácio Imperial de Santa Aurora
estava em estado de alerta máximo.
Não era mais apenas um problema de identidade.
Nem apenas uma disputa de linhagem.
Agora era uma investigação de Estado.
E tudo isso começou a mudar no instante em que um homem cruzou os portões principais do palácio.
Ele caminhava devagar.
Mas cada passo carregava peso.
Uniforme antigo da guarda real, já sem brilho, mas ainda carregado de autoridade.
O cabelo grisalho, o olhar firme.
Capitão Bento Ribeiro.
O nome não era desconhecido dentro do palácio.
Mas há anos não era pronunciado em voz alta.
Alguns acreditavam que ele tinha sido aposentado.
Outros, que tinha sido silenciado.
Mas agora ele estava de volta.
E isso significava que algo grave tinha sido despertado.
No salão principal, os nobres ainda discutiam em grupos pequenos.
O caos político se espalhava como fumaça invisível.
Até que as portas se abriram.
E o som dos passos de Bento Ribeiro ecoou pelo mármore.
O silêncio caiu imediatamente.
Ele parou no centro do salão.
E fez uma reverência apenas ao rei.
—“Majestade.”
O rei Augusto estreitou os olhos.
—“Capitão Bento… você não deveria estar aqui.”
Bento levantou a cabeça.
—“Eu sei.”
Silêncio.
—“Mas o império também não deveria estar prestes a repetir o mesmo erro de dezoito anos atrás.”
A frase atingiu todos como um choque.
Evelina, que estava ao fundo, congelou.
A Rainha-Mãe levantou lentamente o olhar.
—“Explique-se.”
Bento respirou fundo.
E então falou.
—“O desaparecimento da princesa herdeira não foi um acidente.”
O salão inteiro prendeu a respiração.
—“Foi uma operação interna.”
Murmúrios começaram imediatamente.
Mas ele levantou a mão.
—“E não estou falando de rumores.”
Ele tirou um envelope envelhecido do uniforme.
Colocou sobre a mesa do conselho.
—“Estou falando de registros que nunca deveriam ter sobrevivido.”
O rei hesitou.
—“Abra.”
Bento abriu.
E começou a ler.
—“Relatório confidencial da guarda interna… noite do incêndio do Palácio de Santa Aurora…”
O silêncio ficou absoluto.
—“Movimentação não autorizada de membros da alta nobreza antes do incêndio…”
Alguns nobres começaram a se mexer desconfortáveis.
—“Evidência de entrada de terceiros com autorização direta de uma autoridade da corte…”
O rei fechou os punhos.
—“Quem deu essa autorização?”
Bento fechou o documento.
E olhou para o salão inteiro.
—“Alguém dentro da família nobre mais próxima da coroa.”
O impacto foi imediato.
Evelina deu um passo para trás.
A Rainha-Mãe fechou os olhos por um instante.
E então Bento disse a frase que mudou tudo:
—“A princesa não foi apenas sequestrada.”
Ele fez uma pausa.
—“Ela foi removida de propósito.”
Enquanto isso, em uma sala lateral do palácio, Lívia Soares estava sentada em silêncio.
Mas agora ela não estava mais sozinha.
A Rainha-Mãe estava ao seu lado.
E havia guardas do lado de fora da porta.
Mas não como prisão.
Como proteção.
Lívia olhava para o chão.
—“Eu não entendo por que tudo isso está acontecendo comigo…”
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A Rainha-Mãe respondeu com calma.
—“Porque alguém tentou apagar você.”
Lívia levantou o olhar.
—“Apagar?”
A Rainha-Mãe assentiu lentamente.
—“E falhou.”
Silêncio.
Lívia respirou fundo.
—“Mas eu não sou ninguém importante…”
A Rainha-Mãe olhou diretamente para ela.
—“É exatamente isso que eles queriam que você acreditasse.”
De volta ao salão do conselho…
o clima havia se tornado irreversível.
O ministro da segurança levantou a voz:
—“Se isso for verdade, estamos falando de traição interna!”
Outro nobre respondeu:
—“Não apenas traição. Reestruturação política ilegal!”
O rei bateu na mesa.
—“Silêncio!”
Todos pararam.
Ele respirou fundo.
—“Capitão Bento… continue.”
Bento assentiu.
—“Durante anos, eu mantive silêncio porque não havia provas suficientes.”
Ele olhou para o salão.
—“Mas agora há.”
Ele levantou outro documento.
—“Registro de movimentação da Duquesa Helena Albuquerque na noite do incêndio.”
O nome caiu como uma bomba.
Evelina congelou completamente.
O rei estreitou os olhos.
—“Helena Albuquerque?”
Bento assentiu.
—“Ela estava no corredor leste do palácio às 23h47… horário incompatível com sua localização oficial.”
Murmúrios explodiram.
—“Isso não prova nada!” — alguém gritou.
Mas Bento continuou.
—“E há mais.”
Silêncio imediato.
—“Testemunha sobrevivente.”
O salão inteiro ficou imóvel.
—“Uma serva da época… que viu a criança ser retirada dos corredores internos.”
A Rainha-Mãe levantou abruptamente.
—“Onde ela está agora?”
Bento hesitou.
—“Protegida.”
Ele fez uma pausa.
—“E pronta para falar.”
No corredor externo, Evelina estava encostada na parede.
Respirando rápido.
Os olhos arregalados.
Pela primeira vez na vida…
ela não sabia o que fazer.
Ela ouviu seu nome sendo citado.
Ela ouviu o nome de sua mãe.
Ela ouviu a palavra “traíção”.
E tudo dentro dela começou a quebrar.
Na sala de Lívia, a Rainha-Mãe se levantou.
—“Você precisa vir comigo.”
Lívia recuou instintivamente.
—“Para onde?”
—“Para o conselho.”
—“Eu não quero isso.”
A Rainha-Mãe se aproximou.
—“Eles já decidiram sem você. Agora você precisa ser ouvida.”
Lívia hesitou.
E então sussurrou:
—“Eu não quero ser princesa.”
Silêncio.
A Rainha-Mãe respondeu com dor:
—“Eles não estão te perguntando o que você quer.”
De volta ao salão…
Bento Ribeiro colocou o último documento sobre a mesa.
—“Este é o registro final.”
O rei olhou.
E sua expressão mudou.
—“Isso é impossível…”
Bento respondeu:
—“É histórico.”
O documento mostrava algo claro.
Uma ordem assinada.
De movimentação da criança real.
Sem registro de retorno.
Sem proteção oficial.
Sem rastreamento.
E com autorização interna.
O rei levantou lentamente o olhar.
—“Isso significa que…”
Bento completou:
—“Alguém dentro da nobreza decidiu que a princesa não deveria existir.”
Silêncio absoluto.
E então…
todos começaram a olhar ao redor.
Um por um.
Como se cada rosto pudesse esconder um culpado.
E foi nesse momento que aconteceu.
Um movimento coletivo.
Quase imperceptível.
Mas real.
Os nobres começaram a se dividir.
Alguns recuaram.
Outros se aproximaram uns dos outros.
Alguns olharam diretamente para o rei.
Outros olharam para o chão.
E alguns…
olharam para a Duquesa Helena Albuquerque.
Evelina viu isso do corredor.
E sentiu o mundo desabar.
Porque ela entendeu.
Não era mais apenas sobre Lívia.
Era sobre sua mãe.
Sobre o império.
Sobre quem teria coragem de derrubar tudo para manter poder.
No salão, o rei percebeu o movimento coletivo.
E respirou fundo.
—“Então é isso…”
Ele olhou para todos.
—“O império não está apenas dividido.”
Ele fez uma pausa longa.
E completou:
—“Ele está escolhendo lados.”
E nesse exato instante…
todos os olhares do salão se voltaram lentamente…
para uma única direção.
Para a Duquesa Helena Albuquerque.
Que permanecia imóvel.
Pálida.
E pela primeira vez…
sem defesa alguma.
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