"O Menino Que Chamou Minha Mulher de Mamãe" Capítulo 8
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A porta de metal atrás deles ainda estava entreaberta.
E o som vindo de dentro não era mais dúvida.
Era realidade.
Um choro.
Fraco.
Mas humano.
Isabella Monteiro sentiu o corpo inteiro travar.
"Tem alguém ali…", ela sussurrou.
Henrique Monteiro deu um passo à frente.
"Isso não faz sentido…"
Clara Nogueira começou a tremer como nunca antes.
"Não… não era pra isso existir…"
Oliver estava imóvel.
O menino apenas olhava para a escuridão.
E então disse:
"Ela está acordada."
O silêncio que seguiu foi brutal.
Sebastião, o mordomo, recuou dois passos.
"Senhor Henrique… por favor… isso não devia ser aberto…"
Mas já era tarde.
Henrique respirou fundo.
"E o que está aí dentro?"
Ninguém respondeu.
Margarida Caldas Monteiro estava parada na entrada.
Seu rosto não tinha mais controle.
Só rigidez.
Isabella percebeu.
"Você sabe exatamente o que tem aí."
Margarida respondeu rápido demais.
"Não existe nada aqui."
Mas sua voz falhou no final.
Clara caiu de joelhos.
"Por favor… isso vai destruir tudo…"
Oliver soltou a mão de Clara.
E entrou primeiro na passagem.
"Mamãe está aqui."
Isabella sentiu um arrepio profundo.
"Oliver, espera!"
Henrique foi logo atrás.
Isabella também.
A passagem era estreita, úmida, antiga.
As paredes pareciam não ter sido tocadas há décadas.
O ar era pesado.
Como se guardasse segredos demais.
No final do corredor, havia uma pequena sala.
E dentro dela…
uma cama antiga.
Correntes soltas.
E uma criança.
Isabella congelou.
"Meu Deus…"
Clara entrou atrás e soltou um grito abafado.
"Não… não… não pode ser…"
A criança na cama levantou lentamente a cabeça.
Era uma menina.
Idêntica a Oliver.
Mesmo rosto.
Mesmos olhos.
Henrique recuou imediatamente.
"Isso é impossível…"
Oliver ficou parado.
E disse calmamente:
"Irmã."
Silêncio absoluto.
Isabella sentiu o chão desaparecer.
"Ele tem uma irmã…"
Clara caiu de joelhos, chorando desesperadamente.
"Eu não sabia… eu juro que eu não sabia…"
A menina na cama tentou se levantar.
Mas estava fraca.
Desorientada.
Isabella se aproximou devagar.
"Qual o seu nome?"
A menina hesitou.
E respondeu com voz quase apagada:
"Lívia…"
Henrique ficou pálido.
"Eles separaram duas crianças…"
Oliver se aproximou da cama.
E tocou a mão da menina.
"Eles disseram que você estava dormindo."
Clara soluçou mais forte.
"Isso não é verdade… isso não é possível…"
Margarida entrou na sala por último.
E quando viu a criança…
ela parou.
Completamente.
Isabella virou-se imediatamente.
"Você sabia disso."
Silêncio.
Henrique olhou para a mãe.
"Mãe… responde agora."
Margarida respirou fundo.
E finalmente disse:
"Isso não deveria ter sobrevivido."
O impacto foi imediato.
Isabella arregalou os olhos.
"O quê?"
Clara gritou.
"Como você pode dizer isso?!"
Oliver apertou a mão da irmã.
"Eles queriam separar a gente."
Silêncio.
Henrique estava em choque.
"Você sabia que eram gêmeos?"
Margarida não respondeu.
Mas o silêncio foi confirmação.
Isabella sentiu náusea.
"Você separou duas crianças…"
Margarida finalmente falou:
"Era necessário."
Clara gritou.
"NÃO!"
Ecoou pela sala inteira.
Oliver não chorava.
Ele apenas olhava.
Como se entendesse mais do que deveria.
"Eles disseram que eu ia esquecer dela…", ele murmurou.
Isabella se ajoelhou ao lado da cama.
"Eles quem?"
Oliver respondeu sem hesitar:
"Os médicos."
Silêncio absoluto.
Henrique respirou fundo.
"Que médicos?"
Margarida fechou os olhos por um segundo.
E disse:
"Os da família."
Isabella se levantou lentamente.
"Eles falsificaram tudo… certidões… mortes… adoções…"
Clara segurou o rosto da menina.
"Lívia… minha filha…"
A menina chorou baixinho.
"Mamãe…"
Esse som destruiu Clara por completo.
Ela a abraçou como se o mundo tivesse voltado ao lugar errado.
Henrique estava imóvel.
"Você criou isso tudo…"
Margarida respondeu fria:
"Eu salvei essa família."
Isabella se virou com raiva.
"Você destruiu uma família inteira!"
Silêncio.
Oliver puxou a mão da irmã novamente.
"Eles disseram que eu não podia lembrar."
Isabella olhou para ele.
"E você lembra?"
Ele assentiu.
"Da escada."
Silêncio.
Clara congelou.
"Lívia… você lembra da escada?"
A menina tremeu.
"Eles gritaram lá…"
Henrique ficou branco.
"Essa escada de novo…"
Margarida virou-se rapidamente.
"Chega disso!"
Mas já era tarde.
Isabella entendeu.
"A escada não foi acidente…"
Clara levantou os olhos em choque.
"O que você está dizendo?"
Isabella olhou para Margarida.
"Você não só separou os gêmeos… você tentou apagar o que aconteceu lá em cima."
Silêncio.
Oliver apontou para a saída.
"Eles vão voltar."
Henrique franziu o cenho.
"Quem vai voltar?"
Oliver respondeu:
"Os homens da casa escura."
Silêncio absoluto.
Clara apertou Lívia com força.
"Não… não… ninguém vai levar vocês…"
Mas nesse instante…
um som pesado veio do corredor.
Passos.
Lentos.
Próximos.
Isabella virou imediatamente.
"Eles estão aqui."
E a porta da sala…
começou a fechar sozinha.
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