"O FILHO PROIBIDO" Capítulo 11
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O Hospital Sírio-Libanês estava em silêncio absoluto.
Mas não era mais o silêncio do medo.
Era o silêncio da espera.
Todos os corredores estavam congelados.
Médicos, seguranças, enfermeiros — ninguém se movia.
Porque algo impossível estava prestes a acontecer.
Na sala principal da UTI VIP, Henrique Vasconcelos estava deitado na cama, pálido, respirando com dificuldade.
Os monitores ao redor dele oscilavam sem padrão.
Como se o próprio sistema não conseguisse mais interpretar o que estava acontecendo com seu corpo.
Ao lado da cama, Gabriel estava parado.
Imóvel.
Olhos fixos.
E pela primeira vez desde que tudo começou…
ele parecia cansado.
Mariana estava atrás dele, em silêncio, com lágrimas contidas.
Renato observava tudo com medo.
“Isso não é mais medicina…” — murmurou um dos médicos.
Henrique abriu os olhos lentamente.
E quando viu Gabriel…
sussurrou:
“Você voltou…”
Gabriel não respondeu imediatamente.
Apenas respirou fundo.
E deu um passo à frente.
“Você sabe o que fez comigo?” — perguntou Henrique.
Gabriel ficou em silêncio.
Mariana tentou intervir:
“Ele não queria…”
Mas Gabriel levantou a mão.
E ela parou.
“Eu nunca escolhi isso.” — disse Gabriel finalmente.
Henrique franziu o cenho.
“Então o que você é?”
Gabriel hesitou.
E a resposta veio baixa.
“Eu sou o que sobrou.”
Silêncio absoluto.
Os monitores começaram a apitar mais forte.
“Pressão instável!” — gritou um médico.
Mas ninguém olhou para eles.
Todos olhavam para Gabriel.
Henrique tentou se levantar.
Desta vez… conseguiu um movimento mínimo.
Seu corpo respondeu.
Mas não como antes.
Era diferente.
Mais profundo.
Mais conectado.
“Ele está reagindo…” — disse Renato.
Mariana ficou em choque.
“Gabriel…” — ela sussurrou.
Gabriel deu mais um passo.
E colocou a mão sobre o peito de Henrique.
E então aconteceu.
O sistema inteiro do hospital apagou.
Silêncio total.
Por três segundos.
Nada existia.
E quando as luzes voltaram…
Henrique estava em pé.
A sala inteira entrou em choque.
“Isso é impossível!” — gritou um médico.
“Ele está de pé…” — disse outro, tremendo.
Henrique olhou para as próprias pernas.
E caiu em silêncio.
Como se estivesse tentando entender se aquilo era real.
Gabriel recuou lentamente.
E caiu de joelhos.
Mariana correu até ele.
“Gabriel!” — ela gritou.
Ele estava ofegante.
Fraco.
Como se algo tivesse sido tirado dele.
Henrique olhou para ele.
E entendeu.
“Você não me curou…” — ele disse baixo.
Gabriel levantou o olhar.
“Eu te devolvi o que era seu.” — disse ele.
Silêncio.
Renato ficou pálido.
“O que isso significa?” — perguntou ele.
Mariana fechou os olhos.
E respondeu:
“Ele não cura ninguém.”
Gabriel completou:
“Eu apenas reativo o que foi interrompido.”
Henrique respirou fundo.
E algo mudou dentro dele.
“Então… você é parte do projeto.” — ele disse.
Gabriel assentiu.
“Eu fui o único que funcionou.”
Silêncio absoluto.
Henrique olhou para Mariana.
E pela primeira vez… entendeu tudo.
“Você sabia disso.” — ele disse.
Mariana baixou a cabeça.
“Eu tentei impedir.”
Renato ficou confuso.
“O que está acontecendo aqui?”
Henrique respondeu:
“Ele não nasceu… ele foi criado.”
Gabriel não negou.
E esse silêncio foi a confirmação mais forte de todas.
Dias depois.
São Paulo.
Sede do Grupo Vasconcelos.
Uma nova placa foi instalada no prédio principal.
“Fundação Gabriel Vasconcelos”
Henrique estava em pé no palco.
Perfeitamente saudável.
Mas diferente.
Mais humano.
Ele olhou para a multidão.
E disse:
“Esse menino não é um experimento.”
Pausa.
“Ele é uma consequência.”
Mariana estava ao lado de Gabriel.
Ele parecia mais calmo.
Mais frágil.
Henrique continuou:
“E agora… ninguém vai mais usar ele.”
A plateia aplaudiu.
Mas Gabriel olhou para o fundo do auditório.
E franziu o cenho.
Porque ele viu algo.
Uma tela escondida.
Piscando.
Mensagem:
“FASE 2 INICIADA”
Gabriel ficou imóvel.
Mariana percebeu.
“Gabriel?”
Ele não respondeu.
Henrique viu também.
E seu rosto mudou.
“Isso não acabou…” — ele murmurou.
Gabriel deu um passo para trás.
E disse baixo:
“Eles ainda estão aqui.”
Luzes da fundação piscaram sozinhas.
E todas as telas do prédio acenderam ao mesmo tempo.
Uma última mensagem apareceu:
“SUBJETO GABRIEL — NÃO É O ÚLTIMO”
Silêncio.
Gabriel levantou os olhos lentamente.
E sussurrou:
“Agora eles vão vir por mim de verdade.”
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