"O FILHO PROIBIDO" Capítulo 6
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O silêncio dentro do Hospital Sírio-Libanês era diferente naquela noite.
Não era apenas ausência de som.
Era expectativa.
Era medo.
Era algo que ninguém ali sabia nomear.
Na sala de observação da ala VIP, Henrique Vasconcelos estava sentado na cama, cercado por máquinas, fios e médicos em estado de alerta total.
Seu rosto estava mais pálido do que antes.
E sua respiração… irregular.
“Os sinais neuromusculares estão instáveis de novo.” — disse o doutor Caio Moreira, sem tirar os olhos dos monitores.
Renato, ao lado da cama, tentava manter a calma.
“Isso começou depois que ele chegou?” — perguntou ele.
Henrique não respondeu imediatamente.
Os olhos dele estavam fixos no vazio.
“Ele não chegou ainda.” — disse Henrique finalmente.
Silêncio.
Porque todos sabiam de quem ele estava falando.
Gabriel.
Do outro lado da cidade, um carro preto avançava rapidamente pelas ruas da Zona Sul de São Paulo.
Dentro dele, Mariana Alves estava em silêncio absoluto.
Ao lado dela, Gabriel olhava pela janela.
Mas não era o mesmo Gabriel do terraço.
Ele estava diferente.
Mais quieto.
Mais fechado.
Como se algo dentro dele estivesse… mais pesado.
“Você não devia ter vindo comigo.” — disse Mariana, sem olhar para ele.
Gabriel respondeu baixo:
“Ele está me chamando.”
Mariana fechou os olhos por um segundo.
“Não fala isso.”
Mas ela sabia.
Ele sempre sentia.
No hospital, os médicos tentavam estabilizar Henrique novamente.
Mas algo estranho acontecia.
A cada minuto, os sinais variavam.
Como se o corpo dele estivesse respondendo a algo externo.
Algo invisível.
“Isso não é evolução médica…” — murmurou um dos neurologistas.
“É como se houvesse uma interferência.” — respondeu outro.
Henrique apertou os lençóis com força.
“Eu estou perdendo controle de novo…” — ele disse.
Sua voz agora era mais baixa.
Mais humana.
Renato se aproximou.
“Senhor, talvez devêssemos esperar…”
Henrique cortou:
“Eu não espero ninguém.”
Mas a frase não tinha mais a mesma força de antes.
Na entrada do hospital, os seguranças foram avisados.
“Ele chegou.”
Todos se viraram.
Gabriel entrou.
Descalço.
Quieto.
Ao lado de Mariana, que parecia querer protegê-lo do mundo inteiro.
Mas era tarde demais.
Porque o mundo já tinha visto o que ele era capaz de fazer.
Henrique tentou se levantar ao ouvir isso.
E falhou.
“Tragam ele aqui.” — disse Henrique.
Renato hesitou.
“Senhor… ele ainda é uma criança.”
Henrique virou o rosto.
“Ele não é uma criança comum.”
Gabriel entrou na sala VIP.
E imediatamente o ambiente mudou.
Não havia explicação técnica.
Mas todos sentiram.
O ar ficou mais pesado.
Mais denso.
Como se algo invisível tivesse sido ativado.
Gabriel olhou diretamente para Henrique.
E não disse nada.
Henrique respirou fundo.
“Você veio.” — disse ele.
Gabriel assentiu levemente.
“Você me chamou.”
Silêncio.
Mariana entrou logo atrás, nervosa.
“Eu disse pra ele não vir…” — ela tentou explicar.
Mas ninguém ouviu.
Porque todos estavam focados no mesmo ponto.
A perna de Henrique.
Henrique apontou para si mesmo.
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“Você fez isso comigo.” — ele disse.
Gabriel respondeu:
“Não.”
Henrique franziu o cenho.
“Então o que você fez?”
Gabriel hesitou.
E essa hesitação foi mais forte do que qualquer resposta.
“Eu só… acordei o que já estava aqui.”
Silêncio absoluto.
Renato engoliu seco.
“Isso não faz sentido.” — ele disse.
Gabriel olhou para ele.
“Faz, sim.”
Os médicos começaram a observar os monitores.
E algo estava acontecendo.
Os sinais de Henrique estavam mudando.
Mas não de forma linear.
Era instável.
Como se o corpo estivesse reagindo a presença de Gabriel.
“Isso não é psicológico…” — disse o médico.
“É físico.” — respondeu outro.
Henrique respirou fundo.
E então disse algo que ninguém esperava:
“Quando você me tocou… eu senti tudo.”
Gabriel baixou o olhar.
Mariana ficou tensa.
“Ele não deveria ter feito isso…” — ela murmurou.
Henrique continuou:
“Mas depois… eu perdi tudo de novo.”
Gabriel finalmente falou.
E sua voz era mais baixa.
“Porque eu não posso manter.”
Henrique franziu o cenho.
“O que isso significa?”
Gabriel hesitou.
E então disse:
“Cada vez que eu tento… eu perco uma parte de mim.”
Silêncio.
Renato ficou imóvel.
“Você está dizendo que isso te consome?” — perguntou ele.
Gabriel assentiu.
“Sim.”
Mariana fechou os olhos.
Como se já soubesse disso há muito tempo.
Henrique tentou entender.
“Você me curou… e depois me tirou isso?”
Gabriel respondeu:
“Eu nunca disse que era cura.”
Silêncio.
Essa frase mudou tudo.
Porque agora não era mais milagre.
Era outra coisa.
Algo mais perigoso.
Os monitores começaram a oscilar.
“Pressão instável!” — gritou um médico.
“Isso não é normal!” — outro respondeu.
Henrique levou a mão ao peito.
“Eu estou sentindo de novo…” — ele disse.
Gabriel deu um passo para trás.
Mariana se aproximou dele imediatamente.
“Chega…” — ela disse baixo. — “Para agora.”
Mas Gabriel não estava olhando para ela.
Ele estava olhando para Henrique.
E pela primeira vez…
ele parecia assustado.
“Não era para acontecer assim…” — Gabriel murmurou.
Renato percebeu.
“Como assim?”
Gabriel apertou as mãos.
“Não era para ele sentir tudo isso de novo.”
Henrique começou a tremer levemente.
“Meu corpo… está reagindo sozinho…”
Os médicos entraram em pânico.
“Interrompam tudo!” — alguém gritou.
Mas já era tarde.
Gabriel deu um passo para trás.
E sussurrou:
“Eu não controlo mais isso.”
Mariana segurou o braço dele.
“Gabriel, olha pra mim.”
Mas ele não olhou.
Porque Henrique começou a reagir novamente.
As pernas dele se moveram.
Sozinhas.
Desta vez mais fortes.
Mais reais.
Henrique arregalou os olhos.
“Não… isso não…”
Mas antes que ele terminasse…
O monitor disparou.
Alarme.
Caos.
“Ele está entrando em colapso!” — gritou o médico.
Renato correu.
Mariana puxou Gabriel para trás.
Mas Gabriel não saiu do lugar.
Ele só ficou parado.
Olhando.
Como se estivesse ouvindo algo que ninguém mais conseguia.
E então ele disse algo quase inaudível:
“Ele não deveria ter sobrevivido à primeira vez.”
Silêncio instantâneo.
Mariana congelou.
“Do que você está falando?” — ela perguntou.
Gabriel virou lentamente o rosto.
E disse:
“Porque não foi a primeira vez.”
Henrique abriu os olhos.
E dessa vez…
havia algo diferente.
Medo absoluto.
Porque ele não estava mais só reagindo.
Ele estava lembrando.
E antes que alguém pudesse perguntar o que aquilo significava…
As luzes da sala começaram a piscar.
E todos os monitores ao redor dele…
desligaram ao mesmo tempo.
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