"A Vendedora de Rua que Conquistou o Bilionário" Capítulo 2
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Ana Santos respirou fundo enquanto se aproximava da Torre Andrade, um dos edifícios mais altos e imponentes de São Paulo. O vidro refletia o céu azul poluído da cidade, e a fachada parecia engolir qualquer pessoa que ousasse cruzar sua entrada.
Ela segurava a pasta simples com algumas anotações e, claro, o cartão de Lucas Andrade, o homem que, de repente, havia mudado o rumo de sua vida em apenas alguns segundos.
“Dez horas da manhã… é agora ou nunca”, murmurou para si mesma, ajustando a mochila nas costas.
Seus sapatos simples rangiam contra o piso de mármore do saguão de entrada, e cada passo ecoava pelos corredores de vidro e aço, amplificando seu nervosismo.
Ela nunca havia entrado em um lugar assim, cercada de luxo, ar-condicionado potente e pessoas vestidas com ternos caros que olhavam para ela com indiferença.
No balcão da recepção, uma mulher elegante levantou os olhos do computador e fitou Ana com a expressão mais congelada e arrogante que ela já havia visto.
Camila Ribeiro, a famosa secretária executiva da Torre Andrade, não era conhecida por sua simpatia. Ao contrário: todos os funcionários comentavam sobre sua arrogância e desprezo por quem não pertencia à “elite”.
—“Posso ajudá-la?” — perguntou Camila, mastigando o chiclete de maneira lenta e provocante.
Ana engoliu seco e mostrou o cartão de Lucas.
—“Eu tenho uma reunião com o presidente. Ele me pediu para vir hoje às dez.”
Camila soltou uma risada que parecia atravessar o vidro do saguão, ecoando de forma cruel pelo espaço silencioso.
—“Uma ambulante quer falar com o presidente?” — disse, rindo, olhando Ana dos pés à cabeça.
“Sério mesmo? O que você está fazendo aqui, menina? Achou que poderia enganar alguém com esse vestidinho surrado e essa cara de quem passa o dia inteira vendendo bala na rua?”
Ana sentiu o rosto queimar de vergonha, mas tentou manter a postura.
—“Não estou tentando enganar ninguém. Eu tenho uma reunião com o presidente.”
—“Ah, claro!” — Camila deu uma risadinha, olhando para o relógio de pulso.
—“E eu sou a princesa do palácio. Vem cá, querida, deixa eu adivinhar… você acha que todo mundo aqui vai acreditar nessa historinha de ‘a pobre vendedora que vai conquistar o CEO’?”
Ana engoliu a vontade de chorar. Segurou firme o cartão de Lucas e respirou fundo.
—“Ele me convidou. Eu… eu tenho que entregar a pasta.”
—“Pasta? Que pasta?” — Camila bufou, inclinando-se sobre o balcão e fazendo questão de encostar o rosto nela.
—“Você acha que vai entrar aqui, no prédio mais importante da cidade, e impressionar alguém com essa papelada de escola? Olha para você! Seu cheiro, seu cabelo, essa roupa… Como ousa cruzar essas portas achando que pertence aqui?”
Antes que Ana pudesse responder, dois seguranças enormes apareceram ao lado de Camila. Eles se aproximaram dela e a empurraram levemente para trás, como se ela fosse um objeto incômodo.
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—“Desculpe, senhora, mas precisamos que…”, começou um dos guardas, mas Camila interrompeu, gargalhando.
—“Não precisa pedir licença! Essa moça não pertence a este andar, muito menos ao meu chefe. Levem-na para fora antes que suje o tapete novo com a roupa suja dela!”
Ana tentou protestar, mas a risada cruel de Camila e a expressão de desprezo nos olhos da secretária esmagaram suas palavras. Ela se viu empurrada para fora do prédio, com as mãos trêmulas e o cartão amassado na mochila.
Ao chegar à rua, ofegante, Ana sentou-se em um banco próximo, escondendo o rosto entre as mãos. Ela sentia o coração disparado e uma raiva misturada com vergonha e desespero.
Nunca havia sido humilhada dessa forma. Lucas Andrade a havia convidado para uma reunião, e agora ela estava sendo tratada como uma qualquer, como se sua vida e seus esforços não valessem nada.
Enquanto Ana tentava recompor a postura, os carros continuavam passando. O sol refletia nas fachadas de vidro e queimava suas costas, mas o pior era a sensação de impotência.
Ela sabia que, se fosse em casa, a humilhação ainda não teria terminado — Osvaldo sempre encontrava uma maneira de tornar cada pequeno erro dela em tormento.
Mas o que ela não sabia é que alguém estava assistindo a tudo, escondido em uma sala de vidro na cobertura do edifício.
Lucas Andrade acompanhava a situação pelas câmeras de segurança. O coração dele disparou quando viu a cena: a jovem que ele havia escolhido ajudar sendo arrastada e humilhada na frente de todos.
“Não… isso não vai acontecer”, murmurou ele, a voz carregada de raiva e incredulidade. Seus punhos cerraram involuntariamente.
Ele se levantou de seu assento na sala executiva e caminhou em passos largos pelo piso de madeira, cada passo reverberando como um tambor na mente de quem assistia.
Ele passou pelo corredor com olhar fulminante, ignorando colegas e documentos, apenas concentrado na imagem da garota no saguão. A cada segundo, a indignação crescia. O sangue corria rápido em suas veias, e a sensação de injustiça apertava seu peito.
“Como alguém pode ser tão cruel?” — murmurou, a voz reverberando pelas paredes de vidro.
Ele ia atrás dela. Ia fazê-la sentir que o mundo, pelo menos aquele pedacinho do mundo, ainda tinha justiça.
No saguão, Ana começou a se levantar do banco, limpando discretamente as lágrimas. Ela respirou fundo, tentando recompor a dignidade, mesmo que o corpo inteiro ainda tremesse.
“Não vou deixar que isso me derrube…”, pensou. Mas as palavras se perderam no vento quente da avenida.
Lucas acelerou os passos. Cada corredor que cruzava o aproximava do lobby. Ele estava a minutos de encontrar Ana, mas o que via pelas câmeras era suficiente para seu coração disparar ainda mais.
A fúria misturada com uma ponta de preocupação infantil — por ela, Ana, a garota que vendia doces sob o sol — formava uma mistura explosiva.
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Quando ele finalmente chegou à entrada, Ana já havia sido empurrada para a calçada. Lucas parou no meio do saguão, respirando fundo, os olhos vermelhos de raiva.
Todos os funcionários o olharam. O silêncio tomou conta. Ninguém ousou se mover. Até o tilintar dos teclados pareceu cessar.
—“O que está acontecendo aqui, Camila?” — a voz dele ecoou como trovão, atravessando o lobby e fazendo a secretária engolir em seco.
Camila gaguejou, tentando encontrar uma desculpa. —“Jefe… eu… ela… estava tentando… colar na reunião sem autorização…”
—“Não há autorização que permita que você humilhe alguém!” — Lucas interrompeu, aproximando-se dela com passos firmes e olhares fulminantes.
—“Você sabe quem ela é? Quem eu pedi para estar aqui? Você não tem ideia do que acabou de fazer.”
O rosto de Camila ficou pálido. Ela tentou recuperar a compostura. —“Mas, jefe… ela… eu… eu só…”
—“Você só me humilhou. E por isso está suspensa imediatamente. Três meses sem pisar nesse andar. Se quiser manter o emprego, será na limpeza de todo o prédio.”
A humilhação pública agora era dela. Todos os funcionários testemunhavam a reviravolta. Ana, ainda do lado de fora, nem percebeu. Ela estava de olhos fixos na calçada, respirando profundamente, tentando absorver o turbilhão de emoções dentro de si.
Lucas voltou a olhar para as câmeras.
O cartão ainda tremia em suas mãos, e o pensamento era claro: ele não permitiria que aquela garota fosse esmagada por aqueles que acham que dinheiro e poder dão o direito de humilhar.
Ele deu um passo firme para trás, fechou os punhos e respirou fundo. A decisão estava tomada: amanhã, Ana Santos entraria na Torre Andrade como ninguém jamais imaginou.
Mas, naquela tarde, Ana não sabia disso. Para ela, o mundo ainda parecia frio e cruel. E Camila, sem perceber, havia apenas plantado a semente de sua própria derrota.
Lucas, de pé na sala de controle, olhou para a tela mais uma vez. O coração batia acelerado. A indignação tinha se transformado em ação. Ele estava pronto. Pronto para mudar tudo.
E assim terminou aquele dia em São Paulo: uma jovem humilhada, um bilionário indignado e a promessa silenciosa de que ninguém, nem mesmo uma secretária arrogante, poderia impedir que a justiça fosse feita.
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