"A Menina Que Parou Meu Casamento" Capítulo 8
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O nome da família Montenegro estava em todos os lugares.
Televisão.
Rádio.
Sites de notícias.
Redes sociais.
Durante dias, o Brasil inteiro parecia falar sobre uma única coisa.
A menina que interrompeu um casamento milionário.
A enfermeira desaparecida.
O herdeiro bilionário.
E a criança que poderia herdar uma fortuna avaliada em bilhões de reais.
Na entrada do Hospital Santa Luzia, dezenas de jornalistas se aglomeravam atrás das grades de segurança.
Microfones.
Câmeras.
Celulares.
Todos esperando uma declaração.
Qualquer declaração.
Mas Rafael Montenegro havia desaparecido dos holofotes.
Pela primeira vez em muitos anos.
Porque nada era mais importante do que Camila e Isabela.
Dentro do hospital, porém, a tranquilidade estava longe de existir.
Rafael observava Isabela desenhar em silêncio numa pequena mesa improvisada perto da janela.
A menina parecia mais calma.
Mas ainda se assustava toda vez que alguém desconhecido passava pelo corredor.
Toda vez que uma porta batia.
Toda vez que um telefone tocava.
Seis anos vivendo escondida haviam deixado marcas.
Marcas profundas.
“Ela não deveria estar passando por isso.”
Camila falou baixinho.
Estava sentada na cama.
Ainda fraca.
Mas muito melhor do que quando Rafael a encontrou.
Rafael aproximou-se.
“Eu sei.”
Camila observou a filha.
Os olhos encheram-se de lágrimas.
“Eu tentei protegê-la.”
“Você protegeu.”
“Não o suficiente.”
“Camila...”
Ela abaixou a cabeça.
“Agora eles sabem quem ela é.”
Rafael ficou em silêncio.
Porque ela estava certa.
Todos sabiam.
O país inteiro sabia.
Isabela Oliveira Montenegro.
A filha escondida do herdeiro dos Montenegro.
E isso a transformava num alvo.
O telefone de Rafael tocou.
Era seu advogado.
Pela terceira vez naquela manhã.
Ele atendeu.
“Doutor Marcelo.”
A voz do advogado parecia preocupada.
“Mau sinal.”
“Fale.”
“Recebemos a petição.”
Rafael sentiu o estômago afundar.
“Que petição?”
“Augusto entrou com pedido judicial.”
Silêncio.
“Pedido de quê?”
“Guarda provisória de Isabela.”
A raiva explodiu imediatamente.
“Ele ficou louco?”
“Ele alega que a menina corre risco com a mãe.”
Camila levantou a cabeça imediatamente.
“Eu?”
Rafael colocou a ligação no viva-voz.
“Ele afirma que você não possui estabilidade financeira, histórico de residência fixa ou condições adequadas para garantir a segurança da criança.”
Camila ficou pálida.
“Não...”
“E isso não é tudo.”
“O que mais?”
“Ele quer uma perícia completa.”
“E está usando o nome Montenegro para pressionar.”
Rafael fechou os olhos.
Aquilo havia começado.
A guerra.
Finalmente havia começado.
Quando desligou, encontrou Camila chorando.
“Eles vão tirar ela de mim.”
“Não vão.”
“Você não conhece seu pai.”
“Conheço melhor do que ninguém.”
“Então sabe que ele consegue tudo o que quer.”
Rafael aproximou-se.
Segurou suas mãos.
“Não desta vez.”
Mas nem ele tinha certeza.
Porque Augusto Montenegro nunca perdia.
Nunca.
No mesmo dia...
Uma coletiva de imprensa foi convocada.
Na sede do Grupo Montenegro.
Repórteres lotavam o auditório.
Câmeras transmitiam ao vivo.
E Augusto Montenegro apareceu.
Elegante.
Calmo.
Impecável.
Como se jamais tivesse fingido a própria morte.
Como se fosse perfeitamente normal reaparecer após três anos.
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“Senhor Montenegro, o senhor pretende assumir a guarda da menina?”
“Pretendo protegê-la.”
“Ela é sua neta?”
“Tudo indica que sim.”
“Por que não procurar reconciliação?”
Augusto sorriu.
O mesmo sorriso frio.
Controlado.
Calculado.
“A família Montenegro sempre protege seus herdeiros.”
Do outro lado da cidade, Rafael assistia tudo pela televisão.
Com os punhos cerrados.
“Mentiroso.”
Camila também assistia.
E sentia o medo voltar.
Porque conhecia aquele homem.
Conhecia o que existia por trás daquele sorriso.
E sabia do que ele era capaz.
Mas a situação piorou.
Muito pior.
Naquela mesma noite, outro vídeo começou a circular.
Um vídeo antigo.
Editado.
Manipulado.
Mostrava Camila discutindo com uma colega anos atrás na clínica.
As imagens foram tiradas completamente de contexto.
Mas isso pouco importava.
Os programas de televisão começaram imediatamente.
“Enfermeira desequilibrada?”
“Mãe emocionalmente instável?”
“Isabela corre perigo?”
Os comentários explodiram.
A campanha de destruição de imagem havia começado.
E todos sabiam quem estava por trás dela.
Augusto.
Valentina.
Ou ambos.
Rafael tentou reagir.
Contratou assessores.
Advogados.
Especialistas em comunicação.
Mas cada notícia positiva era seguida por três negativas.
Era uma guerra.
E Augusto tinha mais dinheiro.
Mais influência.
Mais contatos.
Mais poder.
Três dias depois.
Camila finalmente recebeu alta.
Os médicos recomendaram repouso absoluto.
Nada de estresse.
Nada de esforço.
Nada de preocupações.
Uma recomendação impossível.
Ela saiu do hospital acompanhada por Rafael e Isabela.
Fotógrafos dispararam flashes imediatamente.
“Camila!”
“É verdade que você quer dinheiro dos Montenegro?”
“Você escondeu a criança durante seis anos?”
“Você mentiu para Rafael?”
Os seguranças tentaram abrir caminho.
Mas o caos aumentava.
“Vamos.”
Rafael colocou Isabela dentro do carro.
Camila entrou logo atrás.
Os jornalistas continuaram cercando tudo.
Mas finalmente conseguiram sair.
O carro avançou pelas ruas movimentadas de São Paulo.
Por alguns minutos.
Tudo pareceu normal.
Até que Rafael percebeu algo.
Um veículo preto.
Atrás deles.
“Camila.”
“O quê?”
“Aquele carro.”
Ela olhou pelo retrovisor.
E empalideceu.
“Não...”
“O que foi?”
“Eu já vi esse carro antes.”
O coração de Rafael acelerou.
“Tem certeza?”
“Tenho.”
“Quando?”
“Antes.”
“Antes do hospital.”
“Antes de tudo.”
O veículo continuava atrás deles.
Sem ultrapassar.
Sem se afastar.
Apenas seguindo.
Rafael aumentou a velocidade.
O outro carro também.
“Segura a Isabela.”
Camila imediatamente abraçou a filha.
“Rafael...”
“Fica calma.”
Mas nem ele estava calmo.
A perseguição começou.
Os carros avançavam pelas avenidas iluminadas.
Buzinas.
Faróis.
Chuva fina.
Velocidade.
O veículo preto continuava ali.
Cada vez mais perto.
Cada vez mais agressivo.
Então aconteceu.
Um segundo.
Apenas um segundo.
O carro preto avançou.
Bateu violentamente na lateral.
Camila gritou.
Isabela começou a chorar.
O mundo girou.
Metal contra metal.
Vidros explodindo.
Pneus derrapando.
O veículo perdeu o controle.
Rodou.
Girou.
E bateu violentamente contra a proteção da avenida.
Silêncio.
Depois...
Gritos.
Sirenes.
Confusão.
Pessoas correndo.
Luzes vermelhas piscando.
Tudo aconteceu rápido.
Rápido demais.
Quando Rafael abriu os olhos, ouviu Isabela chorando.
“Mamãe!”
Ele virou a cabeça imediatamente.
E sentiu o coração parar.
Camila estava inconsciente.
Sangue escorria pela testa.
Seu corpo permanecia imóvel.
Completamente imóvel.
“Camila!”
Ele tentou alcançá-la.
“Camila!”
Nenhuma resposta.
Os paramédicos chegaram segundos depois.
A porta foi arrancada.
Os socorristas trabalharam freneticamente.
“Pressão caindo!”
“Precisamos levá-la agora!”
“Rápido!”
Rafael segurava a mão dela.
Desesperado.
“Fica comigo.”
“Por favor.”
“Não faz isso.”
Mas Camila não respondia.
A ambulância atravessou a cidade em alta velocidade.
E menos de vinte minutos depois...
Ela estava novamente no Hospital Santa Luzia.
No mesmo quarto.
Nas mesmas máquinas.
Nos mesmos aparelhos.
Mas agora a situação era muito mais grave.
Muito mais perigosa.
Rafael permanecia ao lado da cama.
Isabela dormia exausta numa poltrona.
Os médicos entravam e saíam constantemente.
Ninguém dizia nada.
Ninguém prometia nada.
E então o monitor começou a apitar mais rápido.
Mais alto.
Mais irregular.
Rafael levantou imediatamente.
O rosto de Camila ficou pálido.
Sua respiração tornou-se curta.
Difícil.
Dolorosa.
Como se estivesse lutando contra algo invisível.
Como se estivesse perdendo a batalha.
E naquele instante, observando a mulher que amava lutar para respirar, Rafael percebeu uma verdade aterradora:
A guerra pela guarda de Isabela havia acabado de se transformar numa luta pela vida de Camila.
E talvez eles estivessem ficando sem tempo.
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