"Quando Minha Noiva Tentou Destruir Minha Mãe" Parte 7
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A noite já havia caído sobre os Jardins.
As luzes da mansão Albuquerque permaneciam acesas, mas o clima dentro da casa estava longe de ser acolhedor.
Sentado sozinho no escritório do pai, Marcelo Albuquerque observava novamente os relatórios bancários espalhados sobre a mesa.
Desde a reunião com o advogado, uma única pergunta não saía de sua cabeça.
Quem estava recebendo aquele dinheiro?
As transferências eram regulares.
Sempre na mesma data.
Sempre valores altos.
Sempre saindo de contas ligadas a Sara Monteiro.
Aquilo não parecia um erro.
Parecia um acordo.
Um acordo secreto.
Marcelo pegou novamente o papel entregue pelo Dr. Ricardo Medeiros.
O número da conta estava ali.
Assim como os registros das transferências.
Ele abriu o notebook.
Começou a cruzar informações.
Empresas.
CNPJs.
Movimentações.
Nomes ocultos.
Horas passaram.
Até que um detalhe chamou sua atenção.
Uma das empresas utilizadas para receber o dinheiro tinha endereço registrado na Vila Olímpia.
Mas não funcionava mais.
Estava oficialmente encerrada havia quase dois anos.
Marcelo franziu a testa.
Aquilo não fazia sentido.
Então por que continuava recebendo dinheiro?
Ele pegou o celular.
Ligou para Ricardo.
“Doutor, preciso de mais informações sobre aquela empresa.”
“Encontrou alguma coisa?”
“A empresa está morta.”
Houve silêncio do outro lado.
“Interessante.”
“Quero saber quem estava por trás dela.”
“Vou verificar.”
Marcelo desligou.
Seu instinto dizia que estava perto.
Muito perto.
Pela primeira vez desde o cancelamento do casamento, sentia que estava seguindo um rastro real.
E o rastro levava diretamente a Sara.
Na manhã seguinte, Ricardo retornou a ligação.
“Descobrimos algo.”
Marcelo levantou-se imediatamente.
“O quê?”
“O administrador da empresa.”
“Quem é?”
“Um homem chamado Rafael Costa.”
Marcelo permaneceu em silêncio.
Nunca tinha ouvido aquele nome.
“Quem é ele?”
“Não sabemos muito.”
“Mas?”
Ricardo hesitou.
“Ele recebeu quase todas as transferências.”
O coração de Marcelo acelerou.
“Todas?”
“Praticamente.”
“Quanto dinheiro?”
“Mais de um milhão de reais.”
Marcelo sentiu o sangue gelar.
Mais de um milhão.
Dinheiro suficiente para mudar completamente a vida de alguém.
Dinheiro suficiente para justificar mentiras.
Fraudes.
Traições.
“Preciso encontrá-lo.”
“Já estou tentando descobrir onde ele está.”
Marcelo encerrou a ligação.
Sua mente trabalhava sem parar.
Quem era Rafael?
Por que Sara enviava tanto dinheiro para ele?
E, principalmente...
O que ele significava para ela?
Naquela mesma tarde, Jorge apareceu no escritório.
“Senhor Marcelo.”
“Jorge.”
O mordomo parecia nervoso.
“Talvez eu tenha uma informação importante.”
Marcelo ergueu os olhos.
“O que foi?”
“Algumas vezes vi dona Sara saindo escondida.”
Marcelo ficou imóvel.
“Saindo para onde?”
“Não sei.”
“Quando?”
“Principalmente à noite.”
O coração dele acelerou.
“Você tem certeza?”
“Absoluta.”
“Ela estava sozinha?”
Jorge hesitou.
“Nem sempre.”
O silêncio tomou conta do escritório.
Marcelo levantou lentamente.
“Explique.”
“Duas vezes eu vi um carro preto esperando por ela.”
“Quem estava dentro?”
“Não consegui ver.”
Marcelo fechou os punhos.
A sensação de traição cresceu dentro dele.
Talvez aquilo não fosse apenas dinheiro.
Talvez existisse algo mais.
Muito mais.
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Naquela noite, Marcelo decidiu seguir Sara.
Pela primeira vez na vida.
Nunca imaginou que faria algo assim.
Mas também nunca imaginou descobrir tantas mentiras.
Pouco depois das oito horas, Sara saiu discretamente de seu apartamento.
Usava roupas escuras.
Óculos escuros.
Boné.
Como alguém tentando não ser reconhecida.
Marcelo permaneceu dentro do carro.
Observando.
Seguindo.
Mantendo distância.
O coração batia cada vez mais rápido.
Sara atravessou parte da cidade.
Passou pela Marginal.
Entrou na região da Vila Olímpia.
E finalmente estacionou diante de um prédio residencial moderno.
Marcelo desligou os faróis.
Esperou.
Sara desceu.
Olhou ao redor.
Parecia nervosa.
Depois entrou no edifício.
Marcelo observou o relógio.
Cinco minutos.
Dez.
Quinze.
Nada.
Então uma figura apareceu.
Um homem.
Alto.
Bem vestido.
Cabelos escuros.
Cerca de quarenta anos.
Ele saiu do elevador e caminhou até o hall.
Sara surgiu logo atrás.
Os dois conversavam.
Riam.
Como pessoas íntimas.
Como pessoas acostumadas uma com a outra.
Marcelo sentiu algo apertar seu peito.
Ainda assim tentou se convencer.
Talvez fosse um sócio.
Talvez fosse um advogado.
Talvez fosse qualquer coisa.
Menos aquilo.
Mas então aconteceu.
O homem segurou o rosto de Sara.
E ela não recuou.
Não demonstrou surpresa.
Não demonstrou desconforto.
Pelo contrário.
Sorriu.
Um sorriso que Marcelo conhecia muito bem.
O mesmo sorriso que ela costumava dar para ele.
Segundos depois...
Os dois se beijaram.
Não foi um beijo rápido.
Nem um gesto casual.
Foi um beijo apaixonado.
Íntimo.
Longo.
Como o de duas pessoas que mantinham um relacionamento havia muito tempo.
Marcelo ficou paralisado.
Seu mundo pareceu parar.
Todo o ar desapareceu dos pulmões.
A dor veio primeiro.
Depois a incredulidade.
Depois a raiva.
Muita raiva.
Porque naquele instante tudo começou a fazer sentido.
As transferências.
As mentiras.
As manipulações.
O casamento.
O dinheiro.
Talvez ele nunca tivesse sido o homem da vida de Sara.
Talvez tivesse sido apenas o alvo.
O caminho para a fortuna Albuquerque.
Enquanto observava os dois abraçados sob as luzes do prédio, Marcelo sentiu sua última dúvida desaparecer.
Sara não apenas o enganou.
Ela o traiu.
E agora ele tinha visto com os próprios olhos.
O homem passou o braço pela cintura dela.
Sara sorriu novamente.
Depois os dois entraram juntos no elevador.
As portas se fecharam.
Marcelo permaneceu imóvel dentro do carro.
O volante rangia sob a força de suas mãos.
Seus olhos estavam fixos na entrada do prédio.
E uma única certeza ocupava sua mente.
Aquele homem não era apenas um amante.
Ele era parte do plano.
E Marcelo acabara de encontrar a peça mais perigosa de toda a conspiração.
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