"Quando Minha Noiva Tentou Destruir Minha Mãe" Parte 6
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A chuva da noite anterior havia desaparecido.
Mas a tempestade dentro de Marcelo Albuquerque estava apenas começando.
Na manhã seguinte, ele estacionou diante de um edifício luxuoso na Avenida Faria Lima.
Ali funcionava o escritório jurídico que administrava os negócios da família Albuquerque havia décadas.
O nome na fachada era conhecido em toda São Paulo.
Medeiros & Associados.
Os mesmos advogados que haviam trabalhado ao lado de seu pai durante mais de vinte anos.
Os mesmos que prepararam o testamento de Augusto Albuquerque.
Marcelo entrou carregando a pasta encontrada por Jorge.
Seu rosto estava sério.
Sua mente também.
A recepcionista o conduziu imediatamente para uma sala reservada.
Minutos depois, um homem de cabelos grisalhos entrou.
Dr. Ricardo Medeiros.
Advogado da família.
Amigo pessoal de seu pai.
“Marcelo.”
“Doutor.”
Os dois apertaram as mãos.
Mas não houve cordialidade.
Apenas tensão.
Marcelo colocou a pasta sobre a mesa.
“Preciso que analise isso.”
Ricardo abriu os documentos.
O silêncio tomou conta da sala.
Página após página.
Assinatura após assinatura.
Até que o advogado parou.
Seu semblante mudou.
“Isso é grave.”
Marcelo sentiu o coração acelerar.
“O que encontrou?”
Ricardo retirou os óculos.
“Algumas cláusulas não estavam no documento original.”
Marcelo ficou imóvel.
“Tem certeza?”
“Absoluta.”
O advogado abriu uma gaveta.
Retirou uma cópia autenticada do testamento.
Colocou os dois documentos lado a lado.
A diferença era evidente.
No documento verdadeiro, Helena possuía direito vitalício à residência principal da família.
No documento alterado, essa cláusula havia desaparecido.
Marcelo sentiu a raiva crescer.
“Alguém tentou tirar minha mãe da mansão.”
Ricardo assentiu.
“E não foi a única alteração.”
Ele apontou para outra página.
Marcelo aproximou-se.
Uma nova cláusula havia sido adicionada.
Caso Marcelo se casasse, determinados ativos poderiam ser transferidos para uma estrutura patrimonial compartilhada.
Marcelo arregalou os olhos.
“Isso nunca existiu.”
“Não.”
“Então alguém inseriu isso depois.”
Ricardo fechou o documento.
“Exatamente.”
O silêncio voltou.
Mas agora era mais pesado.
Muito mais perigoso.
Porque aquilo já não era apenas uma questão familiar.
Era fraude.
Era crime.
Marcelo passou a mão pelos cabelos.
Tentando controlar a indignação.
Então uma lembrança surgiu.
Uma entre muitas.
Seis meses antes.
Sala de jantar da mansão.
Sara apareceu sorridente.
Segurando alguns documentos.
“Amor, preciso da sua assinatura.”
Marcelo mal levantou os olhos do notebook.
“O que é?”
“Coisas burocráticas do casamento.”
“Agora?”
“Vai levar só um minuto.”
Ela aproximou as folhas.
Marcelo assinou.
Sem ler.
Confiando nela.
Outra lembrança.
Quatro meses antes.
Viagem para Angra dos Reis.
Sara apareceu novamente com documentos.
“Só mais uma assinatura.”
“Mais papelada?”
Ela riu.
“Você sabe como são essas coisas.”
Marcelo assinou novamente.
Sem questionar.
Mais uma lembrança.
Dois meses antes.
Escritório da mansão.
Sara fechou a porta.
Sentou-se ao seu lado.
Beijou seu rosto.
Sorriu.
Depois colocou uma pasta diante dele.
“Só preciso disso para finalizar algumas questões patrimoniais.”
Patrimoniais.
Agora aquela palavra parecia um aviso.
Mas na época ele não percebeu.
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Assinou.
Mais uma vez.
Marcelo voltou ao presente.
Sentindo o estômago embrulhar.
“Meu Deus.”
Ricardo observava.
“Você se lembra de ter assinado documentos recentemente?”
Marcelo soltou uma risada amarga.
“Agora estou começando a lembrar de muitos.”
“Ela apresentava os papéis?”
“Quase sempre.”
Ricardo permaneceu em silêncio.
Mas aquilo já respondia muita coisa.
Marcelo caminhou até a janela.
A vista da cidade parecia distante.
Irrelevante.
Porque uma verdade terrível começava a tomar forma.
Talvez Sara nunca estivesse interessada apenas em casamento.
Talvez o casamento fosse apenas uma ferramenta.
Uma etapa.
Uma peça do plano.
“Quero saber tudo.”
Ricardo assentiu.
“Já comecei a investigar.”
O advogado abriu outro arquivo.
Dessa vez digital.
Na tela apareceu uma série de movimentações financeiras.
Transferências.
Contas.
Registros bancários.
Marcelo aproximou-se.
“De quem são essas contas?”
“Estamos tentando descobrir.”
“Por quê?”
Ricardo girou o monitor.
“Porque encontramos algo estranho.”
Uma coluna de transferências chamou sua atenção.
Pagamentos mensais.
Sempre na mesma data.
Sempre com valores altos.
Sempre saindo de uma conta associada a Sara.
Marcelo franziu a testa.
“Ela nunca teve esse dinheiro.”
“Também achei estranho.”
“Para onde o dinheiro foi?”
Ricardo apontou.
“Essa é a questão.”
O destinatário aparecia apenas como uma empresa intermediária.
Nada mais.
Sem nome.
Sem identificação clara.
Marcelo sentiu um arrepio.
“Quanto dinheiro?”
Ricardo abriu outra planilha.
Marcelo observou os números.
E perdeu a respiração.
Centenas de milhares de reais.
Transferidos ao longo dos últimos meses.
Dinheiro suficiente para comprar apartamentos.
Carros.
Empresas.
“Isso é impossível.”
“Infelizmente não é.”
Marcelo sentou-se.
Tentando processar tudo.
O vestido destruído.
As gravações.
As humilhações contra Helena.
O testamento alterado.
Agora contas secretas.
Tudo parecia conectado.
Tudo.
“Você acredita que ela agiu sozinha?”
Ricardo demorou alguns segundos para responder.
“Não.”
A resposta veio firme.
Direta.
“Também não.”
O advogado fechou a pasta.
“Alguém está ajudando Sara.”
Marcelo sentiu um frio percorrer sua espinha.
Porque aquilo significava apenas uma coisa.
Existia outra pessoa envolvida.
Outra pessoa lucrando.
Outra pessoa escondida nas sombras.
Ricardo entregou um papel.
“Conseguimos rastrear parcialmente uma das contas.”
Marcelo pegou o documento.
Seu coração acelerou.
Havia um número bancário.
Uma agência.
Uma conta.
E um nome parcialmente oculto.
As últimas letras ainda eram visíveis.
Mas não suficientes para identificar alguém.
“Estamos perto.”
Marcelo apertou o papel entre os dedos.
Muito perto.
Pela primeira vez desde o cancelamento do casamento, ele sentia que estava avançando.
A verdade começava a surgir.
Camada por camada.
Mentira por mentira.
Mas também percebia algo ainda mais assustador.
Quanto mais descobria...
Mais perigosa Sara parecia se tornar.
Ao deixar o escritório naquela tarde, Marcelo carregava consigo cópias dos documentos, registros bancários e uma nova certeza.
Sara Monteiro não estava atrás apenas de amor.
Nem apenas de status.
Nem apenas da mansão.
Ela estava atrás da fortuna Albuquerque.
E em algum lugar daquela trama existia uma pessoa misteriosa recebendo dinheiro dela.
Uma pessoa que ela escondia de todos.
Inclusive dele.
Enquanto entrava no carro, Marcelo observou mais uma vez o número da conta secreta.
E tomou uma decisão.
Ele descobriria quem estava do outro lado daquela transferência.
Custasse o que custasse.
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