"A Rainha na Gaiola" Capítulo 17
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Capítulo 17: O Último Interrogatório
O clique duplo da tranca eletrônica ecoou pela suíte master como o disparo de uma arma de fogo.
Gabriel Vance entrou no quarto com o rosto desfigurado pela fúria. Minutos antes, Antony havia dado o veredito: os pacotes de dados confidenciais que destruíam a reputação da holding haviam sido disparados do endereço de IP da própria cobertura.
Gabriel caminhou até a cama, arrancou o livro das mãos de Isabella e o arremessou longe, rasgando as páginas contra o piso de mármore.
"Onde está o dispositivo, Bella?", o barítono dele vibrou baixo, uma ameaça contida. "Antony rastreou a origem. O traidor está debaixo do meu teto. Quem entrou aqui?"
Ele a puxou pelos pulsos, erguendo o corpo dela do colchão até que seus rostos ficassem a milímetros de distância.
Os olhos azul-glacial de Gabriel realizavam uma leitura corporal frenética, escaneando suas pupilas, a contração da mandíbula e o ritmo da respiração. O desespero dele misturava-se a uma desconfiança focada, buscando qualquer rastro de hesitação.
Isabella sentiu o terror gelado do flagrante, mas o instinto da vingadora matemática assumiu o controle de seus músculos.
"Do que você está falando, Gabriel?", ela forçou a voz a sair trêmula, os olhos verde-âmbar enchendo-se de lágrimas encenadas.
"Não há ninguém aqui além de nós. Você está me machucando... por favor."
Gabriel estreitou as pálpebras, a paranoia dividida entre os relatórios técnicos e a aparente fragilidade da esposa.
"O IP é desta cobertura, Bella! Alguém operou o sistema de dentro deste andar!", ele gritou, a pressão em seus pulsos aumentando de forma dolorosa.
"Então procure!", ela rebateu em um sussurro firme, sustentando o olhar dele para estabilizar a mentira.
"Vasculhe o quarto, chame Antony, reviste cada pedaço deste lugar. Se você acha que eu guardo algum segredo, prove agora."
A entrega radical e a aparente indignação de Isabella desarmaram a lógica imediata de Gabriel.
A exaustão mental dos últimos dias e a necessidade de manter o controle sobre sua última posse fizeram com que ele soltasse os pulsos dela, jogando-a de volta contra os travesseiros com um suspiro pesado.
Ele passou a mão pelo rosto, os ombros cedendo sob o peso do colapso que o cercava.
...
"Eu vou descobrir, Bella", ele murmurou, a voz rouca enquanto se sentava na borda da cama, de costas para ela. "Seja quem for, eu vou destruir a vida dessa pessoa."
"Eu sei que vai", ela respondeu com a voz mansa, aproximando-se por trás e pousando as mãos nos ombros rígidos dele.
Com movimentos de uma precisão cirúrgica, Isabella estendeu o braço até a mesa de cabeceira, alcançando o copo de uísque que Gabriel deixara intocado antes de iniciar a briga.
Com a outra mão, ela retirou do bolso oculto do colchão os comprimidos esmagados de ansiolíticos fortes que vinha guardando.
Ela jogou o pó químico no líquido escuro, misturando-o rapidamente antes de entregar o cristal ao marido.
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"Beba, Gabriel", ela sussurrou, a voz suave agindo como um anestésico.
"Você precisa acalmar a mente para pegar o traidor amanhã."
Vencido pelo cansaço e pela confiança cega que depositava na submissão dela, Gabriel ergueu o copo e virou o líquido, engolindo o sedativo sem hesitar.
Em menos de dez minutos, o medicamento de tarja preta fez efeito; o corpo do bilionário relaxou por completo, afundando em um sono artificial e profundo na cama master.
Isabella desvencilhou-se dele sem produzir o menor ruído. O sentimento de triunfo preenheu suas veias quando ela caminhou até o closet com o corpo tenso.
Ela retirou o laptop de carbono de seu esconderijo pela última vez. Conectada ao transmissor de satélite da estufa, seus dedos voaram pelo terminal do fundo The Noose.
Aproveitando o apagão mental do marido, ela executou a transferência final de fundos: drena, dígito por dígito, os últimos 400 milhões de dólares das contas secretas de Gabriel, enviando a fortuna para uma conta fantasma em Malta.
A Vance Enterprises estava oficialmente falida por dentro; o cofre do monstro havia sido esvaziado no escuro da madrugada.
...
O gancho para a destruição total estava armado na raiz do sistema financeiro. Antes de fechar o sistema, Isabella tomou a decisão mais audaciosa de sua estratégia intelectual.
Ela pegou o laptop secreto de carbono, desceu as escadas internas na penumbra e entrou no escritório pessoal de Gabriel.
Com movimentos calmos, ela deslizou o aparelho para baixo da mesa de ébano do marido, deixando-o propositalmente em uma posição que parecesse ter sido esquecido às pressas.
O plano de engenharia reversa era perfeito: quando Antony e os técnicos fizessem a varredura física nas próximas horas, eles encontrariam o dispositivo conectado ao modem privado de Gabriel.
A assinatura do IP doméstico e o histórico de logins fariam a segurança acreditar que o próprio Gabriel Vance, sob o efeito do estresse extremo e do abuso de remédios, havia operado os desvios milionários em um surto psicótico.
Ela estava limpando suas mãos de qualquer suspeita, jogando a culpa direto na mente estilhaçada do carrasco.
Isabella subiu de volta para a suíte master e deitou-se ao lado do corpo inerte de Gabriel. O sol começava a clarear os vidros da cobertura com uma luz cinzenta e fria.
Ela fixou os olhos verde-âmbar no teto de gesso, sentindo o pulso firme. O alarme de esvaziamento de fundos dispararia na central do FBI em menos de doze horas, e o império Vance estava condenado a amanhecer em cinzas.
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