"A Rainha na Gaiola" Capítulo 15
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Capítulo 15: O Segredo do Roteador
A névoa da noite de Manhattan colava-se às paredes externas da estufa de vidro, transformando o santuário de orquídeas raras em um labirinto de silhuetas e sombras alongadas.
O relógio digital da suíte master indicava duas da manhã quando Isabella deslizou para fora dos lençóis de mil fios, deixando o corpo pesado de Gabriel imerso em um sono raso.
Ela vestia apenas um longo de veludo vermelho-escuro, cujo tecido arrastava-se sem ruído pelo mármore Carrara enquanto caminhava em direção à extremidade leste da cobertura.
Descalça, sentindo o gélido da pedra contra as solas dos pés, ela empurrou a porta de correr de vidro, penetrando na atmosfera abafada e úmida do reduto botânico.
O ar ali dentro era denso, saturado pelo aroma adocicado da terra e da seiva das espécies mais caras do mercado internacional. Sob o pretexto de uma insônia crônica e do desejo fútil de podar as plantas, ela avançou com passos milimétricos entre os suportes de ferro forjado.
Isabella seguiu até a bancada central de concreto estrutural, onde ficava o coração da automação do recinto: o nicho de manutenção do roteador secundário de alta velocidade da Cisco. A adrenalina correu por suas veias, trazendo um sentimento de triunfo e audácia técnica que limpou o cansaço acumulado de seu corpo.
Com a ponta dos dedos, ela pressionou as travas de pressão da tampa de acrílico fumê que protegia a fiação interna.
O painel abriu-se com um estalo quase imperceptível, revelando o emaranhado de cabos de rede trançados e as fibras ópticas que a segurança de Antony monitorava remotamente.
Isabella enfiou a mão no bolso invisível de seu vestido de veludo, retirando o micro-dispositivo de transmissão via satélite comprado no mercado negro antes do casamento.
Com precisão mecânica, ela conectou o jumper metálico diretamente à porta de espelhamento do switch auxiliar, estabelecendo uma frequência paralela.
Bip.
O aparelho vibrou sutilmente contra os nós de seus dedos, confirmando o handshake com a constelação de satélites privados fora dos proxies da Vance Enterprises. Ela estava online novamente.
No entanto, o perigo imediato manifestou-se quando a carcaça disparou um LED indicador de status; uma luz vermelha, nítida e pulsante, começou a piscar a cada três segundos no escuro do nicho.
"O que faz acordada a esta hora, Bella?"
A voz barítona de Gabriel cortou o silêncio da estufa como o estalo de um chicote. Isabella congelou por uma fração de segundo, mas seu instinto de sobrevivência agiu com rapidez cirúrgica: ela deu um passo para trás, colando os quadris contra a bancada aberta e usando a amplitude de sua saia de veludo vermelho para cobrir totalmente o painel técnico.
Gabriel avançou pela penumbra, vestindo apenas uma calça de seda escura, os olhos azul-glacial brilhando com uma mistura perigosa de desconfiança e atração animal.
"As orquídeas pareciam... sufocadas, Gabriel", ela respondeu, a voz mansa saindo como um sopro na névoa, enquanto seus dedos tateavam a bancada atrás de si, puxando um vaso rasteiro para camuflar o vão técnico.
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"A atmosfera do quarto estava pesada demais depois da varredura de ontem."
Gabriel parou a milímetros do corpo dela, a presença alta encurralando-a contra o concreto da bancada.
Seus olhos desceram pelo decote do vestido vermelho, e a desconfiança profissional começou a ser engolida por uma eletricidade sexual instantânea e agressiva.
"Você não deveria estar fora da cama sem a minha autorização", ele sussurrou, a mão grande subindo pela lateral de sua coxa, apertando o veludo com uma possessividade que fez o ar faltar nos pulmões de Isabella. "Especialmente vestida assim... como um pecado que eu comprei."
"Eu não consigo dormir sabendo que você não confia em mim", ela rebateu, sustentando o olhar dele e enlaçando o pescoço do marido com os braços, puxando-o para baixo enquanto a luz vermelha do LED piscava nas costas de sua saia, refletindo-se nas folhas tropicais. "Mostre-me que eu ainda sou sua, Gabriel."
A provocação e o perigo iminente acentuaram a tensão erótica entre o casal de forma avassaladora. Gabriel soltou uma risada rouca, o ego inflado diante do desafio da esposa, e a possuiu ali mesmo, imprensando-a contra o concreto da bancada entre o aroma da terra e o frescor das folhagens.
O ato foi urgente, violento e claustrofóbico, os corpos movendo-se no ritmo tenso de quem joga uma partida onde a vida é a aposta.
Isabella forçou cada gemido, retribuindo os toques brutos de Gabriel com uma intensidade encenada, mantendo o marido cego e focado apenas no calor de sua pele.
A poucos centímetros de sua nuca, escondido pela vegetação rasteira que ela jogara às pressas, o transmissor continuava online, enviando o primeiro bloco do histórico de fraudes da Vance Enterprises para os servidores externos.
Quando o esforço físico terminou, Gabriel colou a testa à dela, a respiração acelerada denunciando o esvaziamento de sua energia.
Ele a pegou no colo, os braços firmes sustentando o peso dela enquanto se afastava da bancada.
"Volte para o quarto, Bella", ele ordenou, o tom de voz suave pelo cansaço do ápice. "Não quero encontrar você no escuro de novo."
"Sim, meu amor", ela anuiu com a cabeça baixa, limpando os resquícios de terra de suas mãos diretamente no veludo vermelho enquanto ele a guiava de volta pelo corredor de mármore.
O gancho daquela noite estava selado sob a camuflagem orgânica da estufa. O transmissor via satélite operava sem interrupções, mas o piscar contínuo daquele LED pulsante deixava um aviso claro na mente de Isabella: para manter a fiação intocada pelas rondas de Antony, ela precisaria usar o próprio corpo para manter Gabriel ocupado na suíte master todas as noites, até que o último dominó do império Vance estivesse pronto para cair.
— FIM —
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