"A Rainha na Gaiola" Capítulo 6
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Capítulo 6: O Primeiro Código
O silêncio do andar inferior era diferente daquele da suíte. Tinha a densidade fria das salas de servidores e o cheiro metálico de hardware novo.
Isabella parou diante da porta de carvalho maciço do escritório proibido, o plástico rígido do cartão reserva pressionado contra a palma da mão úmida. O prazo de vinte e quatro horas corria em sua mente como o clique de um cronômetro digital.
Ela deslizou a tarja magnética pela fresta do leitor óptico. A fechadura eletrônica recolheu-se com um estalo pneumático quase imperceptível.
Isabella entrou, mas congelou no primeiro passo. Uma silhueta escura estava sentada na poltrona de couro atrás da mesa de ébano.
Antony. O chefe de segurança encarava o monitor desligado, com o rádio transmissor preso à lapela do terno preto. Ele não moveu a cabeça, mas seus olhos gélidos subiram direto para a jovem.
"O escritório é restrito, senhora Vance", a voz dele cortou a penumbra, monótona, desprovida de qualquer cortesia.
"Ordens diretas do seu marido."
Isabella forçou as linhas de seu rosto a relaxarem, mantendo o cartão de acesso oculto na dobra da manga de seda. Ela deu um passo à frente, sustentando o olhar do segurança com uma calma gelada.
"Gabriel me pediu para buscar o relatório da auditoria de Miami, Antony", ela respondeu, o tom de voz manso, perfeitamente polido.
"Ele esqueceu sobre a mesa de centro antes de descer para a garagem."
Antony levantou-se lentamente, a postura militar esticada na escuridão do recinto. Ele caminhou até ela, parando a dois passos de distância.
"O senhor Vance não costuma esquecer documentos, senhora", ele rebateu, estreitando as pálpebras claras. "E o relatório de Miami foi enviado por canal criptografado ontem à noite."
"Então ele mudou de ideia esta manhã", ela sustentou o passo, sem recuar um único milímetro.
"Você quer ligar para o celular dele e confirmar, Antony? Tenho certeza de que ele adorará ser interrompido durante a reunião com os sócios do fundo para discutir a sua desconfiança."
O blefe flutuou no espaço como uma lâmina suspensa. Antony manteve os olhos fixos nas pupilas verde-âmbar de Isabella por três segundos intermináveis. O rádio em seu peito chiou com uma mensagem codificada da portaria, quebrando a estática.
"Não será necessário", o segurança finalmente cedeu, recuando um passo e indicando a saída com a mão enluvada.
"Mas farei o inventário da sala assim que a senhora terminar."
"Obrigada pela eficiência", ela limitou-se a dizer, caminhando até a mesa com passos firmes.
Antony cruzou o batente da porta, postando-se no corredor como uma sentinela de pedra, deixando a porta semiaberta.
Isabella aproveitou o ângulo morto da visão do segurança. Seus dedos voaram para a traseira do CPU de Gabriel, conectando o micro-dispositivo de transmissão de dados com a rapidez de quem treinou o gesto no escuro.
A tela iluminou o tampo de ébano com um brilho azulado.
O teclado mecânico aceitou os primeiros comandos sem produzir ruído alto, as teclas de perfil baixo amortecendo os impactos sob a pressão firme de seus dedos.
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Ela executou o script do vírus de monitoramento, uma linha de comando compacta desenhada para operar abaixo do radar dos firewalls da Vance Enterprises.
A barra de carregamento do sniffer surgiu no centro do monitor fosco, avançando em blocos cinzentos com uma lentidão angustiante.
...
O vírus silencioso acordou por completo, rasgando as camadas de criptografia da holding.
De repente, a interface gráfica do rastreador disparou um alerta piscante em tom âmbar na quina inferior esquerda da tela.
O fluxo de dados interceptado revelou uma anomalia em andamento na contabilidade primária de Gabriel: uma sequência de transferências automatizadas de doze dígitos ocorrendo a cada ciclo de fechamento da bolsa de Nova York.
Isabella inclinou o corpo para a frente, as pupilas absorvendo as coordenadas dos IPs de destino.
Os fundos saíam da conta principal do fundo The Noose, cruzavam três bancos correspondentes em Delaware e desembarcancelavam diretamente no balanço de uma empresa de fachada registrada na capital das Ilhas Caimã.
Gabriel não gerenciava apenas um império legítimo; ele operava um dreno financeiro internacional invisível aos olhos da auditoria externa.
O gancho daquela fraude bilionária estava fixado na tela, o primeiro documento real que pavimentaria a ruína absoluta da linhagem Vance.
Um som agudo quebrou a estática do escritório, vindo do hall externo.
Bip.
O aviso luminoso do painel do elevador privativo piscou no teto da sala, indicando movimento de subida vindo diretamente da garagem do subsolo. Gabriel estava de volta à cobertura três horas antes do previsto no cronograma de reuniões.
A voz de Gabriel ecoou no corredor, firme e irritada, conversando com alguém ao telefone antes mesmo de cruzar a porta principal.
"Não me importa a oscilação do índice, transfira o bloco antes do meio-dia", o barítono dele aproximava-se com rapidez.
A descarga de adrenalina atingiu o peito de Isabella como um soco físico.
Com movimentos cirúrgicos, ela cancelou o espelhamento gráfico no monitor e puxou o dispositivo do canal traseiro da CPU com um puxão firme.
Seus dedos voaram pelo teclado uma última vez, injetando o comando de limpeza de logs de acesso para apagar as pegadas digitais deixadas no terminal privado.
A tela apagou-se no exato instante em que a silhueta alta de Gabriel surgiu no vão da porta do escritório, os olhos azul-glacial fixos na esposa.
"O que faz aqui, Bella?", ele perguntou de imediato, a voz caindo um oitavo, a desconfiança natural de sua linhagem tensionando os ombros sob o paletó de alfaiataria.
Isabella virou-se lentamente, segurando uma pasta vazia de couro que encontrou sobre a mesa, exibindo um semblante calmo e cansado.
"Procurando o relatório que você pediu, Gabriel", ela respondeu, entregando a pasta a ele com naturalidade.
"Antony me disse que já estava no sistema, mas decidi conferir pessoalmente."
Gabriel olhou para a pasta vazia, depois para Antony, que permanecia imóvel no corredor. O bilionário deu um passo à frente, pegando o objeto das mãos dela enquanto seus dedos longos roçavam o bracelete de diamantes no pulso de Isabella.
"Eu já resolvi o problema de Miami pelo telefone", ele disse, fechando a pasta com um estalo seco. "Você não deve se desgastar com a burocracia dos meus negócios, minha querida."
"Apenas queria ser útil", ela limitou-se a dizer, mantendo a postura impecável.
"Você já é útil sendo exatamente o que é", Gabriel sorriu de canto, a vaidade retomando o controle enquanto ele indicava a saída.
"Volte para o andar de cima. Tenho chamadas internacionais para fazer agora."
"Com licença", Isabella assentiu, passando por ele com passos calmos.
Seus pés tocaram o mármore do hall de entrada enquanto ela guardava o cartão magnético e o transmissor no bolso interno de sua roupa, os nós de seus dedos rígidos contra o tecido.
O império Vance continuava de pé, mas a primeira linha de código já corria no escuro da rede.
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