"O Jogo do Desejo" Capítulo 30
PUBLICIDADE
Provavelmente era apenas sufoco, e decepção. Decepção após decepção.
Faz tempo que não choro, e o sal das lágrimas era surpreendentemente forte.
César me ligou algumas vezes, que eu atendi desligando imediatamente. As vezes que tive coragem de desligar o telefone dele podiam ser contadas nos dedos. Hoje eu devia estar louca.
Caminhando de saltos altos pelas ruas movimentadas, as noites da cidade eram barulhentas e brilhantes, repletas de luzes. Os arranha-céus erguiam-se friamente até as nuvens, e a lua gigante pendia no horizonte noturno. Achei que estivesse ao alcance da mão, mas, mesmo na ponta dos pés, não conseguia tocá-la.
O som de buzinas estridentes perfurou meus tímpanos. Um carro passou voando raspando em mim, respingando água acumulada, que me ensopou toda. Tirei os saltos altos e os joguei com força na estrada. Agachei-me no chão, peguei o celular e disquei o número.
"Lucas."
A voz do outro lado estava carregada de cansaço, ainda sonolenta, com um tom grave e o desprazer de ter sido acordado: "Quem?"
Dei um sorriso. Houve alguns segundos de silêncio do outro lado, até que ele se deu conta: "É você?"
Meu tom era vazio: "Não queria que eu te fizesse companhia hoje à noite?"
Houve sons de sussurros do outro lado, como se estivesse se vestindo. Lucas não desligou e perguntou: "Onde você está?"
Olhei em volta, havia um outdoor gigante na beira da estrada, emitindo um brilho azul-esbranquiçado. Os edifícios ao redor eram um pouco estranhos. Agachei-me onde estava, desenhando desordenadamente no chão com a mão, e respondi atordoada: "Parece que me perdi."
Lucas disse com resignação: "Envie-me sua localização, fique onde está e não se mova."
A voz do homem trazia uma estranha sensação de estabilidade, afastando grande parte da agitação do meu coração, como se uma luz tivesse brilhado.
Disse um "ah", olhei para baixo e percebi que estava com a mão cheia de poeira; no chão de cimento, minhas unhas haviam arranhado um contorno cinza-esbranquiçado, escrevendo tortuosamente o nome de Lucas. Ergui a cabeça olhando para as estrelas tênues no céu, pisquei e parecia que não me sentia mais tão mal.
É realmente estranho, por que a primeira pessoa em quem pensei hoje não foi Sara, mas sim um homem que conheço há apenas alguns meses?
Depois de sair, Lucas me ligou de novo, avisando que chegaria em dez minutos. Ele recomendou: "A segurança naquelas ruas não é muito boa, preste atenção à sua segurança. Se houver algo, entre em contato comigo primeiro."
Pensei um pouco e, só então, percebi que havia um bairro de prostituição por perto. Não tinha notado antes, agora percebi que nos becos de ambos os lados da rua havia algumas mulheres escondidas na penumbra dos postes de luz, vestidas de forma reveladora, o brilho alaranjado piscando nos lábios enquanto esperavam pelos clientes.
Ergui a cabeça novamente e vi alguns homens de aparência vândala assobiando e vindo na minha direção. Como não havia quase ninguém na rua, envolvi-me mais no casaco e, inconscientemente, fui caminhando para debaixo do poste de luz, começando a sentir medo.
PUBLICIDADE
Um dos homens, de tranças, parou diante de mim e cheirou meu corpo como se eu fosse sua presa. Ele inclinou a cabeça e sorriu: "Irmãzinha, quanto custa a noite?"
Capítulo 58: Isso pode ser considerado um herói salvando a donzela?
Recuei um passo, sentindo uma náusea profunda, e quando ia desferir um tapa, o homem agarrou meu pulso, rindo de forma debochada: "Não bata, o que houve? Você ainda quer tentar vencer um grupo estando sozinha?"
Os outros homens atrás se posicionaram, exibindo sorrisos repugnantes. O homem tirou do bolso algumas notas de cem amassadas e enfiou no meu decote: "Dá para o gasto? Que tal nos servir?" Dito isso, a mão com unhas compridas começou a tatear por dentro da minha saia.
"Vá se ferrar, suma daqui!" Não sei de onde tirei forças, dobrei a perna e chutei em cheio o ponto vital do homem. Ele soltou um uivo de dor, curvando-se e encolhendo-se todo.
"Droga, pessoal, peguem ela." O grupo estava completamente enfurecido. Vários homens grandes estalaram os pescoços e vieram todos em minha direção.
Nesse momento, um carro esportivo surgiu rugindo. Olhei para trás em pânico: "Lucas, me salva!" Lucas desceu do carro e me protegeu atrás de si. Os homens olharam para o carro esportivo, avaliado em milhões, xingaram e deram meia-volta para fugir.
"Parem aí!" Lucas vestia preto, fundindo-se à noite, com a voz excepcionalmente fria.
Quando me dei conta, Lucas já tinha acertado um soco no rosto de um dos homens. O sujeito tentou reagir, mas foi agarrado pelos braços por Lucas e imobilizado no chão. Os amigos que o acompanhavam ficaram atônitos e, ao verem o carro luxuoso e caro de Lucas, não ousaram tentar vingar o colega; pediram misericórdia aos gritos e fugiram desesperados, cobrindo a cabeça.
Todo o episódio não durou mais que três minutos, e até o momento em que Lucas me ajudou a entrar no carro, minhas pernas ainda estavam bambas.
"Isso pode ser considerado um herói salvando a donzela?" Lucas me entregou uma garrafa de água: "Odeio ser interrompido enquanto estou dormindo. Mas hoje, meu humor parece estar um pouco bom."
"O que houve? Seu tom ao telefone parecia estranho." Abracei a garrafa de água e tentei abrir, Lucas a puxou da minha mão, abriu a tampa e me devolveu: "Fale logo, como vai me agradecer?"
Bebi metade da água, acalmando o turbilhão de emoções desordenadas. O encontro perigoso na rua não tinha diminuído em nada a indignação que eu trazia daquela villa privada. Abri a janela do carro, deixando o vento noturno seco entrar, olhei para Lucas e respondi sem expressão: "Posso dormir com você esta noite."
Lucas silenciou por dois segundos, cutucou o ouvido e se aproximou do meu rosto: "Repita o que disse."
Repeti com a voz baixa, encarando seus olhos. Os cílios do homem eram longos, o arco do canto dos olhos era bonito, carregando um traço de frieza. Seus olhos profundos eram negros como tinta, parecendo conter um redemoinho que atraía as pessoas para perto.
César, você não me suspeita? Então esta noite vou tornar sua suspeita realidade. Quando os lábios frios de Lucas tocaram os meus, senti uma sensação de prazer vingativo.
Lucas pôs uma mão atrás da minha cabeça e, assim que o beijo começou, ele me soltou como se tivesse levado um choque, voltou ao seu lugar e riu: "Espere um pouco."
Ele me acusou: "Você não está sendo sincera."
Ergui a cabeça e olhei para o teto do carro: "Me leve para fazer qualquer coisa, não importa onde, não importa o quê." Parecia que, enquanto eu fugisse dali, poderia me livrar de todas as emoções negativas.
Fim.
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 11
MENINA DÁ METADE DO LANCHE A UM MENINO SEM-TETO... 25 ANOS DEPOIS, ELE VOLTA MILIONÁRIO
Aos nove anos, Gabriel Costa vivia nas ruas de São Paulo e esperava todos os dias diante do portão de uma escola particular. Foi ali que conheceu Valentina Almeida, uma menina rica que passou a dividir escondida metade do próprio almoço com ele. Quando Gabriel foi adotado por uma família de Curitiba, fez uma promessa antes de partir: "Quando eu crescer… eu volto para te buscar." Vinte e cinco anos depois, Valentina enfrenta a doença do pai, a falência do Grupo Almeida e um noivado que esconde interesses perigosos. É então que Gabriel retorna a São Paulo — não mais como o menino faminto do portão, mas como um empresário cuja fortuna ultrapassa R$ 950 milhões.Moderno13.8 mil palavras5 180 -
TerminadoCapítulo 11
MILIONÁRIO CHEGA MAIS CEDO À CASA DE CAMPO... E QUASE DESMAIA COM O QUE VÊ
Milionário chega mais cedo à casa de Campo e quase desmaia com o que vê. Alejandro para no jardim sem acreditar. Léo, seu filho, ri alto nos braços de Helena, a faxineira. O menino que diziam ser incapaz de sentir emoção, agora gargalha como nunca. Pela manhã, Carla insistiu em aumentar os sedativos, dizendo que Léo era um caso perdido. Mas ali, diante dos olhos do pai, a verdade aparece. Não era doença, era medo. Helena tenta soltá-lo, assustada, mas Léo se agarra a ela como proteção. Quando o carro de Carla surge na entrada, o sorriso some, o corpo do menino trava. Alejandro entende tudo naquele instante. Ele manda Helena agir normalmente e decide observar em silêncio. Aquela risada muda tudo. Naquela noite, ele jura proteger o filho, descobrir quem mentiu e acabar com o terror escondido dentro da própria casa. A guerra começa ali, no quintal, com um riso que salvou uma vida.Moderno13.7 mil palavras5 123 -
TerminadoCapítulo 12
Eles Pensavam Que Eu Era Uma Boneca Frágil… Até Ouvirem o Som do Gatilho
Na alta sociedade de São Paulo, Christian von Stock e Victória de Medeiros pareciam o casal perfeito: ele, um titã corporativo brilhante e irretocável; ela, uma herdeira gélida e deslumbrante. Mas o conto de fadas durou apenas até o momento em que a porta da imponente mansão se fechou. No segundo em que o último flash da imprensa sumiu, Christian revelou ser o seu pior pesadelo. Dono de uma mente brilhante e sádica, ele confiscou o passaporte, o celular e as contas de Victória, transformando-a em uma prisioneira na própria casa. Para garantir a obediência absoluta, ele escolheu a única fraqueza dela: Camila, sua irmã caçula com síndrome de down, agora vigiada de perto como refém. Aos olhos do mundo, eles eram a imagem da felicidade conjugal, com sorrisos ensaiados e jantares de gala. Entre quatro paredes, era uma guerra psicológica diária onde a respiração de Victória era controlada e a liberdade, uma lembrança distante. Christian acreditava ter quebrado o espírito de sua esposa, transformando-a em uma boneca dócil. O que ele não sabia era que, sob a pele da mulher acuada, Victória contava cada segundo, memorizava cada código de segurança e aguardava pacientemente o momento certo. Ela fingiu submissão. Ela jogou o jogo dele. E, quando o monstro finalmente cometeu o erro de subestimá-la, a frágil esposa sumiu. No lugar dela, emergiu a lâmina afiada pronta para destruir o império dele de dentro para fora. Uma mente brilhante, uma gaiola de ouro e um jogo de gato e rato onde a única regra é sobreviver para ver quem quebra primeiro.Outras|Aventura|Moderno15.3 mil palavras5 148 -
TerminadoCapítulo 10
Minha Mãe Deixou Minha Esposa Desmaiada no Chão
Arthur voltou de viagem dois dias antes e encontrou a mesa cheia, o filho de oito dias chorando e Elena desacordada no tapete. A mãe dele continuava cortando o jantar. Se você encontrasse sua esposa nessa situação e descobrisse que alguém da sua própria família havia falsificado sua assinatura, qual seria sua primeira atitude? Leia até o fimModerno10.3 mil palavras5 130 -
TerminadoCapítulo 11
Mostraram Suas Verdadeiras Faces… Sem Saber Que Eu Fingia Estar Paralisada
Fingi Estar Paralisada Por 10 Dias… Meus Filhos Disputaram Minha Fortuna, Mas A “Intrusa” Ficou... Aos 66 anos, Beatriz Montenegro Sampaio construiu um dos maiores impérios imobiliários de São Paulo. Rica, poderosa e acostumada a controlar tudo, ela acreditava conhecer os próprios filhos. Até ser envenenada durante sua festa de aniversário. Ao descobrir que sobreviveria sem sequelas permanentes, Beatriz toma uma decisão perigosa: fingir que ficou paralisada e sem conseguir falar para descobrir quem permaneceria ao seu lado quando ela não pudesse mais oferecer poder, dinheiro ou proteção.Moderno15.1 mil palavras5 352 -
TerminadoCapítulo 11
“Ela Não É Minha Filha”… Até o DNA Revelar Um Segredo Pior
No aniversário da pequena Sofia, Isabela presencia uma cena que muda para sempre sua relação com a poderosa família Montenegro. Mas o golpe mais cruel vem do próprio marido, Alexandre, que olha para a menina e declara diante de todos: "Ela não é minha filha." Isabela, porém, já conhece a verdade. Um exame de DNA confirma que Sofia é filha biológica de Alexandre com 99,9998% de probabilidade. Só que existe uma segunda página no resultado — e ela revela algo ainda mais devastador... Até onde sua própria mãe foi capaz de ir para proteger os segredos da família Montenegro?Moderno13.4 mil palavras5 287 -
TerminadoCapítulo 11
O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta
Isabela Oliveira Martins só queria sobreviver a mais um turno em um restaurante sofisticado nos Jardins, em São Paulo. Mas, ao servir a mesa 17, suas mãos começaram a tremer diante do homem que todos no salão pareciam temer: Dante Vasconcelos Montenegro, um poderoso e misterioso chefe da máfia. Quando Dante percebe as marcas no pulso da garçonete, segura sua mão e pergunta baixinho: "Quem fez isso com você?" Isabela não consegue responder. Porque o homem de quem está fugindo é Marcelo Ferraz, seu ex-namorado controlador, alguém que parece sempre saber onde ela está. O que Isabela ainda não sabe é que seu encontro com Dante está longe de ser uma coincidência do destino. Uma investigação começa a revelar que Marcelo se aproximou dela por causa de Antônio, seu pai, morto quinze anos antes em circunstâncias nunca esclarecidas. E quanto mais Isabela procura respostas, mais descobre que os Ferraz e os Montenegro escondem um passado construído sobre dinheiro, traições e silêncio. Até Dante guarda um segredo sobre a noite em que Antônio morreu. Agora, Isabela terá que descobrir em quem pode confiar — sem permitir que outro homem decida seu destino. Porque talvez seu pai não tenha morrido apenas por descobrir um crime.Bilionário|Máfia|Moderno14.3 mil palavras5 4107 -
TerminadoCapítulo 10
Três Dias Após o Funeral, Ouvi Meu Marido Planejar Minha Herança
Três dias depois de enterrar a mãe, Eliza ouviu o marido dizer ao telefone: “Assim que eu acessar as contas, a gente venceu.” Ela não desceu a escada nem exigiu explicações. Apertou o botão de gravar. Na manhã seguinte, o último vídeo de Margaret revelou que Garrett pesquisava a herança antes mesmo do casamento — e que Sienna, irmã de Eliza, havia aberto a primeira porta.Moderno9.7 mil palavras5 197 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Que Entrou Molhada no Baile
Com fome e encharcada, Lívia, de nove anos, entra escondida no baile beneficente do Hotel Imperial procurando a mãe. Helena Albuquerque, viúva de uma das famílias mais ricas de São Paulo, joga água no rosto da menina e a acusa de roubo. Quando Lívia cai, um colar de safira se solta de seu pescoço. Dentro da pedra existe uma fotografia que Helena não vê há vinte anos — e a prova de que a criança humilhada diante da elite é a neta que ela nunca soube que tinha.Moderno10.0 mil palavras5 110 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Deu Seu Último Remédio ao Temido Homem
Uma reação alérgica derruba Adrian Moretti dentro da própria mansão. Ellie Carter, filha de uma funcionária e portadora de alergia severa, usa nele seu último autoinjetor de epinefrina. Quando Adrian voltou a respirar, descobriu que aquela era a última dose dela. Minutos depois, a menina disse algo ainda mais impossível: viu um velho colocar “lágrimas azuis” no vinho. O que começou com uma injeção levou a uma chave costurada dentro de um coelho, ao assassinato encoberto de David e à filha que Adrian acreditava ter enterrado.Moderno|Romance10.1 mil palavras5 127