"O Preço dos Seus Olhos: Cinzas do Amor" Capítulo 6
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Exibindo traços de timidez, ela se aproximou e envolveu o pescoço dele com os braços, iniciando um beijo de forma direta.
O toque suave em seus lábios fez com que a imagem de Seraphina agindo com hesitação e afeto em seus momentos de proximidade surgisse imediatamente em sua mente.
"Eu tenho sentimentos por você, Enzo."
Diferente de sua postura descontraída usual, Sabrina manifestava uma conduta mais contida.
"Eu compreendo tudo o que você realizou por mim, e sei que esse sentimento é mútuo, não é?"
O ambiente foi tomado por manifestações de incentivo por parte dos presentes, demandando a união do casal.
Enzo permaneceu imóvel e, antes que pudesse esboçar qualquer reação, o acesso principal do camarote foi aberto de forma abrupta.
Integrantes da força policial adentraram o recinto com postura firme, correndo os olhos pelo espaço até fixarem a atenção em Sabrina.
"Senhorita Sabrina Silva, recebemos uma representação formal apontando seu envolvimento no encaminhamento de comunicações de cunho ofensivo sob anonimato, que resultaram diretamente no colapso e falecimento da senhora Silva. Solicitamos que nos acompanhe para os esclarecimentos necessários."
Toda a manifestação festiva cessou imediatamente.
A fisionomia de Sabrina perdeu completamente o vigor e ela recuou em estado de choque. "Isso é um equívoco! Vocês estão enganados! Eu não realizei nenhuma ação!"
"A equipe já realizou o levantamento dos elementos comprobatórios, incluindo os registros das transmissões anônimas e seus respectivos conteúdos", a autoridade policial informou de forma categórica, apresentando a identificação. "Solicitamos sua cooperação para evitar transtornos."
Capítulo 9
As palavras do policial foram como uma enorme rocha atirada em um lago calmo, causando uma grande reviravolta.
Enzo disse com uma expressão de choque: "Que mensagem anônima?"
Ele nunca imaginou que Sabrina pudesse ter feito algo assim.
Aos seus olhos, Sabrina era no máximo mimada e voluntariosa, alguém que gostava de fazer birra, como isso poderia estar envolvido com a perda de uma vida?
Sabrina estava com a face pálida como papel, seu corpo tremia incontrolavelmente enquanto ela segurava o braço de Enzo com força, dizendo em tom agudo: "Eu não fiz nada! Enzo, por favor, confie em mim! Eu nunca enviei nenhuma mensagem, eles certamente estão enganados!"
O policial utilizou o dispositivo para exibir a mensagem anônima acompanhada dos registros visuais ofensivos.
"O rastreamento do protocolo de internet desta transmissão aponta diretamente para o terminal de sua propriedade e para a rede de seu uso habitual. Os elementos são contundentes, solicitamos que nos acompanhe."
Enzo observou o teor do texto que utilizava termos de baixo calão para ofender Seraphina, permanecendo em estado de choque.
Aos seus olhos, Sabrina era no máximo mimada e voluntariosa, alguém que gostava de fazer birra, como isso poderia estar envolvido com a perda de uma vida.
Sabrina permaneceu imóvel, recusando-se a ir.
"Isso é impossível!" Ela gesticulou de forma descontrolada. "Aquele terminal já não estava sob meu uso há muito tempo, trata-se de uma armação de terceiros, da Seraphina! Certamente ela busca uma retaliação e forjou estes elementos!"
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"Eu não irei! Não cometi nenhuma infração, sob qual justificativa seria confinada! Enzo, intervenha em meu favor de imediato!"
Enzo observou o estado descontrolado dela e os elementos apresentados pela autoridade policial, sentindo grande inquietação interna.
Embora resistisse à ideia de que Sabrina agisse com malícia, as evidências eram contundentes e não permitiam contestações.
"Sabrina, busque a calma primeiro. Acompanhe a equipe para os esclarecimentos e eu buscarei as medidas necessárias."
Ele tentou se inclinar para ampará-la, mas foi rechaçado de imediato.
Sabrina desabou em prantos intensos. "Eu não manterei a calma! Se não cometi a infração, não há motivos para confinamento, eu me recuso a ir!"
Seu estado emocional atingiu o limite, sua respiração tornou-se difícil e sua fisionomia denotava fragilidade.
Avaliando o cenário, as autoridades policiais dialogaram entre si. "O atual estado emocional inviabiliza os esclarecimentos adequados. Sendo assim, você poderá permanecer em sua residência esta noite para se recuperar, devendo comparecer à delegacia amanhã nas primeiras horas do dia."
Com a saída das autoridades, os demais presentes no camarote buscaram justificativas para deixar o local de forma célere.
Assim que o recinto esvaziou, Sabrina desabou nos braços de Enzo em prantos intensos.
"Enzo, estou com medo..."
"Meu propósito era apenas causar um incômodo àquela idosa, afinal ela foi a responsável pela criação da Seraphina, que sempre agiu em meu prejuízo! Eu pretendia apenas que ela tomasse conhecimento das atitudes da neta para experimentar algum desalento, jamais imaginei que isso resultaria em seu fim..."
"Não houve intenção de causar tal desfecho, eu recuso o confinamento, Enzo, peço que intervenha de forma definitiva!"
Ela segurou as vestes dele com insistência, como se depositasse ali suas últimas expectativas.
Enzo observou o estado dela e, sopesando o histórico de convivência desde o período inicial, cedeu novamente.
"Pronto, contenha o choro."
Ele realizou movimentos suaves em suas costas, adotando um tom de voz o mais moderado possível. "Vou conduzi-la até sua residência primeiro e, em seguida, buscarei as medidas necessárias."
Após acomodar Sabrina na residência da família Silva, Enzo virou-se para deixar o local e deparou-se com o dono da casa, que se aproximava.
O pai de Seraphina exibia uma fisionomia fechada, demonstrando impaciência e repúdio ao notar a presença dele.
Enzo estacou. Avaliou internamente que, tratando-se de um ato de Sabrina que resultou no fim da avó de Seraphina, a obtenção de um termo de retratação por parte desta poderia abrandar as medidas legais.
Ele iniciou o diálogo: "Sr. Silva, saberia informar a atual localização da Seraphina? Preciso contatá-la para tratar de um assunto de grande relevância."
O Sr. Silva esboçou um riso de desdém. "Qual o propósito de procurá-la agora? Inicialmente você manteve proximidade a ponto de comprometer a reputação dela e, no momento atual, recusa a união. Se ela não buscasse o isolamento no exterior, deveria permanecer aqui expondo nossa família ao desonra?"
O quê?
Seraphina havia partido para o exterior?
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Capítulo 10
Enzo recebeu a informação como um choque brutal, paralisado no mesmo lugar sem conseguir esboçar reação por um longo período.
Sua garganta se moveu com dificuldade, e levou algum tempo até que ele reencontrasse a própria voz. "Quando ela partiu? Qual o destino?"
Ele jamais cogitou que Seraphina realmente realizaria a partida, e muito menos de maneira tão definitiva, sem emitir um único aviso de despedida.
O Sr. Silva observou o desespero de Enzo e emitiu um som de desdém. "O que foi? Agora você demonstra interesse em localizá-la? Onde estava essa consideração quando causou todos aqueles prejuízos à imagem dela?"
"O atual destino dela não é de seu interesse."
O Sr. Silva evitou o contato visual e encerrou o acesso batendo a porta com força.
Enzo permaneceu estático diante da entrada, enquanto o vento da noite movia as folhas secas pelo chão, trazendo uma sensação de frio intenso.
Ele deixou o local e retornou à sua residência de forma automática, sem total percepção dos próprios movimentos.
Sua mente mantinha o foco em uma única constatação.
Seraphina havia partido de fato.
Ela havia optado por isolá-lo completamente de sua trajetória.
A constatação causou-lhe um forte sofrimento interno, manifestando-se como uma dor persistente e profunda em seu peito.
Ele manteve a convicção de que Seraphina permaneceria vinculada a ele e que os sentimentos dela suportariam qualquer cenário. Supunha que bastaria uma sutil aproximação de sua parte para que ela retornasse à conduta anterior e ficasse ao seu lado de forma submissa.
No entanto, constatou o erro de suas suposições.
Adentrou as acomodações, desfez-se dos calçados e acomodou-se no sofá com o olhar fixo no terminal de computação sobre a mesa.
Movido por um impulso involuntário, sentiu o desejo de acessar os registros visuais de Seraphina.
Devido à insistência de Sabrina em manter sua atenção nas semanas anteriores, ele não compartilhava momentos de intimidade com Seraphina há um longo período.
Ligou o aparelho e acessou o arquivo codificado, constatando que a pasta encontrava-se totalmente vazia.
Recusando-se a aceitar o fato, verificou a área de descarte, obtendo o mesmo resultado.
A totalidade dos registros visuais havia sumido.
"Como isso foi possível?"
Enzo murmurou, passando a acionar os comandos com agilidade na tentativa de reaver os arquivos por meio de ferramentas de recuperação de dados.
Contudo, os procedimentos resultaram na mesma sinalização informando a ausência de arquivos disponíveis.
De repente, uma constatação alterou sua fisionomia, unindo suas sobrancelhas profundamente.
A remoção havia ocorrido por ação de Seraphina durante sua última estada ali.
Nenhuma outra pessoa teve acesso às suas acomodações além dela.
Ficou claro que a partida havia sido estruturada previamente e que ela já não admitia qualquer vínculo com ele.
Enzo experimentou uma forte sensação de opressão em seu peito, como se suas reações fossem totalmente limitadas pelo sofrimento.
Afastou o aparelho com violência.
Nesse exato momento, o dispositivo de comunicação emitiu uma sinalização eletrônica, exibindo o recebimento de um arquivo de vídeo programado por Seraphina antes de sua partida.
He iniciou a reprodução do arquivo.
"Se não fosse por aquela imagem, eu teria esquecido a existência da sua avó."
"Fui eu mesma, e qual o problema? Seraphina, você realmente supôs que eu permitiria a sua admissão naquela instituição? Eu não tolero o seu sucesso! Se não fosse pelas suas intervenções, eu já teria estabelecido vínculos com o Caio. Por que você insiste em disputar os mesmos espaços?"
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