"O Preço dos Seus Olhos: Cinzas do Amor" Capítulo 1
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Capítulo 1
Seraphina era reconhecida como a deusa da pureza na alta sociedade, a personificação da mulher ideal no coração de incontáveis homens.
Ela havia crescido sob uma criação extremamente rígida, conhecendo profundamente as regras tradicionais de conduta e nunca havia sequer tocado na mão de um homem.
Isso até que Enzo, o jovem herdeiro rebelde e libertino da família Ribeiro, fez uma visita à residência dos Silva.
"Ei, então você é a relíquia de que tanto falam? Até que é bem bonitinha."
No primeiro encontro, ele se aproximou com um sorriso carregado de deboche.
Antes que Seraphina pudesse recuar, os lábios finos e levemente frios do homem tocaram suavemente o seu rosto.
Seu coração disparou instantaneamente, mas, sem mudar a expressão, ela desferiu um tapa violento contra o rosto dele, fingindo que nada havia acontecido enquanto voltava a ler seu livro.
Em vez de se irritar, Enzo fixou o olhar na ponta da orelha dela, que começava a avermelhar, e soltou uma risada contida.
"Você é realmente fascinante."
Depois daquele dia, Enzo pareceu ter encontrado uma nova diversão e passou a frequentar a casa dos Silva constantemente.
Às vezes, invadia o local no meio da noite, exalando cheiro de álcool, e simplesmente deitava a cabeça no colo dela para descansar. Em outras ocasiões, fingia interesse em algum livro, aproximando-se sutilmente para enlaçar a cintura dela com o braço e puxá-la para o seu peito.
Seraphina sempre franzia o cenho e o empurrava, mas, ao cair da noite, sua mente era invadida por aqueles olhos sedutores e expressivos de Enzo.
Ela sabia que precisava se afastar daquele homem imprevisível, mas a vibração em seu peito era como trepadeiras crescendo desordenadamente, há muito fora de controle.
Mais tarde, surgiu a notícia de que Enzo havia sido pego por uma avalanche enquanto esquiava e estava desaparecido. Ignorando os apelos de todos, Seraphina o procurou desesperadamente, até encontrá-lo desmaiado e em estado de hipotermia ao pé da montanha.
Para salvá-lo, ela deixou de lado anos de pudor, despiu-se completamente e o abraçou com força para transferir o calor de seu próprio corpo.
O que ela jamais poderia imaginar era que alguém estava escondido à distância, transmitindo tudo ao vivo.
De um dia para o outro, suas fotos íntimas se espalharam pela internet, arruinando sua reputação. Seu pai, tomado pelo desprezo, desejou expulsá-la de casa imediatamente.
Ao saber disso, Enzo fugiu do hospital e, ignorando os próprios ferimentos, ajoelhou-se diante da porta da família Silva, jurando que assumiria total responsabilidade por Seraphina.
A partir daquele momento, ele se transformou em outro homem. Deixou de lado as futilidades e qualquer esporte radical, dedicando-se exclusivamente a acompanhá-la no escritório, lendo e praticando caligrafia.
"Seraphina, eu não quero mais ver você chorar por minha causa. Me dá uma chance, por favor?"
Assim, a deusa intocável foi puxada de seu pedestal.
Ele a ensinou a namorar, ensinou-a a beijar e chegou a levá-la para assistir a vídeos educativos de intimidade, incentivando a prática entre os dois.
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"Sere, hoje você tenta ficar por cima..."
Após mais uma noite de entrega, Enzo esqueceu o celular no escritório de Seraphina.
Ela pegou o aparelho e foi atrás dele até a sua residência, chegando bem no momento em que vozes de risadas e deboche ecoavam de trás da porta.
"Cara, você é demais. Conseguir levar para a cama uma mulher do nível da Seraphina, que era virgem e tudo mais... Ensina o segredo para os parças."
"Essas mulheres que se fingem de difíceis só funcionam na base da imposição." A voz de Enzo carregava um tom cínico e descontraído. "Basta um drama bem armado. A atuação na avalanche foi convincente, não acham? Ela tirou a roupa e se entregou por vontade própria. Com o jogo certo, não existe mulher impossível."
A mente de Seraphina ficou completamente em branco, e o sangue em suas veias congelou.
Aquela avalanche havia sido uma encenação planejada por ele, apenas para conquistá-la.
"Você é o cara, Enzo!" Alguém exclamou, batendo na mesa. "E o desempenho dela na cama, como é? Quando você enjoar, deixa a gente dar uma testada também."
Enzo soltou uma risada abafada. "É bem interessante, muito mais divertida do que as que se jogam de graça."
De repente, o som de um copo sendo estilhaçado interrompeu a conversa.
"Divirta-se o quanto quiser, só não deixe que ela se apegue a você." O tom de desprezo era evidente. "Gente desse tipo parece sonsa, mas a capacidade de grudar é enorme. Se você não conseguir se livrar dela depois, vai ter problemas."
Seraphina reconheceu aquela voz imediatamente: era sua meia-irmã, Sabrina.
Após o falecimento de sua mãe, Sabrina e a mãe dela não perderam tempo em se instalar na casa. Sabrina vivia para provocá-la, rasgando suas roupas e espalhando insetos em seu escritório de propósito.
Enzo puxou Sabrina para os seus braços, sussurrando para acalmá-la. "Não foi você mesma quem disse que a odiava e não suportava aquela pose de superioridade dela? Você me pediu para seduzi-la e arruinar a reputação dela, lembra?"
"Pronto, não fique brava. Daqui a alguns dias, no seu aniversário, vou tirar fotos ainda mais ousadas da Seraphina e te dar de presente, o que acha?"
Aquelas palavras cortantes ecoavam repetidamente em seus ouvidos. Seraphina cobriu a boca e correu sem olhar para trás, como se estivesse escapando de um pesadelo aterrorizante.
Toda a sua entrega, seus conflitos internos e sua determinação haviam sido apenas peças de uma farsa meticulosamente planejada.
O celular vibrou em seu bolso: era uma ligação de seu pai.
Ela respirou fundo, tentando conter o choro antes de atender.
O tom do Sr. Silva era de pura impaciência. "O Enzo não mencionou nada sobre noivado até agora, ele claramente só usou você. Olhe para a sua reputação atual, você envergonhou o nome da nossa família!"
"Já providenciei a sua transferência para uma escola no exterior, você viaja na próxima semana. Vá para lá refletir e pare de trazer problemas para esta casa."
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Seraphina permaneceu em silêncio, as lágrimas embaçando sua visão.
Ela sabia que seu pai só se importava com as aparências da família. Com sua reputação destruída, a casa dos Silva já não era mais o seu lar.
"Tudo bem."
Ela sussurrou a palavra, mordendo os lábios até sangrar.
Assim que desligou, uma mensagem de Enzo surgiu na tela.
"Sere, venha à minha casa amanhã à noite. Aprendi algumas posições novas, com certeza você vai adorar."
A expressão de Seraphina tornou-se totalmente fria, desprovida de qualquer traço do antigo amor e timidez.
Ela respondeu: "Claro."
Pelo menos antes de partir, ela apagaria todas as fotos que estavam em posse de Enzo, garantindo que ele nunca mais tivesse a chance de feri-la.
Ela cortaria todos os laços com ele de uma vez por todas!
Capítulo 2
Na noite seguinte, Seraphina compareceu à casa de Enzo conforme o combinado.
Assim que a porta se abriu minimamente, a silhueta alta do homem avançou sobre ela, prensando-a contra a parede com força.
O beijo de Enzo veio de forma urgente e agressiva, sua língua invadindo sua boca de maneira dominadora.
Suas mãos deslizaram pela linha da cintura dela, prestes a subir por baixo da roupa.
Lembrando-se de como ele e os amigos a haviam exposto, o estômago de Seraphina revirou. Segurando o nojo crescente, ela segurou o pulso dele. "Não... estou com dor de estômago."
Ele não parou, a respiração ardente perto de seu ouvido. "Não é nada, logo você vai se sentir melhor. Fique de bruços, seja obediente."
Seraphina baixou o olhar, ocultando a frieza em seus olhos.
"Acho que meu ciclo menstrual começou."
As sobrancelhas de Enzo se contraíram instantaneamente, e todo o entusiasmo desapareceu de seu rosto.
"Por que não disse antes?"
Ele afastou as mãos e caminhou diretamente em direção ao banheiro. "Vou tomar um banho frio."
O som da água ecoou rapidamente. Seraphina respirou fundo para se recuperar e vasculhou a sala com os olhos até encontrar o notebook de Enzo.
Ela caminhou silenciosamente e o abriu.
O aparelho estava protegido por senha. Ela tentou várias combinações até que o computador desbloqueou ao inserir a data de aniversário de Sabrina.
Havia um arquivo com nome codificado. Ao clicar, deparou-se com dezenas de fotos íntimas suas, tiradas de diversos ângulos sem o seu consentimento.
Suas mãos tremeram diante da onda de fúria e mágoa que invadiu seu peito, e as lágrimas quase caíram.
Sem tempo a perder, ela agiu rápido, selecionando todas as fotos, deletando-as e limpando a lixeira sem deixar qualquer vestígio.
Exatamente nesse momento, o som do chuveiro cessou. Enzo saiu do banheiro enrolado em uma toalha e atendeu o celular.
Do outro lado da linha, vozes barulhentas riam alto. "E aí, chefe, funcionou a posição nova? Vê se não esqueceu de tirar as fotos."
Enzo chutou a perna do sofá, visivelmente irritado. "Não rolou, que azar."
A frustração por não ter conseguido o que queria tornou seu tom de voz ainda mais impaciente.
"A Sabrina está aqui roendo de ciúmes e fazendo pirraça, nem quis comer. Que tal trazer a Seraphina para cá para ela se distrair um pouco?"
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