"Aprendendo a Te Amar" Capítulo 4
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Samuel guardou silêncio por alguns instantes antes de perguntar: "Sabrina, de onde você conseguiu aquelas imagens e capturas de tela que me enviou?"
Houve uma breve hesitação do outro lado da linha.
"Por que a pergunta? Ocorreu algum problema?", indagou Sabrina mantendo a voz suave. "Uma colega da escola da Xênia me mandou. Ela comentou que a relação delas com o Professor Lucas era muito suspeita e achou por bem me alertar para que eu te avisasse..."
"Qual o nome dessa colega?"
"Bem... eu não me recordo agora, foi um contato que adicionei por acaso." A voz de Sabrina começou a demonstrar nervosismo. "Samuel, você está desconfiando de mim? Minha intenção era apenas o seu bem..."
Samuel não respondeu e desligou o telefone na cara dela.
Ele fixou o olhar na tela do celular, analisando detalhadamente a foto que Sabrina enviara de Xênia com o Professor Lucas, percebendo que algo estava errado.
Ele ampliou a imagem para observar minuciosamente.
O sorriso de Xênia parecia radiante, mas seu olhar transmitia uma certa apatia.
A postura do homem também parecia um tanto artificial.
O cenário de fundo exibia uma praia paradisíaca, mas a incidência da luz e das sombras parecia desconexa.
Samuel recordou-se de que Xênia sempre detestou ser fotografada, alegando que nunca saía bem nas imagens. Por essa razão, até mesmo nas fotos do casamento, ela exibia apenas um sorriso contido e formal.
Contudo, naquela fotografia, ela aparecia sorrindo de forma expansiva e descontraída...
Não combinava com ela.
O coração de Samuel acelerou compassadamente.
Ele abriu o computador, buscou por ferramentas de análise de manipulação de imagens e começou a examinar a foto passo a passo, conforme as instruções.
Bordas com serrilhado...
Iluminação inconsistente...
Resolução desalinhada entre os elementos...
A fotografia era uma montagem.
Xênia jamais estivera em Búzios com aquele homem.
Sabrina havia mentido para ele.
Aquela constatação caiu sobre ele como um balde de água congelante, deixando-o paralisado e trêmulo.
Se a imagem era falsa...
Se os diálogos eram inventados...
Se Xênia não havia fugido com ninguém...
Onde, afinal, ela estaria agora?
O pressentimento sombrio que tentara afastar retornou com força total, e dessa vez ele não conseguiu contê-lo.
Lembrou-se da pergunta que Xênia fizera na noite anterior: "Se eu dissesse que estou prestes a morrer, você acreditaria?"
Lembrou-se do documento que ela segurava: "Câncer pancreático em estágio avançado".
Lembrou-se da fisionomia dela ao cruzar a porta de casa, transmitindo uma completa e absoluta desolação.
Samuel levantou-se de chofre e correu em direção à saída.
Ele precisava retornar para Florianópolis.
Imediatamente.
Capítulo 5
Já era alta madrugada quando retornou a Florianópolis.
Samuel não foi para casa; virou o carro em uma curva e seguiu direto para a escola de Xênia.
O campus no meio da noite parecia uma cidade fantasma, restando apenas a guarita do segurança com as luzes acessas.
Ele se identificou e o porteiro, após hesitar por um instante, pressionou o botão de abertura do portão.
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A sala de Xênia ficava no segundo andar, na última porta do corredor.
Samuel abriu a porta, acendeu o interruptor e encontrou o escritório exatamente como antes, perfeitamente arrumado, sendo ainda mais organizado do que o escritório dela em casa.
Sobre a escrivaninha, empilhavam-se planos de aula detalhados e cadernos de redação; no parapeito da janela, dois vasos de jiboia cresciam viçosos, com as folhas tão brilhantes que pareciam ter sido limpas à mão meticulosamente há pouco tempo.
Samuel caminhou até a mesa dela e puxou a primeira gaveta.
Não havia objetos de valor ali dentro, apenas cartelas vazias de medicamentos analgésicos fortes, um bilhete dizendo "lembrar de comprar pomada para reumatismo" e... um relatório de saúde de cinco anos atrás.
Ele pegou aquele documento, cujas folhas já estavam levemente amareladas.
Suas mãos começaram a tremer de forma incontrolável.
No relatório, o campo "Marcador Tumoral CA199" estava fortemente circulado com caneta vermelha.
O valor constava: 52 U/mL.
Ao lado, havia uma anotação feita a caneta com a faixa de normalidade: <37 U/mL.
No rodapé do documento, na área de recomendações médicas, estava escrito: "Indicadores alterados, sugere-se exames complementares."
E, logo abaixo daquela linha, estava a assinatura dele em traços rápidos e imponentes:
"Ciente, sem maiores gravidades. Samuel"
A mente de Samuel sofreu um estalo, como se algo tivesse explodido.
Cinco anos atrás... Naquela tarde de cinco anos atrás, ele estava no meio de uma videoconferência quando Xênia abriu a porta com cuidado e caminhou até o seu lado segurando aquele relatório.
Com o que ele estava irritado naquele momento?
Parecia ser mais uma ligação de Sabrina chorando por conta de prejuízos em seus investimentos.
Ele sequer olhou para o conteúdo do documento; apenas folheou até a última página, assinou com impaciência e empurrou o relatório de volta para as mãos dela:
"Não me venha com essas bobagens, não está vendo que estou ocupado?"
Ele nem se lembrava de qual fora a expressão dela naquela hora.
Não recordava se ela dissera alguma coisa.
Não lembrava... que ela, de forma tão séria, havia tentado pedir o seu socorro.
"Cinco anos atrás..."
A voz de Samuel travou na garganta, saindo de forma completamente despedaçada. "Os sinais já existiam há cinco anos..."
Ele desabou sentado sobre o piso frio; aquele relatório de saúde tão leve agora parecia pesado demais para conseguir segurar.
"Fui eu..."
Ele fixou os olhos naquela assinatura cortante, e cada letra parecia uma lâmina cravada em sua garganta. "Fui eu quem te destruiu..."
Nesse instante, o celular tocou repentinamente.
Era um número desconhecido, com o código de área de Florianópolis.
Samuel atendeu com as mãos trêmulas, a voz saindo rouca: "Alô?"
"Por favor, seria o Sr. Samuel?", questionou uma voz masculina e formal do outro lado da linha. "Aqui é da Delegacia de Polícia Costeira de Florianópolis."
O coração de Samuel sofreu um baque violento, e os nós dos seus dedos empalideceram ao segurar o aparelho: "Sou eu."
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"Nossa equipe de resgate localizou um corpo feminino nas águas próximas ao parque costeiro", informou o policial com total frieza na voz. "Com base nos pertences encontrados junto ao corpo e no cruzamento inicial de dados, há fortes indícios de que se trata de sua esposa, a Sra. Xênia."
"Solicitamos que compareça ao local o quanto antes para proceder com a identificação."
O celular escorregou de suas mãos, caindo contra o chão com um estalo.
Samuel estacou no lugar; o sangue em suas veias pareceu congelar instantaneamente naquele segundo, interrompendo até a sua respiração.
Ele tentou abrir a boca, mas não conseguiu emitir som algum.
Em sua mente, ecoavam repetidamente as mesmas palavras:
Localizou... corpo... identificação...
Não.
Impossível.
Xênia não morrera.
Ela estava apenas fazendo um drama, queria apenas puni-lo, deveria estar... escondida em algum lugar que ele desconhecia, esperando que ele fosse procurá-la.
Exatamente como fizera em todas as outras vezes.
A voz no telefone continuava chamando: "Sr. Samuel? O senhor ainda está na linha? Por favor, compareça..."
Samuel abaixou-se de forma mecânica para recolher o aparelho.
Seus dedos tremiam tanto que ele precisou de três tentativas até conseguir acionar o viva-voz.
"O endereço... me passe... o endereço..."
O policial ditou a localização.
Samuel não conseguia se lembrar de como deixou o escritório.
Ele desceu as escadas cambaleando e, ao tentar dar a partida no carro, suas mãos tremiam tanto que ele mal conseguia encaixar a chave.
Foi necessária uma terceira tentativa para que o motor finalmente rugisse.
Ele esterçou o volante com força, fazendo os pneus emitirem um ruído agudo no pátio silencioso da escola, e arrancou como uma flecha em direção à rua.
Samuel mantinha os olhos fixos na estrada, a fisionomia transtornada e os olhos vermelhos.
Sua mente revivia de forma descontrolada inúmeras lembranças:
A silhueta de Xênia de pé na cozinha preparando o jantar;
O perfil dela adormecida no sofá enquanto o esperava até tarde;
A expressão de profunda alegria que ela exibia ao receber qualquer presente simples que ele comprava por formalidade;
E aquela fisionomia da noite anterior... a última vez que ela olhara para ele, com aqueles olhos serenos que causavam aperto no peito.
"Se eu dissesse que estou prestes a morrer, você acreditaria?"
"Samuel, não quero mais esperar por você."
Ele pisou no freio bruscamente, fazendo o carro emitir um som estridente no cruzamento deserto.
Samuel debruçou-se sobre o volante, arfando pesadamente, sentindo o coração ser esmagado por uma força invisível, a ponto de a visão escurecer.
Não.
Não podia ser.
Xênia jamais morreria.
Ela o amava tanto, dedicara vinte e cinco anos a ele, como poderia... como poderia partir dessa forma?
Sim, com certeza era um equívoco.
Os policiais haviam se enganado.
Ele deu a partida novamente, pisou no acelerador até o fim e conduziu o veículo de forma frenética em direção ao endereço fornecido.
Capítulo 6
Do lado fora do necrotério, a atmosfera gélida parecia sufocar os pulmões.
Samuel permanecia parado diante da entrada, encarando aquela porta de ferro fechada, sentindo as pernas pesadas como chumbo, incapaz de dar um passo.
Ele ainda alimentava uma última esperança.
Talvez fosse um engano. Talvez fosse apenas alguém parecido. Talvez Xênia estivesse viva, em algum lugar escondido, esperando que ele fosse pedir perdão e tentar reconquistá-la.
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