"Aprendendo a Te Amar" Capítulo 2
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A sala estava tão vazia que causava um aperto no peito, restando apenas a luminária de chão acesa por esquecimento, projetando um feixe amarelado no canto da parede.
Ele massageou as têmporas latejantes e se sentou. As lembranças da noite anterior invadiram sua mente como golpes.
O rosto pálido de Xênia, aquela frase leve dizendo "estou prestes a morrer" e a silhueta dela se afastando, com uma determinação que não parecia dela.
"Não dá um minuto de sossego", resmungou ele, pegando o celular. A tela estava limpa, sem qualquer notificação.
Nenhuma chamada perdida, nenhuma mensagem nova.
Por impulso, abriu a conversa com Xênia. O último diálogo fora há três dias.
Era uma foto do almoço dela no refeitório da escola, acompanhada de um texto simples:
"Hoje tem carne de panela, lembre-se de comer no horário."
Naquele momento, ele estava ouvindo Sabrina reclamar sobre as dificuldades de um novo projeto, então apenas ignorou a mensagem, sem se dar ao trabalho de responder um simples "ok".
Samuel bagunçou os cabelos com frustração e caminhou até a mesa de centro.
O laudo médico continuava ali, com aquelas letras garrafais e nítidas.
Ao lado, havia um documento de acordo de divórcio.
Ele o pegou e folheou até a última página, parando o olhar abruptamente.
No final do documento, havia uma linha escrita com caligrafia delicada, a letra de Xênia:
"Todos os bens ficam para o nosso filho Henrique. Saio sem levar nada. Não me procure. — Xênia"
A frase "sem levar nada" feriu seus olhos como uma lâmina.
O coração de Samuel sofreu um baque violento, e uma angústia desconhecida e avassaladora subiu por seu peito, sufocando sua respiração.
Ele agarrou as chaves do carro para sair correndo, mas, assim que deu o primeiro passo, a razão o puxou de volta.
Certamente era o mesmo truque de sempre.
Usar o divórcio para ameaçá-lo, abrir mão de tudo para posar de orgulhosa... No final, ela não voltaria de cabeça baixa?
Ela o amava tanto, a ponto de tolerar Sabrina por vinte e cinco anos, como poderia realmente ter coragem de partir?
O celular tocou naquele instante. Era Sabrina.
"Samuel!~" A voz dela era doce como mel. "Você já saiu? Mandei o motorista te esperar no aeroporto."
Samuel checou as horas: "Falta uma hora para o voo."
"Então vou ficar te esperando na sala VIP." Sabrina hesitou por um instante, baixando o tom de voz com uma dose calculada de preocupação. "A propósito... a Xênia voltou para casa ontem à noite? Ela... está bem?"
"O que ela teria de errado?", respondeu Samuel com frieza, como se falasse de uma desconhecida. "O drama de sempre, daqui a dois dias ela volta sozinha."
Desligou o telefone e entrou no banheiro para tomar um banho.
Enquanto a água quente caía sobre seu corpo, ele de repente se lembrou de que Xênia sofria de reumatismo grave.
Sempre que o tempo ficava chuvoso, os joelhos e pulsos dela doíam tanto que ela passava as noites em claro, revirando-se na cama.
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Ontem à noite, quando ela saiu, usava apenas um vestido leve, sem levar sequer um casaco.
...Mas o que ele tinha a ver com isso?
Fora escolha dela ir embora.
Samuel desligou a torneira com força, enxugou-se, vestiu-se e saiu puxando a mala.
Ao trocar de sapatos no hall de entrada, notou um envelope branco sobre o armário com a inscrição: "Para Samuel".
Ele o abriu. Havia apenas um bilhete curto com uma frase:
"Quando você ler isto, eu provavelmente não precisarei mais esperar você voltar para casa."
Era a caligrafia de Xênia, muito firme e organizada.
Samuel encarou aquelas palavras por alguns segundos, deu uma risada de deboche, amassou o papel e o jogou na lixeira.
"Xênia," disse ele para o hall vazio, em tom de aviso, "quanto mais velha fica, mais infantil se torna. É melhor não esticar demais a corda."
"A minha paciência tem limite."
No caminho para o aeroporto, o coração de Samuel começou a palpitar violentamente sem motivo aparente.
Era como se uma mão invisível o estivesse apertando, deixando-o sufocado.
Ele abaixou o vidro do carro para deixar o vento frio entrar, mas o pressentimento ruim, em vez de dissipar, tornou-se ainda mais pesado.
Sua mente insistia em reviver a expressão de Xênia ao dizer aquela frase na noite anterior:
"Se eu dissesse que estou prestes a morrer, você acreditaria?"
Tão serena, tão fria... como se falasse da vida de outra pessoa.
Absurdo!
Samuel balançou a cabeça com força, tentando espantar aqueles pensamentos caóticos.
Ao chegar no aeroporto, Sabrina já o aguardava na sala VIP.
Ela usava um vestido branco e, assim que o viu, correu para os seus braços como uma borboleta:
"Samuel! Que saudade!"
Samuel, um tanto distraído, deu alguns tapinhas nas costas dela: "É."
"O que aconteceu?" Sabrina percebeu imediatamente que o humor dele estava alterado e enlaçou o braço dele, suavizando a voz. "Ainda está chateado por causa da Xênia?"
"Se quer saber a minha opinião, ela só fez isso para chamar a sua atenção, montou todo esse espetáculo."
"Quanto mais importância você der, mais vitoriosa ela vai se sentir."
Samuel permaneceu em silêncio, fixando os olhos na tela do celular.
A foto de perfil do aplicativo de mensagens de Xênia ainda era aquela imagem antiga.
Ela estava de pé atrás da mesa do professor, com o perfil sereno e o olhar brilhante.
Fora uma foto descompromissada que ele tirara há muitos anos, e ela a mantinha desde então, sem nunca mudar.
"Samuel?" Sabrina puxou a manga do paletó dele, com a voz dengosa. "Está na hora do nosso embarque..."
Samuel se levantou e começou a caminhar em direção ao portão de embarque puxando a mala.
Contudo, após dar alguns passos, ele parou abruptamente.
"Vá na frente," ele se virou, com a voz grave. "Vou remarcar para o próximo voo."
Sabrina empalideceu: "Por quê? Aconteceu alguma coisa?"
"Nada." Samuel já estava fazendo o caminho de volta, apressando o passo. "Lembrei de um assunto urgente que preciso resolver."
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"Mas..." Sabrina tentou segui-lo, mas ele desapareceu no corredor sem olhar para trás nenhuma vez.
Ela permaneceu ali parada, encarando o corredor vazio, mordendo os lábios enquanto cravava as unhas na palma da mão.
Samuel entrou no carro e deu a ordem ao motorista: "Para o parque costeiro."
Ele não sabia o que estava fazendo.
O carro avançava em direção à praia enquanto a paisagem exterior passava como um borrão.
Samuel fitava o próprio reflexo no vidro, batucando os dedos nos joelhos de forma inconsciente.
Ele se lembrou novamente da silhueta de Xênia partindo na noite anterior.
Tão magra, tão frágil, mas com as costas perfeitamente eretas, sem hesitar nem olhar para trás.
Não parecia ela.
Não parecia aquela mulher que sempre o esperava docilmente até a alta madrugada e que nunca ousava erguer o tom de voz.
O veículo estacionou na entrada do parque costeiro.
A praia estava deserta àquela hora da manhã, exceto por alguns idosos correndo e pelo grito solitário das gaivotas.
Samuel caminhou ao longo da linha d'água, parando finalmente sobre uma rocha negra.
Diante dele estendia-se um mar cinzento sob um céu igualmente nublado; o mundo inteiro parecia sufocado por uma névoa opaca.
De repente, ele sentiu uma vergonha imensa de si mesmo.
Como pudera realmente cogitar que ela tiraria a própria vida? Como pudera ser tolo a ponto de vir procurá-la na praia?
Xênia valorizava a vida e amava o filho mais do que tudo, jamais faria uma loucura dessas.
Com certeza era uma armação para puni-lo, para fazê-lo passar por esse desespero.
A essa hora, ela devia estar escondida em algum hotel confortável, rindo da sua estupidez e do seu pânico.
Samuel soltou uma risada de deboche, deu as costas ao mar e foi embora.
Capítulo 3
Ao retornar para a casa vazia, a irritação de Samuel tornou-se ainda mais intensa.
O perfume suave de jasmim de Xênia ainda pairava na sala, misturando-se com o aroma de rosas deixado por Sabrina, criando uma atmosfera estranha e desconfortável.
Ele caminhou até a mesa de centro, pegou o acordo de divórcio que havia amassado e alisado novamente, e sentiu a fúria arder ao encarar a assinatura elegante de Xênia.
Ele rasgou o documento ao meio e o atirou violentamente contra o chão.
"Se divorciar? Nem pensar!"
Não importava se Xênia estava realmente desesperada ou se estava apenas se escondendo de propósito, ela continuava sendo sua esposa e jamais escaparia dele nesta vida.
O celular tocou; era uma mensagem de Sabrina.
Ao abrir, deparou-se com o impresso de uma captura de tela de uma conversa.
O perfil de Xênia estava claramente visível, e a mensagem dizia:
"Professor Lucas, nos vemos em Búzios."
A resposta do outro lado era: "Combinado, Professora Xênia, fico à sua espera."
Abaixo da captura de tela, havia também uma fotografia.
Na imagem, Xênia exibia um sorriso radiante ao lado de um homem desconhecido, que vestia uma camisa bem alinhada e transmitia um ar elegante e sereno.
Em seguida, chegou uma mensagem de áudio de Sabrina, com um tom de surpresa forçadamente contido:
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