"Livre aos Trinta: O Diagnóstico que Mudou Tudo" Capítulo 1
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Capítulo 1
Depois de receber o diagnóstico de câncer, Sophia finalmente percebeu que nada na vida era insuportável.
O chefe arrogante? Ela simplesmente pediu as contas.
Os amigos falsos? Afastou-se de todos eles.
A sogra controladora? Falava tudo o que pensava, sem engolir sapos.
E o marido frio que nunca a amou? Ela descobriu que podia simplesmente deixá-lo para trás, sem olhar para trás.
Mais tarde, ela percebeu que sua vida, antes coberta por nuvens escuras, havia se transformado instantaneamente em um céu limpo e ensolarado.
...
"Sophia, o resultado da biópsia saiu. É um câncer de colo de útero em estágio avançado, e uma cirurgia ou radioterapia não trariam muitos resultados... Você tem, no máximo, seis meses..."
Dentro do consultório, o médico olhava para Sophia com os olhos cheios de compaixão.
Sophia sentiu um estrondo na mente, e sua visão ficou completamente em branco.
O Dr. Henrique logo acrescentou: "Sobre o Caleb, você prefere contar a ele ou quer que a nossa equipe faça isso?"
O Caleb a quem ele se referia era o marido de Sophia.
Ele também trabalhava ali, como cirurgião no mesmo hospital.
Sophia levou um longo tempo para conseguir pronunciar uma frase: "Eu mesma conto."
Ela não sabia como conseguiu caminhar para fora do hospital.
Olhando para o trânsito barulhento e a multidão nas ruas, não conseguia acreditar que lhe restavam apenas seis meses de vida.
Naquele instante, ela compreendeu perfeitamente uma frase que havia lido na internet.
"As pessoas não morrem apenas quando ficam velhas."
De repente, ela sentiu uma vontade imensa de largar tudo e usar aquele último período para fazer o que realmente queria.
Enquanto estava no carro a caminho de casa, o celular tocou.
Era Matheus, seu chefe: "Sophia, soube que você foi ao hospital. Está tudo bem?"
Ao ouvir a voz dele, Sophia apertou o aparelho involuntariamente.
"Câncer de colo de útero avançado. Só tenho seis meses."
Do outro lado da linha, fez-se um silêncio absoluto.
Sophia foi direta: "Por favor, encaminhe o meu desligamento. Não vou voltar para assinar papelada, quero aproveitar o tempo que me resta para viver de verdade."
Dito isso, ela desligou na cara dele.
Lá fora, a chuva começou a cair sem que ela percebesse, e as gotas escorriam lentamente pelo vidro do carro.
Sophia discou então o número do marido, Caleb.
A ligação chamou várias vezes até ser atendida. A voz do homem era fria, polida e distante.
"Eu estava no meio do expediente, aconteceu alguma coisa?"
Aquele tom não parecia o de um homem falando com a esposa de cinco anos de casamento, mas sim com uma completa estranha.
Sophia sentiu uma pontada incômoda no abdômen: "Venha para casa. Preciso te falar uma coisa."
"Tudo bem. Mas tenho um jantar com o pessoal do hospital hoje, vou chegar mais tarde", respondeu Caleb.
Sophia não disse nada e apenas encerrou a chamada.
Ela se pegou pensando se Caleb agiria da mesma forma se a pessoa pedindo para ele voltar fosse Juliana, sua ex-namorada.
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Se Juliana o chamasse agora, ele deixaria o jantar de lado para voltar correndo?
...
Ao chegar em casa, Sophia sentou-se sozinha no sofá da sala por um longo tempo, perdida em pensamentos.
Por fim, antes que Caleb retornasse, ela começou a arrumar as malas.
Duas malas grandes foram preenchidas rapidamente.
Ela deixou as bagagens no hall de entrada e sentou-se novamente, esperando por ele.
Eram dez horas da noite quando Caleb finalmente chegou. Vestindo roupas casuais, ele parou surpreso ao ver Sophia no sofá.
Ficava evidente que ele só se lembrara naquele momento de que ela tinha algo para lhe contar.
"O que você queria falar comigo?"
Sophia já estava acostumada com a indiferença dele. Ela apenas estendeu o relatório médico com serenidade.
"Fui fazer uns exames. O Dr. Henrique disse que estou com câncer de colo de útero avançado e tenho apenas seis meses de vida."
Ao ouvir as palavras dela, a expressão de Caleb ficou em branco por um instante.
Não houve dor, não houve tristeza, não houve um gesto de carinho.
Apenas perplexidade, como se não entendesse como Sophia, sendo tão jovem, pudesse contrair uma doença tão grave.
Como médico, ele sabia perfeitamente o que um estágio avançado significava.
Depois de um longo silêncio, ele finalmente falou: "Não pense no pior cenário. Amanhã vou conversar com o Henrique, com certeza existe algum tratamento."
Sophia ficou apenas olhando para Caleb.
Esse era o comportamento do homem com quem estava casada há cinco anos ao saber de sua doença.
Ela não conseguia enxergar um único traço de sofrimento nos olhos dele.
Depois de muito tempo, ela se levantou com os passos um pouco vacilantes: "Caleb, você sabe? Você faz com que eu me sinta completamente inútil, um fracasso total."
Sem esperar resposta, ela não olhou mais para ele e caminhou em direção à porta.
Foi só então que Caleb notou as malas paradas no hall.
"O que significa isso?"
Sophia segurou a alça da mala e não olhou para trás: "Restam apenas seis meses. Quero viver por mim mesma uma vez na vida, fazer o que eu realmente quero e ver o mundo antes do fim."
Caleb deu alguns passos rápidos e segurou a mão dela.
"No seu estado atual, você não pode sair por aí sozinha. Minha agenda está cheia de cirurgias nas próximas semanas, eu não vou conseguir te acompanhar."
Sophia sentiu uma irritação profunda ao ouvir aquilo.
Ela puxou o braço com força, desfazendo o aperto de Caleb.
"Caleb, você não faz ideia do quanto soa falso. Claramente você não se importa, mas ainda tenta manter essa fachada de marido preocupado."
"Esse seu jeito me faz sentir péssima. Como eu pude escolher você para ser meu marido?"
Sophia sempre soube que tinha sido apenas uma distração na vida dele.
Caleb havia se casado com ela apenas para tentar esquecer Juliana, o grande amor de sua vida, logo após ela ter se casado com outro.
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Sem se importar com o olhar chocado dele, Sophia puxou suas malas e cruzou a porta sem olhar para trás.
...
Sophia comprou a passagem para o primeiro voo disponível.
Primeira classe, com destino a Gramado.
Na sala VIP do aeroporto, ela tirou uma foto do seu primeiro bilhete de primeira classe na vida.
E postou em sua rede social.
"Contagem regressiva de 180 dias. Hora de aproveitar os últimos momentos da vida."
O avião decolou, e Sophia ficou observando o céu azul e as nuvens brancas pela janela.
Ela pensou que, de certa forma, era mais sortuda do que a maioria das pessoas, pois sabia exatamente quando iria partir.
Neste mundo, alguns morrem em acidentes trágicos, outros esperam pela velhice. Quem sofre um acidente não sabe quando o fim virá, e quem envelhece não sabe com quantos anos vai fechar os olhos.
Mas ela sabia. Sabia quantos dias exatos ainda tinha para viver.
Na manhã seguinte, Sophia finalmente desembarcou em seu destino.
Ao sair do aeroporto, um veículo particular enviado pelo hotel cinco estrelas já a esperava.
O motorista foi extremamente atencioso durante todo o trajeto.
O interior do carro estava abastecido com lanches e bebidas variadas.
Sentada no banco de trás, ela não sentia solavancos ou qualquer mal-estar da viagem.
Sophia se lembrou de como Caleb era obcecado por limpeza.
No passado, quando andava no carro dele e sentia tonturas por queda de glicose, ela não podia comer nem uma bala para melhorar.
Quando o enjoo apertava, tudo o que Caleb dizia era: "Não vá sujar o meu carro."
Agora, ela podia fazer o que bem entendesse, sem precisar se moldar às exigências de ninguém.
Nesse momento, o telefone começou a tocar.
Era Caleb.
Assim que atendeu, ouviu a pergunta do outro lado: "Sophia, onde você está agora?"
"Em Gramado."
A voz de Caleb manteve o tom plano de sempre: "Vou emitir a sua passagem de volta. Volte imediatamente."
"A Juliana conhece um especialista renomado em oncologia ginecológica. Já entrei em contato com ele. Assim que você chegar, vou te levar para uma consulta."
Juliana era a ex-namorada de Caleb, seu primeiro amor.
Uma era ginecologista e o outro, um cirurgião brilhante. Embora trabalhassem no mesmo complexo hospitalar, Caleb passou todos esses anos sem manter contato aparente com Juliana. No entanto, Sophia sabia que ele nunca a havia esquecido.
Ela se lembrava de uma noite em que viu o carro de Caleb estacionado em frente ao prédio da ala médica onde Juliana trabalhava. Ele passou a noite inteira ali dentro, apenas observando a janela do setor dela. Sophia também sabia da existência de uma pasta oculta no celular dele, cheia de fotos do namoro dos dois nos tempos de faculdade.
Caleb havia se contido por tantos anos e, agora, por causa da doença da esposa, tomara a iniciativa de procurar Juliana.
Diante da lembrança, Sophia soltou um riso amargo.
"Não precisa, obrigada. Só quero passar meus últimos dias em paz, não quero morrer presa em uma cama de hospital."
"E se você quiser manter contato com a Juliana, sinta-se à vontade. Afinal, eu não vou durar muito tempo mesmo."
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