"Quando o Filho do Bilionário Escolheu a Empregada" Parte 2
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Helena puxou o lençol com força e, para sua completa surpresa e horror, revelou dezenas de pequenos grampos de metal, alinhados de forma quase perfeita, espalhados pelo colchão.
Cada um reluzia sob a luz do lustre, uma ameaça silenciosa, mortal e cruel para o bebê indefeso que ainda se contorcia nos braços de Helena.
Lucas se debatia com força, os olhos grandes e molhados, a boca aberta em um grito de desespero que parecia atravessar todas as paredes da mansão. Helena engoliu em seco, sentindo o frio da raiva e do medo percorrer sua espinha.
Como alguém podia planejar algo tão cruel contra aquele pequeno ser? O coração dela se apertava a cada soluço de Lucas.
“Não… não enquanto eu estiver aqui,” murmurou Helena, a voz firme apesar do terror. Ela segurava Lucas com força, o corpinho minúsculo pressionado contra o peito.
Cada respiração dele tremia nos braços dela, e ela sentiu uma onda de determinação que a fez ignorar o medo. Não permitiria que ninguém machucasse Lucas — nem Elisa, nem qualquer outra pessoa da mansão.
Nesse momento, a porta se abriu abruptamente e Elisa apareceu na entrada do quarto, com os olhos fulminando, o vestido de seda impecável balançando levemente conforme ela avançava pelo corredor polido.
“O que você está fazendo, Helena?!” exclamou, a voz cheia de raiva e desprezo. “Por que ainda não fez ele parar de chorar?”
Helena levantou o olhar, mantendo a postura firme, mesmo sentindo a tensão nos ombros e o coração disparado. “Dona Elisa, ele está ferido. Tem algo de errado no berço!”
O rosto de Elisa se contraiu em uma expressão de choque misturada com raiva. “Ferido? Você está inventando! Eu não pago para você inventar problemas, Helena! Faça ele parar, ou procure outro emprego!”
Helena respirou fundo, lutando para manter a calma. “Não posso ignorar isso. Ele corre perigo. Eu não vou deixá-lo sozinho.”
Elisa deu um passo à frente, aproximando-se perigosamente do berço, o olhar rígido, quase desafiando Helena. “Você acha que sabe mais do que eu? Que sabe mais do que toda a família Albuquerque? Eu sou a mãe dele! Eu decido o que é melhor!”
O bebê gemeu, agitava as mãos e tentava se soltar. Helena sentiu a pressão aumentar, a raiva fervendo dentro dela. Cada palavra de Elisa parecia aumentar o peso do ar, mas ela não recuou.
Segurando Lucas com firmeza, aproximou-se do colchão novamente e começou a remover cuidadosamente cada grampe, sentindo a textura fria do metal entre os dedos, o cheiro de metal misturado ao perfume fraco do bebê.
“Está vendo, Lucas?” sussurrou Helena, inclinando-se para beijar a testa molhada de lágrimas. “Não vou deixar ninguém te machucar. Eu estou aqui, sempre vou estar.”
Elisa observava, ainda incrédula, os olhos fixos nos pequenos grampos que Helena retirava com precisão.
Havia algo nos gestos de Helena, na firmeza da mão, no cuidado com o bebê, que a deixava sem resposta. Um misto de frustração e dúvida passou pelo seu olhar. Mas, orgulhosa e arrogante como sempre, ela não admitiria isso.
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“Você está exagerando!” disse Elisa, a voz tremendo de raiva. “Não há perigo algum! Isso é drama desnecessário!”
Helena ergueu os olhos para Elisa, firme. “Não é drama, Dona Elisa. Ele não consegue se proteger sozinho, e eu não vou fechar os olhos para o que está acontecendo.”
O bebê chorava com força, mas quando Helena o segurava mais próximo, seu corpo se acalmava ligeiramente, ainda tenso, mas menos violento.
Ela sentiu o coração dele bater contra o seu, cada batida uma lembrança da vulnerabilidade daquelas pequenas mãos e pés, e da responsabilidade imensa que pesava sobre seus ombros.
Elisa deu um passo para trás, o olhar de fúria ainda presente, mas com uma ponta de preocupação surgindo, algo que ela tentaria ignorar. “Você… você está se intrometendo demais,” disse, a voz baixa e ríspida, quase um sussurro para si mesma.
Helena respirou fundo e manteve os olhos no bebê. “Ele confia em mim. E eu confio nele. Agora ele está seguro, Dona Elisa. Eu garanto isso.”
O silêncio caiu por alguns segundos. O choro de Lucas diminuía gradualmente, os soluços mais espaçados, a respiração voltando ao normal.
Helena sentiu uma pontada de alívio, mas sabia que a batalha estava longe de terminar.
Alguém havia colocado aqueles grampos no berço, e a mansão inteira parecia esconder mais segredos do que ela poderia imaginar.
Elisa se afastou da porta, os lábios pressionados em uma linha rígida. O orgulho da mãe milionária não permitia que admitisse qualquer falha ou medo.
Mas Helena percebeu, no canto do olhar dela, a sombra de dúvida, um leve tremor de consciência que Elisa rapidamente tentou dissipar.
“Isso não vai se repetir,” disse Helena, firmemente. “Enquanto eu estiver aqui, Lucas estará seguro. Eu não vou permitir que ninguém o machuque novamente.”
Ela olhou para os grampos removidos, espalhados pelo chão do quarto luxuoso, reluzindo sob a luz dourada do lustre.
A cena parecia absurda, quase surreal: uma criança indefesa, uma empregada determinada e uma mãe milionária incapaz de reconhecer o perigo real.
“Você vai pagar por isso,” murmurou Elisa, mais para si mesma do que para Helena.
A mansão estava silenciosa agora, exceto pelos soluços suaves de Lucas.
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