"Ela Comprou um Mendigo... e Ele Era Bilionário" Capítulo 3 — Um Começo Inesperado
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A manhã trouxe consigo uma luz tímida, filtrada pelas frestas do telhado de zinco da pequena casa de Dona Lourdes.
Leo abriu os olhos devagar. A cabeça latejava, a febre ainda queimava, e o corpo doía em cada movimento. Ele piscou algumas vezes, tentando entender onde estava.
Não havia móveis sofisticados, nem paredes decoradas, nem qualquer luxo que pudesse lembrá-lo de sua antiga vida — tudo era simples, humilde, familiar.
Ele virou o corpo com cuidado, sentindo a dor nos braços e pernas. Cada respiração era difícil.
O chão de cimento frio estava úmido e escorregadio. Ele tentou se sentar e seu olhar se perdeu pelo pequeno espaço:
uma mesa torta, cadeiras de madeira rachadas, utensílios simples, um fogão de ferro com algumas panelas velhas.
— "Onde diabos… estou?" — murmurou, a voz rouca, entre a febre e o cansaço.
Nesse instante, Pedrinho apareceu, correndo quase tropeçando.
— "Bom dia! Você acordou!" — disse, com o entusiasmo infantil, segurando uma pequena sacola de doces.
Leo olhou para ele, confuso. — "Quem é você?"
Pedrinho ergueu os ombros. — "Eu sou Pedrinho. Moro aqui. E você… é novo, né?"
Leo suspirou, tentando assimilar a situação. — "Sim… acho que sim."
Enquanto isso, Mariana entrou na cozinha carregando uma xícara de café fumegante, os cabelos ainda molhados pela chuva da noite anterior.
— "Você acordou!" — disse, tentando equilibrar a ansiedade com uma leveza que não conseguiu esconder. — "Eu… eu trouxe algo quente. Deve estar frio, né?"
Leo tentou se levantar, sentindo o corpo pesado, e olhou para ela. — "Café… e quem… você é?"
Mariana respirou fundo. — "Eu… eu comprei você."
Leo piscou, sem entender. — "Comprou… eu?"
— "Sim." — Mariana respondeu, hesitante, corando levemente.
— "Não sei como explicar direito… aqueles homens, ontem à noite, queriam levá-lo. Eu não podia deixar isso acontecer. Então juntei dinheiro e trouxe você pra cá."
Leo franziu a testa, tentando processar. Suas mãos ainda tremiam levemente, os braços machucados doíam, e a febre fazia a cabeça girar.
Ele olhou para o chão úmido, para a janela com a chuva ainda caindo, e depois para Mariana.
— "Dinheiro?" — murmurou. — "Você… me comprou com dinheiro?"
Mariana assentiu, e Pedrinho, sem querer, riu: — "Ela não mente."
Leo franziu a sobrancelha, sentindo algo entre incredulidade e diversão. — "Então vocês realmente se preocuparam comigo?"
Mariana sentou-se perto dele, colocando a xícara de café sobre a mesa. — "Claro. Você estava indefeso. Não podia ficar lá, sozinho, na chuva, naquela situação."
Leo olhou ao redor. Tudo era novo para ele: o chão úmido, o cheiro de comida simples, o barulho distante de crianças brincando, um cachorro latindo, o som do forró vindo de algum barraco próximo. Era uma cacofonia que parecia quase impossível de decifrar.
— "Isso… isso é… minha casa agora?" — perguntou, ainda confuso.
— "Não. Mas você pode ficar aqui até se recuperar." — Mariana respondeu, tentando manter o tom firme, mas suave. — "E depois… veremos."
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Leo soltou um suspiro pesado, observando cada detalhe. Os utensílios simples, a comida modesta, até a postura de Pedrinho. Um garoto que parecia inofensivo, mas com uma energia capaz de deixá-lo alerta.
— "Você realmente fez isso por mim?" — murmurou ele, ainda incrédulo.
Mariana assentiu. — "Você estava em perigo. E… eu não podia ignorar."
Leo olhou para ela, confuso, ainda sentindo o corpo fraco, mas também tocado. Pela primeira vez, sentiu-se vulnerável de um jeito que não estava acostumado. Vulnerável e… curioso.
Dona Lourdes entrou com uma toalha para ajudá-lo a se limpar, com um sorriso gentil, mas cauteloso:
— "Vamos tentar deixá-lo mais confortável. Não posso prometer muito, mas está seguro aqui."
Leo observou cada gesto dela, cada cuidado. Nunca havia experimentado algo assim. Algo genuíno, sem interesse, sem expectativa, apenas bondade.
Pedrinho mexia nos brigadeiros, olhando para Leo de vez em quando. — "Você gosta de brigadeiro?" — perguntou, com a inocência típica da favela.
Leo olhou para o doce e depois para o menino. Um sorriso involuntário escapou de seus lábios. — "Nunca comi nada assim."
Mariana sorriu. — "Então vai aprender rápido."
E naquele instante, entre a febre, a dor e o choque cultural, algo mudou dentro dele. Ele percebeu que, por enquanto, não precisava entender tudo. Que podia simplesmente estar ali, naquele pequeno espaço da favela, cercado por pessoas que — de algum modo — se importavam.
Ele olhou para Mariana e, pela primeira vez, percebeu algo que não conseguia explicar: aquela garota corajosa, decidida, parecia mais forte do que qualquer coisa que ele já conhecera.
— "Então… você realmente me comprou?" — murmurou, tentando arrancar alguma lógica da situação.
Mariana apenas assentiu, sem conseguir conter um sorriso tímido.
Leo deixou a cabeça cair para trás, exausto, mas consciente de uma coisa: aquela noite e aquela manhã acabavam de mudar tudo.
E, no fundo, ele sabia que não se tratava apenas de estar seguro. Havia algo mais. Algo que ele ainda não compreendia.
— "Quem é essa garota?" — pensou ele, observando Mariana e o mundo simples ao redor.
E aquele pensamento permaneceu com ele, inquietante, até o momento em que finalmente fechou os olhos, deixando a febre e o cansaço se misturarem, mas sem conseguir deixar de pensar nela.
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