"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 35
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Capítulo 35: O Empate Perfeito
O pátio central do Instituto Santa Cruz estava tomado por uma multidão eletrizante de estudantes, professores e membros do conselho diretivo.
O burburinho de centenas de vozes ecoava pelo teto de vidro monumental, criando uma reverberação ríscida que subia pelas colunas de sustentação.
Naquela manhã, a habitual frieza aristocrática da instituição de elite fora completamente substituída pela ansiedade devoradora da divulgação dos resultados finais de formatura. O destino do ranking anual estava prestes a ser revelado.
No centro do salão, o grande mural de mármore negro — onde, geração após geração, apenas os nomes das linhagens puristas mais poderosas eram cravados — permanecia coberto por uma cortina de veludo escuro.
Dante Valente estava parado a poucos metros da estrutura, com as mãos relaxadas dentro dos bolsos da calça social do uniforme.
O colarinho de sua camisa branca continuava aberto, deixando a marca nítida e avermelhada dos dentes de Bernardo Imperial exposta com uma audácia inabalável. Ele não exibia nenhum traço de hesitação.
Sua mente, estabilizada pelo elo biológico e revigorada pelas semanas de estudo intenso, operava em uma calmaria profunda. Ele sabia exatamente o suor e o sangue que depositara em cada folha de cálculo daquele anfiteatro.
Passo. Passo.
Bernardo Imperial aproximou-se pela lateral, cortando o espaço social com sua habitual imponência de um metro e oitenta e nove.
O terno cinza estava impecável, e os óculos de armação dourada repousavam sobre o nariz reto, refletindo os flashes das câmeras dos jornais internos da escola.
Ele parou ao lado de Dante, liberando uma lufada discreta de seu feromônio de sândalo e tempestade gélida, um apoio silencioso que fez a nuca do menor pulsar com um calor reconfortante.
— Pronto para o veredito, Dan? — Bernardo quebrou o silêncio, a voz saindo em um tom extremamente baixo, grave e denso, audível apenas para o seu Ômega.
— Eu nasci pronto, Imperial — Dante rebateu, inclinando a cabeça milimetricamente com um deboche afiado e confiante nos lábios escuros. — Só espero que você tenha preparado o estômago para engolir o segundo lugar.
— Nós veremos — Bernardo deu um sorriso imperceptível, os olhos cor de âmbar fixos na cortina que começava a deslizar.
Com um som seco de carretilhas, o veludo escuro caiu, revelando as gravações em letras douradas no mármore negro.
O refeitório e o pátio inteiro congelaram de golpe. Um silêncio sepulcral, ríscido e carregado de um choque absoluto, desabou sobre a multidão de elite.
Os diretores ajustaram os óculos, os fiscais de prova empalideceram e os alunos da ala dos Alfas arregalaram os olhos, incapazes de processar a imagem no topo da estrutura.
Pela primeira vez na história centenária do Instituto Santa Cruz, não havia um vencedor soberano. Havia um empate perfeito no primeiro lugar do ranking de elite, ambos os candidatos cravando a nota máxima centesimal em todas as disciplinas de exatas, biológicas e geopolítica.
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Os nomes de Dante Valente e Bernardo Imperial estavam gravados juntos, lado a lado, na mesma linha dourada, dominando o topo do mundo acadêmico e financeiro de São Paulo.
— Um empate... — Lico balbuciou na terceira fileira, a voz quebrando em puro espanto. — Eles conseguiram a nota máxima. Os dois!
A Realização Absoluta de seu valor próprio atingiu o peito de Dante como uma descarga elétrica. Ele olhou para o mármore, sentindo as lágrimas de satisfação — dessa vez, limpas de qualquer dor ou humilhação biológica — ameaçarem brotar em seus olhos escuros.
Ele provara a cada um dos patriarcas, ao conselho purista e a si mesmo que seu intelecto era indomável.
A quebra do paradigma de que um Ômega não pode reinar ao lado de um Alfa consolidava-se de forma incontestável na parede do colégio: ele não era uma presa fragilizada ou um acessório político; ele era um rei por direito próprio, governando a dinastia acadêmica com a mesma ferocidade com que comandava o ringue de boxe.
Bernardo desviou o olhar do mural e focou o rosto suado e radiante de Dante. Uma satisfação completa, profunda e predatória preencheu sua expressão aristocrática.
O destino compartilhado que ele desenhara desde o início do Pacto do Pecado na biblioteca estava selado de forma justa, limpa e inquestionável.
— Eu avisei que as notas de rodapé eram o segredo, meu marrento — Bernardo sussurrou, a voz rústica de orgulho roçando os fios pretos de Dante.
— Cala a boca, engomado — Dante respondeu, o coração batendo em um compasso frenético de pura adrenalina e êxtase. — Você não me deu nada. Eu arranquei isso de você no braço.
— Eu sei — Bernardo admitiu, inclinando o torso largo para a frente. — E é por isso que você é a única fera digna de dividir o trono comigo.
O gancho daquela celebração épica desenhava as linhas do próximo capítulo de suas vidas fora dos muros do colégio.
A formatura, que aconteceria no final da semana, não seria apenas uma entrega de diplomas; seria o cenário perfeito para o anúncio da marca permanente e definitiva que unirá suas linhagens e seus clãs para sempre, rasgando o contrato de casamento arranjado que o Velho Imperial tentara impor no baile. Eles governariam o norte e o sul sob as suas próprias regras biológicas.
O silêncio chocado do pátio central começou a se romper. Lico e Luan deram o primeiro passo à frente, iniciando uma salva de palmas barulhenta que logo contagiou os outros Betas do time de atletismo e o resto dos alunos, estourando a bolha de opressão do colégio em uma celebração coletiva de vitória dupla.
Dante deu um sorriso largo, debochado e absurdamente lindo, os dentes cravados de leve no lábio inferior. Ele quebrou a distância de segurança que os separava no centro do pátio, esticando a mão direita enfaixada em direção ao peito largo de Bernardo.
Com um movimento contínuo, rápido e ríscido, Dante segurou a gravata de seda do terno de Bernardo e a puxou para baixo com força, forçando o Alfa Rei a curvar o corpo longo em sua direção.
Sem dar a mínima importância aos flashes das câmeras, aos diretores boquiabertos ou aos olhares dos patriarcas ao fundo, Dante inclinou o rosto e beijou Bernardo nos lábios de forma totalmente voluntária, intensa e profunda no centro do pátio, selando a sua soberania absoluta nos braços do rival sob os aplausos ensurdecedores que ecoavam pelo topo do mundo.
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