"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 33
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Capítulo 33: Confissão na Banheira
O zunido abafado do trânsito da Avenida Paulista parecia pertencer a outro mundo, deixado de fora pelas grossas paredes de vidro duplo da cobertura privada de Bernardo Imperial.
O apartamento exalava uma modernidade sóbria e minimalista, mas o silêncio que preenchia as salas amplas era quebrado apenas pelo som da água quente correndo na suíte master.
Bernardo levou Dante direto para o banheiro principal, um espaço revestido de mármore escuro e iluminado apenas por luzes embutidas de tom quente.
Sem dizer uma única palavra, o Alfa Rei ajoelhou-se na borda da imensa banheira de imersão, abrindo as torneiras de metal escovado e ajustando a temperatura até que o vapor começasse a subir, embaçando os espelhos e criando uma atmosfera de isolamento absoluto.
Dante estava sentado no banco de apoio, com o paletó de Bernardo ainda jogado sobre os ombros e a gola alta preta parcialmente rasgada na lateral, um testemunho mudo da Bruteza de Marcos.
Suas mãos enfaixadas tremiam levemente, não mais pela opressão dos feromônios, mas pelo início de um choque pós-traumático que começava a cobrar a conta de seu sistema nervoso.
— A água está pronta, Dan — Bernardo quebrou o silêncio, a voz saindo em um tom extremamente baixo, grave e desprovido de qualquer comando ríscido. — Deixe-me ajudar com isso.
Devagar, com uma delicidez cirúrgica que contrastava com a fúria assassina que demonstrara no vestiário, Bernardo aproximou-se.
Seus dedos longos tocaram o tecido da gola alta de Dante, puxando-o para cima com cuidado para não machucar a nuca marcada. Dante não protestou.
Ele permitira que Bernardo retirasse o resto de suas roupas amarfanhadas, restando apenas as bandagens de boxe que o Alfa desenrolou com calma, revelando os nós dos dedos avermelhados e limpos do menor.
Dante entrou na banheira devagar, afundando o corpo atlético até o peito na água febril.
No primeiro minuto, o calor da água ajudou a relaxar os músculos tensos pela batalha mecânica, mas, à medida que a adrenalina da briga evaporava sob o vapor do ambiente, a barreira mental de Dante colapsou por completo.
A humilhação erótica de ter sido encurralado, o terror real da exposição coletiva e o peso de sua nova biologia desabaram sobre seu peito de golpe.
Os olhos escuros de Dante marejaram, e ele escondeu o rosto entre os joelhos dobrados, soltando um soluço agudo e sufocado. As lágrimas de frustração pura misturaram-se à água da banheira.
A Queda Definitiva das Barreiras de Orgulho acontecia ali, no centro da cobertura de luxo do rival; o bad boy intocável do Instituto Santa Cruz estava chorando, despido de qualquer marra ou deboche afiado, entregue à sua própria fragilidade.
— Por que... por que isso está acontecendo comigo, Bernardo? — Dante chorou, os ombros trêmulos sacudindo na água quente. — Eu treinei... eu estudei... eu fiz tudo certo para não ser um maldito estorvo na cadeia deles. E agora eu sou isso... um brinquedo no meio do tabuleiro de vocês.
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Bernardo assistiu ao desespero de Dante da borda do mármore. Seus maxilares travaram de forma ríscida, e o lobo em seu peito rugiu de dor ao ver a fera encurralada sofrer daquela forma. Bernardo não pensou em protocolos ou na integridade de suas roupas sociais.
Splash.
Num movimento contínuo e ríscido, Bernardo entrou na banheira de calça, camisa social branca e tudo, ignorando o tecido que grudou instantaneamente em sua pele sob o calor da água.
Ele escorregou pelo mármore até se posicionar exatamente atrás de Dante, envolvendo o corpo trêmulo do menor com seus braços robustos e puxando-as costas do bad boy contra o seu peito largo.
A Cura Emocional Através do Toque ativou-se no mesmo milissegundo. Dante retesou o corpo por um segundo, mas o aroma puro de sândalo e tempestade gélida que emanava das roupas úmidas de Bernardo funcionou como um bálsamo psicológico.
Dante cedeu, jogando a cabeça para trás no ombro do Alfa e permitindo-se receber o conforto erótico do rival de infância.
— Você não é o brinquedo de ninguém, Dan — Bernardo sussurrou rente ao ouvido do menor, a voz saindo densa, rouca e carregada de uma vulnerabilidade oculta que ele nunca mostrara a viva alma. — E você nunca fez nada errado. Aqueles idiotas não chegam aos seus pés, nem no ringue e nem no anfiteatro.
— Você fala isso porque está no topo... — Dante arquejou, as lágrimas diminuindo à medida que o calor de Bernardo anestesiava sua dor biológica. — Você sempre esteve no topo.
— Eu estou no topo porque precisava que você olhasse para mim — Bernardo confessou, os dedos longos acariciando o braço enfaixado de Dante sob a água. — Você acha que esse Pacto do Pecado começou na biblioteca por causa de um simulado? Eu estudo a sua rotina há anos, Dan. Eu assisto a cada uma das suas lutas no ringue desde que éramos crianças.
Essa arrogância purista que eu uso no colégio... tudo foi para fazer você me focar, para fazer você tentar me derrubar. Eu amo essa sua ferocidade selvagem desde o primeiro dia. Eu amo você, meu marrento. E eu não vou deixar o conselho, o meu avô ou ninguém tirar você do meu território.
Dante arregalou os olhos escuros sob o vapor do banheiro, o coração batendo de forma frenética contra as costelas.
A entrega da vulnerabilidade de Bernardo foi um choque mais profundo do que a própria mordida na serra.
O Alfa Rei, o herdeiro intocável do norte, estava confessando um amor antigo e possessivo, desarmando-se de sua fachada de gelo para se deitar na água com o seu maior inimigo.
O gancho daquela cura desenhava uma resolução definitiva para o final do ano. Dante sentiu a força retornar ao seu sistema nervoso através do elo celular sintonizado.
O medo da exposição sumira; ele tomara a decisão de assumir o relacionamento carnal e territorial com o rival diante de toda a instituição de elite e enfrentar o exame final de cabeça erguida, provando aos patriarcas que o trono pertencia a eles.
— Bernardo... — Dante pronunciou o nome do Alfa em um tom calmo, controlado e absurdamente profundo.
Devagar, quebrando o encaixe dos braços, Dante girou o corpo na água quente, ficando de frente para Bernardo.
Seus olhos escuros fixaram-se nas pupilas cor de âmbar que brilhavam sem os óculos na penumbra do mármore.
Dante esticou as mãos, segurando o colarinho encharcado da camisa branca de Bernardo.
Num impulso de rebeldia carnal, Dante vira o rosto e beija Bernardo nos lábios pela primeira vez de forma totalmente voluntária, intensa e profunda, selando o início de sua nova era de soberania nos braços do Alfa Rei.
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