"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 28
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Capítulo 28: Ciúme e Confronto
O refeitório do Instituto Santa Cruz estava lotado, imerso no barulho caótico de centenas de talheres batendo em pratos de porcelana e risadas ecoando pelo teto alto de vidro.
O cheiro de café fresco e massas misturava-se ao ar abafado do meio-dia paulistano. Era o cenário perfeito para a vida social da elite, mas, para Dante Valente, era a arena ideal para iniciar um incêndio controlado.
Dante estava sentado em uma das mesas centrais, cercado por Lico e um grupo de Betas da equipe de atletismo.
Para provocar Bernardo e testar os limites do vínculo temporário que os unia desde a madrugada na serra, o bad boy adotara uma postura inédita: ele ria de forma solta, jogando a cabeça para trás e gesticulando com os braços relaxados.
Suas mãos enfaixadas seguravam um copo de suco enquanto ele mantinha uma conversa animada com um dos atletas, fingindo uma leveza que ele sabia que seria captada pelo faro do rival do outro lado do salão.
— Você tinha que ter visto a cara do Marcos quando o treino acabou, Valente! — um dos Betas comentou, inclinando-se para frente e rindo alto enquanto batia de leve no braço de Dante. — O cara parecia que ia engolir o próprio apito de tanta raiva!
— Eu vi — Dante respondeu, o deboche afiado brilhando em seus olhos escuros enquanto ele sustentava o sorriso e olhava de soslaio para o fundo do salão. — Aquele ali não passa de um cachorro que late muito, mas não aguenta dois rounds de verdade no Ringue. Se ele tentar me fechar na pista outra vez, vai sair de lá de maca.
— Você tá muito falante hoje, chefe — Lico comentou, arqueando as sobrancelhas ao notar a animação incomum do amigo. — Achei que o simulado de sexta tivesse te deixado de mau humor até o mês que vem.
— O simulado já passou, Lico. O que importa é quem vai ditar as regras daqui para frente — Dante rebateu, elevando sutilmente o tom de voz para garantir que a provocação viajasse pelo ar abafado. Ele pegou um pedaço de fruta e ofereceu ao Beta ao seu lado. — Come aí. O treino de hoje vai ser pesado, e eu quero ver todo mundo no meu ritmo.
Dante divertia-se com a provocação mecânica. Ele sentia a nuca, protegida pela gola alta, pulsar sutilmente.
A cada risada forçada que dava ou a cada vez que permitia que um dos garotos se inclinasse um pouco mais para perto de seu espaço pessoal, ele testava a elasticidade da coleira invisível que Bernardo Imperial havia colocado em seu pescoço.
Era um jogo perigoso de ciúmes, o tipo de dinâmica que o BookTok idolatrava, onde a presa puxava a corda do predador apenas para ver as garras aparecerem.
Duas fileiras de mesas de distância, na área reservada aos membros do grêmio estudantil, Bernardo assistia a toda a cena de sua mesa isolada.
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O terno cinza estava perfeitamente alinhado, e os óculos de armação dourada repousavam sobre o nariz imponente.
À sua frente, um caderno de anotações de física permanecia aberto, mas os olhos cor de âmbar de Bernardo não liam uma única linha das equações. Eles estavam completamente fixos na silhueta de Dante.
A cada segundo que passava, o âmbar de suas pupilas escurecia de um ciúme possessivo e primitivo, uma quebra total na postura de controle inabalável que sempre o definira como o ápice do conceito de Alfa contido e purista.
— Senhor Imperial? — um dos secretários do grêmio chamou, estendendo um relatório de custos. — Preciso da sua assinatura nos termos do conselho para a próxima semana...
Bernardo não respondeu. Seus olhos piscaram milimetricamente quando o Beta na mesa de Dante tocou de leve no ombro do menor.
Crack.
O som ríspido e seco do plástico se partindo cortou a fala do secretário. Bernardo quebrou ao meio a caneta de alta precisão que segurava entre os dedos longos, a tinta preta manchando o papel texturizado do caderno sem que ele sequer piscasse. A perda temporária do controle estourou a bolha aristocrática.
No mesmo milissegundo, Bernardo liberou uma pressão massiva de seus feromônios territoriais de forma inconsciente.
O aroma denso de sândalo concentrado e tempestade gélida expandiu-se pelo perímetro como uma onda de choque térmica, cortando o oxigênio e congelando a atmosfera do refeitório de golpe.
O silêncio desabou sobre o salão. Alunos de todas as castas biológicas travaram os talheres no ar, sentindo os pelos dos braços se arrepiarem com o frio repentino e opressor que emanava do herdeiro do norte.
Os Betas que conversavam com Dante engoliram as risadas de imediato, empalidecendo diante da presença sufocante que parecia esmagar o ambiente. Era o Ciúme Possessivo do Alfa Rei quebrando a máscara de gelo de Bernardo em público pela primeira vez na história da instituição.
Dante sentiu o impacto biológico direto na base do pescoço. A marca sob a gola alta ardeu como uma brasa viva, e um calafrio violento subiu por sua espinha, arrancando-lhe um arquejo curto que ele tentou disfarçar mordendo o lábio inferior.
Ele ergueu os olhos escuros, cruzando o olhar com as pupilas assassinas de Bernardo por entre a multidão silenciada.
O deboche de Dante vacilou por uma fração de segundo; ele percebeu que havia puxado a corda forte demais.
O gancho daquela afronta pública estava desenhado no ar pesado do refeitório. A audácia de Dante em usar os outros alunos para testar a possessividade da linhagem Imperial cobraria um preço alto.
Dante sabia, pelo brilho denso nos olhos do rival, a punição que Bernardo aplicaria em seu corpo na primeira sala vazia que encontrasse após as aulas pelo joguinho infantil.
Não haveria espaço para discussões políticas; o Alfa Rei exigiria a restituição de sua soberania territorial entre as quatro paredes do colégio.
Lico limpou o suor frio da testa com as costas da mão, olhando de Bernardo para Dante com um terror genuíno. Ele se inclinou na mesa, a voz trêmula mal saindo da garganta:
— Cara... O que deu no Imperial? Parece que ele vai mandar decapitar alguém aqui dentro. Valente... afasta um pouco, o cheiro dele tá me dando náusea.
— Fica na sua, Lico — Dante sibilou entre os dentes, mantendo o queixo erguido, embora seus próprios dedos estivessem cravados embaixo da mesa para disfarçar o tremor de suas pernas. — Deixa o engomado espumar sozinho.
— Ele não tá espumando sozinho, Dan — o Beta ao lado murmurou, empurrando o prato de comida para longe, o rosto pálido. — Ele tá vindo para cá.
Bernardo Imperial arrastou a cadeira para trás com um estrondo que ecoou pelo mármore mudo do refeitório. Ele não ajeitou o terno, nem limpou a mancha de tinta nos dedos longos.
— Senhor Imperial, os papéis... — o secretário tentou falar mais uma vez, mas a voz morreu na garganta diante da aura assassina do líder.
— Guarde isso — Bernardo ditou de forma ríscida, a voz saindo em um tom absurdamente grave. — Eu tenho uma pendência territorial para resolver agora.
Bernardo simplesmente se levantou de sua mesa e começou a caminhar em direção à mesa de Dante com passos pesados, ríspidos e puramente predatórios, quebrando o espaço social do colégio para reclamar o que era seu diante de todos os deuses da elite.
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