"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 26
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Capítulo 26: A Promessa Cumprida
O fim da tarde trazia uma luz alaranjada e densa que cortava as grandes vidraças da biblioteca do Instituto Santa Cruz.
O ambiente, que dias atrás fora o cenário do Pacto do Pecado, agora repousava em um silêncio monástico, quebrado apenas pelo som distante do tráfego da avenida e pelo farfalhar suave das folhas de livros antigos.
O cheiro de madeira encerada, carvalho e papel envelhecido misturava-se de forma quase imperceptível ao rastro anestésico de sândalo que Dante Valente carregava sob a blusa de gola alta.
Dante estava sentado na mesma mesa de canto, cercado por pilhas de livros de cálculo diferencial e geometria analítica.
Suas mãos enfaixadas seguravam uma lapiseira com firmeza mecânica, mas seus olhos escuros, embora limpos da névoa do cio, carregavam a exaustão de quem passara as últimas horas tentando decifrar teoremas complexos.
A marca em seu pescoço estava perfeitamente estabilizada, mas o orgulho intelectual de ter que depender da biologia de seu maior rival para manter a mente afiada ainda era uma ferida aberta e dolorosa em seu ego.
Passo. Passo.
O som rítmico e compassado de sapatos sociais contra o piso de madeira anunciou a aproximação que o organismo de Dante reconheceu antes mesmo de sua visão.
Um calafrio sutil, mas reconfortante, subiu por sua espinha quando o aroma de tempestade gélida quebrou o isolamento do corredor de literatura clássica.
Bernardo Imperial surgiu de trás de uma das estantes. O terno cinza-escuro estava impecável, e os óculos de armação dourada repousavam sobre o nariz imponente, capturando o brilho do pôr do sol. Sem dizer uma única palavra, Bernardo quebrou a distância de segurança e parou ao lado da cadeira de Dante.
Com um movimento contínuo, ríspido e calculado, ele retirou do bolso interno do paletó uma folha de papel timbrado dobrada ao meio e a jogou displicentemente sobre o caderno de anotações do menor.
— O prometido, Dan — Bernardo quebrou o silêncio, a voz saindo extremamente baixa, grave e polida, ecoando com uma cumplicidade crescente que fez o coração de Dante dar um sobressalto involuntário. — A folha de respostas oficial do próximo exame geral.
Cada alternativa está anotada com dicas de resolução de nível universitário que eu mesmo desenvolvi. O primeiro lugar do ranking de elite está aí, na sua frente.
Dante congelou, os olhos escuros fixos no papel que carregava o brasão da família Imperial. A Fala Lendária Realizada concretizava-se ali, no cumprimento estrito da barganha comercial que começara com a primeira mordida na mansão da serra.
Era o momento em que a troca biológica atingia o seu ápice de valor de mercado: o topo da instituição de elite entregue em uma bandeja de prata em troca do sangue e da submissão do Ômega puro.
Dante esticou os dedos trêmulos, puxando o papel para perto. Seus olhos varreram as linhas milimétricas da caligrafia ríscida de Bernardo.
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Estavam ali não apenas os gabaritos, mas notas de rodapé destrinchando a lógica de matrizes e tensores com uma profundidade que o colégio jamais cobraria.
A tentação de usar aquele atalho para esmagar a arrogância de Marcos e dos patriarcas flutuou por um milissegundo em sua mente, mas o orgulho de Dante Valente não operava sob as regras da trapaça.
Rasgo. Rasgo.
Num impulso violento de dignidade recuperada, Dante usou as duas mãos para rasgar a folha de respostas ao meio, e depois em quatro partes, reduzindo o gabarito oficial a um punhado de pedaços de papel em branco que ele jogou sobre a mesa de madeira.
— Eu não preciso que você erre de propósito ou me entregue as respostas para ganhar de você, Imperial — Dante sibilou entre os dentes, a voz saindo em um tom rústico e cortante, os olhos escuros injetados de puro ressentimento. — Eu vou pegar aquele primeiro lugar de volta com as minhas próprias mãos, de forma limpa, ou não vale de nada. Eu não sou um parasita da sua família.
Bernardo assistiu ao vandalismo intelectual sem mover uma única linha de sua máscara aristocrática.
No entanto, por trás das lentes de armação dourada, suas pupilas cor de âmbar brilharam com uma admiração profunda pelo caráter indomável do rival. Um sorriso imperceptível, terrivelmente satisfeito e possessivo, desenhou-se no canto de seus lábios.
Ele conhecia Dante melhor do que o próprio menor se conhecia; ele sabia perfeitamente que o bad boy escolheria o caminho difícil, rejeitando o suborno para proteger a integridade de seu próprio intelecto.
— Eu não esperava nada diferente de você, meu marrento — Bernardo comentou, inclinando o torso largo milimetricamente para a frente, o hálito quente roçando os fios pretos de Dante.
Dante engoliu em seco, afastando os pedaços rasgados que continham os gabaritos, mas suas mãos hesitaram ao notar que as tiras laterais do papel, onde Bernardo havia esquematizado as dicas de estudo e os conceitos de nível universitário para a expansão mental, haviam ficado intactas.
Mesmo com o orgulho ferido, Dante guardou secretamente aquelas anotações em sua pasta, grato em silêncio pela oportunidade de usar aquele conhecimento para expandir sua capacidade analítica antes do grande dia.
O gancho daquela recusa orgulhosa desenhava o cenário do exame final do semestre.
A trégua artificial do pacto secreto seria testada na arena acadêmica de forma definitiva, e ambos sabiam que a próxima batalha no anfiteatro definiria quem ficaria no topo do ranking de elite de forma totalmente limpa, justa e impiedosa.
A simbiose biológica deles continuaria viva nos corredores, mas as mentes continuavam em guerra pelo trono.
Bernardo deu um passo atrás, ajeitando as abotoaduras de prata de suas mangas com a calma cirúrgica de sempre, preparando-se para deixar o corredor de livros.
— Eu sabia que você rasgaria as alternativas, Dan — Bernardo disse, a voz baixa e densa ecoando como um veredito de incentivo antes de girar os calcanhares. — Por isso gastei mais tempo estruturando as notas de rodapé do que as respostas. Estude-as bem. Elas são exatamente o que você precisa para tentar chegar ao meu nível.
Dante sustentou o olhar debochado do Alfa Rei até que a silhueta alta de Bernardo sumisse entre as estantes escuras, deixando-o sozinho na biblioteca com o cheiro de tempestade gélida ainda impregnado em suas anotações, impulsionando sua mente em direção ao confronto final.
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