"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 22
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Capítulo 22: O Clamor da Fera
O fogo na lareira de pedra já havia se reduzido a brasas avermelhadas que estalavam baixo, projetando linhas de luz fraca e sombras longas pelas paredes de madeira escura do quarto principal.
Do lado de fora, o vento da serra uivava contra os vidros pesados da janela, trazendo uma onda de frio que contrastava com a atmosfera densa, abafada e pesada do ambiente interno.
O oxigênio estava saturado pelo aroma cítrico e doce que vazava dos poros de Dante, um sinal claro de que seu organismo de Ômega puro atingira o limite absoluto de sua resistência física.
Na poltrona de couro envelhecido, Bernardo Imperial permanecia estático. Seus braços robustos estavam apoiados nos braços da cadeira e os óculos de armação dourada refletiam o brilho fraco das brasas.
Ele mantinha os olhos cor de âmbar fixos no colchão, vigiando cada arquejo, cada contração muscular e cada espasmo térmico que sacudia a estrutura de Dante.
O autocontrole do Alfa Rei era uma tortura psicológica para ambos, mas ele não moveria um único dedo até que o tabuleiro estivesse configurado sob as suas regras.
Na cama, o tormento mecânico de Dante chegou ao ápice. No meio da noite fria, a barreira química dos supressores militares desmoronou por completo, e com ela, a última resistência de sua barreira mental foi esmagada.
O instinto primitivo de Ômega venceu o orgulho que o sustentara por dezessete anos como o bad boy intocável do Instituto Santa Cruz.
Seu DNA clameou pela sobrevivência, exigindo o único antídoto natural capaz de resfriar o sangue que parecia queimar suas veias: o sândalo gélido do Alfa dominante à sua frente.
— Não dá... mais... — Dante soltou um grito abafado contra os lençóis de algodão egípcio, os dentes cravados no lábio inferior até arrancar gotas de sangue.
Num movimento lento, trêmulo e desesperado, Dante rolou para a borda do colchão.
Seus pés descalços tocaram o tapete de pele e, sem forças para se manter de pé devido ao colapso de suas pernas, ele escorregou até o chão. Perder a pose de Alfa dominante foi uma humilhação erótica que rasgou seu ego em pedaços, mas a fera interna não aceitava mais a negação.
Dante rastejou pelo piso de madeira, arrastando o corpo seminu e debilitado pela febre até os pés de Bernardo.
Suas mãos enfaixadas, que tantas vezes haviam derrubado adversários no ringue de boxe, esticaram-se de forma trêmula e agarraram o tecido cinza-escuro das calças sociais de Bernardo, apertando o pano com uma força cega, como um náufrago clamando por salvação.
— Bernardo... — Dante chamou, a voz saindo em um fio rouco, arrastado e quebrado pelo desespero biológico.
Bernardo travou os músculos do corpo inteiro ao sentir o toque mecânico das mãos de Dante em suas pernas. Suas pupilas dilataram-se por trás das lentes, a luxúria primitiva sendo desencadeada com uma força brutal que fez as veias de seus braços saltarem sob o tecido da camisa branca.
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Ele não se moveu de imediato; ele queria saborear o momento mais aguardado de sua caçada acadêmica e territorial.
Dante ergueu o rosto devagar, forçando as pálpebras pesadas a se abrirem. Seus olhos escuros estavam completamente marejados de lágrimas de frustração e dor física, e suas bochechas exibiam a vermelhidão intensa da febre severa.
O corpo inteiro sacudia em calafrios violentos, dependendo inteiramente da proximidade do rival para não desmaiar de vez.
— Olhe para mim, Dan — Bernardo ordenou, a voz saindo extremamente baixa, densa e ríspida, cortando o silêncio do quarto como um veredito. — Diga o que você quer.
— Você... você sabe o que eu quero, seu desgraçado... — Dante sibilou, os nós dos dedos brancos de tanta força ao apertar a calça de Bernardo. — O meu corpo... está doendo... está queimando por dentro.
— Isso não é suficiente — Bernardo rebateu com uma paciência predatória implacável, inclinando o torso largo para a frente. — As palavras, Dan. Eu quero ouvir as palavras.
A Rendição do Orgulhoso atingiu o ponto de catarse definitivo na penumbra da mansão de inverno.
O bad boy implorava ao seu maior inimigo sob o teto isolado da serra, desarmado de qualquer marra ou autoridade purista, entregando sua autonomia em troca do alívio biológico que o Alfa Rei guardava sob a pele.
Dante engoliu em seco, o gosto amargo da submissão misturando-se ao sangue de seu lábio.
Ele fechou os olhos por um segundo, deixando as lágrimas de humilhação escorrerem por seu rosto febril, antes de focar novamente o brilho âmbar dos olhos de Bernardo.
— Eu preciso... do seu cheiro... — Dante finalmente implorou pelo toque do Alfa, a voz falhando no final da frase. — Por favor... para com essa porra de tortura... Me ajuda.
Bernardo soltou o ar pelos pulmões em um som rústico. A confissão de Dante rompeu a última amarra de seu autocontrole cirúrgico.
Com um movimento rápido, ríspido e preciso, Bernardo escorregou da poltrona de couro e se ajoelhou no chão de madeira, ficando exatamente na mesma altura de Dante.
Seus dedos longos, firmes e frios avançaram pela penumbra, segurando o queixo de Dante com um aperto incontestável que forçou o menor a manter o rosto erguido.
A proximidade térmica fez o aroma de sândalo e tempestade gélida explodir no perímetro, envolvendo o corpo trêmulo de Dante como uma armadura invisível que anestesiou sua glândula instantaneamente.
— Você tem certeza disso, Dan? — Bernardo sussurrou contra os lábios secos do menor, o hálito quente roçando sua pele. — Você sabe que se eu fizer isso, o pacto muda de nível.
Você vai carregar a minha marca na escola, no ringue, diante de Lico, de Marcos e de qualquer um que ousar se aproximar. Você vai ser oficialmente o meu Ômega até o fim do semestre.
O gancho daquela resposta desenhava a dor e o prazer da primeira mordida de marca temporária que mudará a dinâmica deles para sempre.
A rivalidade purista que os unira no ódio seria substituída por uma cumplicidade carnal e territorial que nenhum dos dois poderia revogar diante das leis da natureza.
Dante não respondeu com insultos. Ele não tinha mais energia mecânica para lutar contra a gravidade de seus próprios hormônios.
Seus dedos soltaram a calça de Bernardo e subiram de forma trêmula até os ombros largos do rival, buscando sustentação enquanto seu corpo derretia sob a opressão protetora da aura do Alfa Rei.
Devagar, Dante inclinou a cabeça para o lado esquerdo, deixando o cabelo preto cair para a frente e expondo completamente o pescoço e a base da nuca, onde a glândula hormonal pulsava de forma visível e desesperada, avermelhada pela febre.
— Por favor, Bernardo... me morde... — Dante sussurrou as palavras definitivas em um tom rouco, arrastado e desesperado, entregando o resto de sua dignidade na penumbra do quarto enquanto Bernardo abria os lábios, revelando os dentes prontos para cravar na carne de sua presa encurralada.
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