"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 21
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Capítulo 21: A Cabana na Serra
O som dos pneus do sedã preto blindado arrastando no cascalho úmido marcou o fim da subida.
O cenário que se revelava através das janelas embaçadas era de um isolamento absoluto.
Eles haviam chegado a uma mansão de inverno de propriedade da família Imperial, uma estrutura imponente de pedra escura e madeira maciça, completamente cercada por uma névoa densa e cinzenta que engolia a copa dos pinheiros ao redor.
Não havia sinal de civilização a quilômetros de distância. Naquela altitude, o frio da serra cortava como navalha.
Carlos desligou o motor, e o silêncio da montanha desabou sobre o veículo. Bernardo não esperou.
Ele abriu a porta traseira, o ar gelado invadindo a cabine e dissipando parte do vapor quente e adocicado que o corpo de Dante exalava.
Com movimentos ríspidos, mas estranhamente calculados, Bernardo ergueu o menor nos braços mais uma vez.
O corpo de Dante estava mole, a pele queimando em uma temperatura alarmante que atravessava o tecido do paletó de Bernardo.
— Fique no carro, Carlos. Tranque tudo e aguarde na área de serviço — Bernardo ordenou ao motorista Beta, sem olhar para trás.
— Sim, senhor Bernardo. Boa noite — Carlos respondeu, a voz mansa e mecânica morrendo enquanto Bernardo subia os degraus de pedra da entrada.
Bernardo empurrou a pesada porta de entrada com o ombro e cruzou os corredores vazios da mansão de inverno.
Ele seguiu direto para o quarto principal no andar superior, um ambiente amplo, dominado por uma cama king-size de dossel e uma lareira de pedra que já havia sido deixada abastecida com lenha seca.
Com um movimento preciso, Bernardo deitou Dante sobre os lençóis de algodão egípcio. Ele caminhou até a lareira, riscou um fósforo longo e o jogou entre os gravetos.
As chamas lamberam a madeira seca, estalando alto e projetando sombras dançantes e alaranjadas pelas paredes de madeira escura do quarto.
O Isolamento de Alta Voltagem estava consolidado; ali, naquele topo de mundo esquecido, todas as máscaras sociais do Instituto Santa Cruz caíam completamente.
Eles não eram mais o Alfa Rei e o bad boy do colégio; eram apenas dois polos biológicos sendo atraídos por uma força gravitacional violenta.
Dante soltou um gemido agudo, o som arrastando-se pelas vigas do teto. A febre de Dante era tão alta que sua mente parecia ter derretido por completo, restando apenas o desespero biológico lutando contra a última gota de orgulho que restava em seu sistema nervoso.
— Está... queimando... — Dante balbuciou, os olhos escuros abertos, mas completamente turvos, sem foco.
Num espasmo de puro delírio térmico, as mãos enfaixadas de Dante subiram até o próprio pescoço.
Os botões da camisa social do uniforme, que já pareciam sufocá-lo no laboratório, viraram o alvo de sua agonia.
Dante começou a rasgar o próprio uniforme com puxões brutos e desengonçados, arrancando os botões que voaram pelo tapete de pele. Ele arranhou o próprio peito alva e avermelhado, buscando ar, clamando por qualquer tipo de alívio que pudesse resfriar o sangue que parecia ferver em suas veias.
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O aroma doce e cítrico de Ômega puro explodiu no quarto com a força de uma ogiva, saturando o oxigênio e competindo diretamente com o cheiro de madeira queimada da lareira.
Bernardo deu um passo à frente, aproximando-se da borda da cama. Suas mãos fecharam-se em punhos dentro dos bolsos da calça social, os maxilares travados de forma tão ríscida que os músculos de seu rosto desenharam linhas duras.
Suas pupilas cor de âmbar estavam completamente dilatadas por trás das lentes de armação dourada, devorando a imagem de Dante seminu e vulnerável sobre os lençóis.
O lobo em seu peito rugia, exigindo que ele avançasse, que subisse na cama e cravasse os dentes na glândula exposta do menor para selar o pacto de vez.
No entanto, o autocontrole brutal e torturante de Bernardo Imperial falou mais alto. Ele era um purista, um estrategista político; ele não aceitaria uma submissão baseada apenas no delírio da febre.
— Bernardo... — Dante chamou em um arquejo, o corpo curvando-se na cama enquanto o suor frio escorria por sua têmpora. Ele esticou os dedos trêmulos na direção da silhueta alta do rival, atraído pelo sândalo gélido que emanava dele. — Por favor... o cheiro... está doendo...
— Eu sei que dói, Dan — Bernardo respondeu, a voz saindo em um tom extremamente baixo, grave e denso, cortando o silêncio do quarto como uma lâmina fria. — Mas eu não vou te tocar. Não assim.
Dante forçou a vista, tentando focar o rosto do Alfa Rei.
— O que... o que você quer? — Dante sibilou, as lágrimas de frustração e dor física misturando-se ao suor de seu rosto. — Me ajuda... por favor...
— Você sabe muito bem qual é o preço, meu marrento — Bernardo deu um passo atrás, afastando-se do alcance das mãos trêmulas de Dante. — Eu avisei que os supressores militares iam cobrar a conta.
A única forma de parar essa febre de forma natural é com a minha marca. Mas eu me recuso a fazer isso sem que você peça conscientemente. Eu quero que você olhe nos meus olhos, limpo da névoa do cio, e admita que precisa de mim.
— Eu... eu odeio você... — Dante chorou, os dentes cravados no lábio inferior até sangrar, os nós dos dedos arranhando o colchão em pura fúria impotente.
— Eu sei que odeia — Bernardo manteve a voz perfeitamente estável, embora o suor também começasse a brotar na linha de seu próprio maxilar devido ao esforço hercúleo de conter os próprios instintos predadores. — Mas o seu orgulho não vai salvar a sua saúde. Escolha, Dan. Aguente a febre até o seu fígado colapsar ou verbalize o que o seu corpo quer.
O gancho daquela noite torturante estava lançado no ar pesado do quarto: Dante teria que verbalizar sua submissão, engolir o resto de sua dignidade de ex-Alfa e pedir pela mordida do rival para salvar a si mesmo da destruição biológica. Bernardo não cederia a impulsos; ele esperaria o tempo que fosse necessário.
Dante soltou um grito abafado contra o travesseiro, encolhendo as pernas contra o peito enquanto uma nova onda de espasmos térmicos sacudia sua estrutura atlética. Ele estava encurralado pela própria natureza.
Devagar, Bernardo caminhou até a poltrona de couro envelhecido posicionada ao lado da lareira, a poucos palmos da cama.
Ele ajeitou o paletó amarfanhado, sentou-se de forma ereta e cruzou as pernas compridas, retirando os óculos para limpá-los com o lenço de seda antes de recolocá-los no nariz reto.
Bernardo manteve o olhar fixo, imperturbável e intensamente possessivo sobre o rapaz, observando Dante queimar sob os lençóis enquanto o fogo da lareira consumia a lenha na madrugada fria da serra.
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