"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 19
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Capítulo 19: Efeitos Colaterais
O teto do laboratório de química parecia se inclinar milimetricamente a cada segundo.
O cheiro de enxofre, bauxita e reagentes misturava-se ao ar condicionado forte da sala, criando uma atmosfera gélida que, para Dante Valente, parecia o oposto: um forno industrial trancado por dentro.
Dante apoiava os dois cotovelos na bancada de granito preto, a lapiseira tremendo entre os nós de seus dedos enfaixados.
Sob o tecido do uniforme do Instituto Santa Cruz, seu corpo travava uma batalha silenciosa e desesperada. Os supressores militares que ele vinha tomando começavam a sobrecarregar seu organismo de forma drástica.
Devido ao uso contínuo e à dosagem errada que ele mesmo estipulara por pura e paranoica segurança — dobrando a meta diária para garantir que nenhuma nota cítrica vazasse —, suas funções biológicas atingiam o limite clínico.
— Ei, Valente, você está na Terra? — a voz do professor de química cortou o silêncio, mas o som parecia distorcido, como se viesse debaixo d'água. — Preciso que sua bancada termine a pesagem do sulfato.
— Já... já vai, professor — Dante conseguiu responder, mas a voz saiu em um fio rouco, arrastado e falhado.
No meio da explicação técnica sobre reações endotérmicas, o colapso começou de verdade.
Dante sentiu uma pontada ríscida e violenta na altura do abdômen, seguida por uma onda de espasmos musculares que sacudiram seus ombros de golpe. Seus dentes se chocaram, e uma sequência de calafrios intensos fez sua espinha retesar contra a banqueta de madeira.
Sua pele ficou em brasas em menos de um minuto, o suor brotando na linha da testa e escorrendo pelas bochechas avermelhadas pela febre severa.
Com o superaquecimento celular, o disfarce artificial que o mantinha seguro começou a falhar visivelmente no meio da aula.
O aroma amadeirado de sândalo que Bernardo havia lhe dado evaporou sob o calor da glândula hormonal, abrindo espaço para uma lufada densa, doce e absurdamente concentrada de Ômega puro.
Dante sentiu o pânico real de ser exposto paralisar seus pulmões. A fraqueza corporal era tão brutal que ele mal conseguia manter os olhos abertos. O disfarce do rei bad boy estava oficialmente quebrado.
— Cara... que cheiro é esse? — Lico, sentado duas bancadas para o lado, franziu o nariz, olhando ao redor com as sobrancelhas arqueadas. — Parece... flor de laranjeira? Algum reagente quebrou?
Na última fileira, Bernardo Imperial travou os movimentos. Ele deixou o bastão de vidro sobre a bancada com um estalo seco.
Seus olhos cor de âmbar, por trás das lentes de armação dourada, fixaram-se nas costas trêmulas de Dante.
A preocupação fria ditou sua expressão aristocrática, mas seus instintos de Alfa Rei exigiram uma ação imediata no tabuleiro político da sala.
— Professor — Bernardo levantou-se, a voz grave e polida ecoando pelo laboratório com uma autoridade incontestável. — O Valente não está bem. O composto químico da bancada dele parece ter evaporado de forma errada.
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— O que você... sabe disso, Imperial? — Dante tentou se virar, o rosto vermelho de humilhação e fúria impotente, mas o movimento fez sua cabeça girar por completo. — Eu não... não preciso de...
— Fique quieto, Dan — Bernardo sibilou de forma ríscida, quebrando a distância entre as fileiras com passos rápidos e precisos.
O aroma cítrico de Dante já cortava o oxigênio do laboratório, fazendo os outros Alfas da sala, incluindo Marcos no fundo, inflarem as narinas em pura confusão e agitação biológica.
O Colapso do Disfarce atingira o limite absoluto de segurança; se Bernardo não interviesse naquele milissegundo, o segredo escandaloso seria escancarado diante de toda a instituição de elite.
— Senhor Imperial, o que está acontecendo? Devo chamar a enfermaria? — o professor perguntou, aproximando-se com o caderno de chamada nas mãos.
— Não será necessário, professor Branco. Eu cuido disso. Ele está tendo uma reação alérgica severa aos componentes — Bernardo mentiu com uma frieza cirúrgica, parando ao lado da banqueta de Dante.
Dante tentou apoiar as mãos no granito para se levantar e empurrar o rival, mas suas forças haviam sumido por completo.
Suas pálpebras pesaram, o cenário do laboratório escureceu nas bordas e seu corpo desabou para o lado, perdendo a consciência na cadeira de madeira.
O gancho daquela crise de saúde desenhava uma urgência mortal: os supressores químicos iam matar Dante se ele continuasse a tomá-los.
A única forma de salvar a saúde do menor e estabilizar seu corpo de Ômega puro de alta fertilidade era aceitar a proposta indecente e permitir uma marca temporária real através dos dentes de Bernardo.
Antes que o corpo de Dante atingisse o chão do laboratório ou que o professor pudesse intervir com os protocolos da escola, os braços longos e robustos de Bernardo cortaram o ar.
Com uma rapidez ríspida e uma possessividade primitiva, Bernardo levantou o menor nos braços, colando o corpo febril de Dante contra o seu terno cinza-escuro.
Ele liberou uma lufada massiva de seu próprio sândalo para abafar a fragrância cítrica que vazava do pescoço do bad boy, assumindo o controle absoluto do perímetro.
— Estou levando ele para o carro particular, professor. Licença — Bernardo ditou, a voz cortante silenciando qualquer questionamento enquanto marchava em direção à porta do laboratório com a sua presa encurralada e protegida entre os braços.
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