"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 17
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Capítulo 17: O Resultado e a Humilhação
O burburinho no pátio central do Instituto Santa Cruz era ensurdecedor, mas para Dante Valente, o som parecia vir debaixo d'água.
Uma multidão de alunos se espremia diante do grande mural de vidro onde a lista oficial com o ranking do simulado geral acabara de ser colada pelo inspetor.
Dante empurrou dois estudantes para o lado com movimentos ríspidos, abrindo caminho à força. Seus olhos escuros varreram os nomes impressos em letras pretas, subindo a folha timbrada até pararem no topo.
1º lugar: Bernardo Imperial — 99 pontos.
2º lugar: Dante Valente — 98 pontos.
Um ponto. Uma maldita questão de diferença.
O mundo ao redor de Dante pareceu perder a cor de golpe. A obsessão competitiva, as noites em claro estudando até os limites da exaustão mecânica para provar que sua nova biologia não ditava sua capacidade — tudo desabou sob o peso daquele único ponto.
O colapso de seu ego foi instantâneo, transformando o desespero e a fúria impotente em puro fogo nas suas veias.
— Olha só... O engomado do norte ganhou de novo — um aluno do fundo comentou, rindo baixo. — O Valente tá perdendo o trono.
Estilhaço.
O som violento do vidro do mural se partindo ao meio cortou o falatório do pátio de golpe. Dante não pensou.
Ele simplesmente desferiu um soco bruto e desfeito contra a estrutura, quebrando o painel de avisos com o punho envolto nas velhas bandagens de boxe. Pedaços de vidro caíram no chão de mármore com um tilintar agudo, misturando-se às gotas de sangue que começaram a brotar dos nós de seus dedos.
— Cala a porra da boca! — Dante rugiu, virando o rosto vermelho de humilhação para a multidão, que recuou três passos imediatamente, assustada com a ferocidade selvagem do bad boy.
A trinta metros dali, perto das escadarias de mármore, Bernardo Imperial o assistia de longe. Ele mantinha a postura impecável, as mãos enfiadas nos bolsos do terno cinza e os óculos de armação dourada repousando sobre o nariz imponente.
Não havia deboche em seu rosto aristocrático, apenas uma observação silenciosa, arrogante e pacientemente predatória. Ele sabia que a fera encurralada havia caído exatamente onde ele queria.
Mais tarde, o silêncio pesado da biblioteca vazia serviu de cenário para o verdadeiro acerto de contas.
O ambiente cheirava a papel antigo, madeira encerada e isolamento. Dante estava parado no fundo do corredor de literatura clássica, tentando limpar o sangue dos dedos com um lenço de papel amassado, os ombros trêmulos de pura raiva reprimida.
Passo. Passo.
O som rítmico de sapatos sociais contra o piso de madeira fez Dante retesar o corpo. Ele ergueu os olhos escuros, vendo a silhueta alta de Bernardo dobrar a esquina da estante de carvalho escuro, bloqueando a única rota de saída do corredor estreito.
— Sai da minha frente, Bernardo — Dante sibilou, a voz saindo rouca, jogando o lenço ensanguentado no chão. — Eu não estou com paciência para as suas piadas hoje.
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— Você quebrou o patrimônio da escola por causa de um ponto, Dan — Bernardo respondeu, a voz mantendo aquela calmaria gélida que desarmava qualquer tentativa de defesa. Ele deu dois passos à frente, quebrando a distância de segurança e encurralando Dante contra a estante de livros. — Achei que os Alfas de elite soubessem perder com dignidade. Mas, claro... esqueci que você não é mais um deles.
— Repete isso... Repete isso que eu juro que quebro a sua cara aqui mesmo! — Dante avançou o torso, os dentes cravados no lábio inferior até quase sangrar de humilhação.
Bernardo não recuou um milímetro. Em vez disso, ele deu o último passo, colando quase o peito largo ao do menor.
O aroma avassalador de sândalo e tempestade gélida vazou de suas roupas, inundando os sentidos de Dante e fazendo os joelhos do Ômega puro fraquejarem involuntarily sob a opressão da aura do Alfa Rei.
— Você está muito nervoso, Dan — Bernardo sussurrou, a voz baixa e densa preenchendo o espaço confinado entre as estantes. — O seu cheiro cítrico está começando a vazar do supressor militar de novo. O estresse da derrota está sabotando a nossa máscara. E você sabe muito bem que contratos exigem pagamento.
— Que porra de pagamento? — Dante rebateu, tentando sustentar a marra enquanto seu corpo derretia de prazer involuntário diante da proximidade biológica absoluta do rival. — Eu já aceitei a merda do seu acordo. O que mais você quer?
Bernardo inclinou o rosto milimetricamente para a frente, os olhos cor de âmbar faiscando uma luxúria contida e predatória por trás das lentes. A dominação arrogante ditava cada linha de sua expressão.
— Eu ganhei o simulado, Dan. Eu sou o dono do topo do ranking, o que significa que eu dito as regras do jogo a partir de agora. A brincadeira de esconder o seu segredo tem um preço mais alto.
— Desembucha, Imperial... — Dante arquejou, as mãos trêmulas apoiando-se na madeira da estante atrás de si para não desabar.
— Você quer o primeiro lugar de volta no próximo mês, não quer? Quer provar para a sua mãe e para os patriarcas que ainda manda nesta instituição? — Bernardo usou os dedos longos para afrouxar sutilmente a própria gravata, mantendo os olhos fixos nos lábios secos de Dante. — Eu posso te dar isso. Eu posso deixar você vencer o próximo simulado geral. Eu posso errar duas ou três questões de propósito e entregar a liderança de bandeja na sua mão.
Dante semicerrou os olhos, o coração batendo de forma frenética contra as costelas.
— Você faria isso? Qual é a armadilha?
Bernardo deu um sorriso imperceptível, terrivelmente frio e possessivo. Ele aproximou os lábios da orelha de Dante, o hálito quente roçando a pele febril do menor e arrancando-lhe um calafrio elétrico que subiu direto para a nuca.
— A troca é simples, meu marrento: eu te entrego o primeiro lugar do colégio... mas, em troca, você vai me deixar morder a sua nuca durante o próximo cio. Eu quero marcar essa pele. Eu quero deixar o meu cheiro impregnado na sua glândula de forma definitiva, para que nenhum outro Alfa ouse olhar para o que me pertence. Uma mordida pelo topo do ranking. É uma proposta justa, não acha?
A primeira menção clara à lendária barganha biológica ecoou entre os livros antigos como um pacto definitivo de perdição. Dante arregalou os olhos escuros, o pânico e a humilhação erótica travando sua garganta.
Aceitar aquilo significava entregar seu corpo e sua alma para o seu pior inimigo, virar propriedade oficial do Alfa Rei diante das leis da natureza.
— Você enlouqueceu... — Dante conseguiu verbalizar, a voz falhando por completo. — Eu nunca... nunca vou deixar você me marcar!
Num impulso desesperado de rebeldia reprimida, Dante ergueu os punhos enfaixados para empurrar o peito de Bernardo e romper o cerco.
Bernardo antecipou o movimento milimetricamente. Com uma rapidez ríspida e esmagadora, ele segurou os dois pulsos de Dante com uma única mão.
Num movimento contínuo e ríspido, Bernardo ergueu os braços do menor, prendendo as mãos de Dante acima de sua cabeça contra a estante de madeira escura, colando os corpos de forma definitiva na penumbra da biblioteca.
— Você não tem escolha, Dan — Bernardo sussurrou contra os lábios trêmulos do menor, os olhos cor de âmbar brilhando com o controle absoluto do tabuleiro político e biológico. — O seu corpo já escolheu o dono. Você só precisa assinar o contrato.
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