"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 13
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Capítulo 13: O Retorno com uma Máscara
O portão de ferro do Instituto Santa Cruz parecia mais intimidador do que o normal naquela manhã de segunda-feira. Dante Valente apertou a alça da mochila com tanta força que os nós de seus dedos, ainda marcados pelo treino de boxe, perderam totalmente a cor.
Sob o tecido do uniforme escolar perfeitamente alinhado, ele carregava uma mentira biológica de proporções catastróficas.
Duas pílulas do supressor militar que Bernardo Imperial havia deixado em sua janela na noite anterior já circulavam em sua corrente sanguínea, anestesiando a glândula em sua nuca.
Dante respirou fundo antes de cruzar o pátio central. O ar que entrou em seus pulmões não trazia o aroma doce e cítrico que o havia torturado no fim de semana; em vez disso, ele estava sufocado por uma fragrância pesada, densa e profundamente amadeirada.
Ele havia aplicado o composto aromatizante de Bernardo sobre os pontos de pulsação, usando o cheiro do próprio inimigo como uma armadura invisível.
Ao pisar no corredor principal, o bad boy adotou uma postura ainda mais rígida e agressiva do que o habitual.
Era um mecanismo de defesa mecânico, uma compensação desesperada para camuflar a paranoia e a insegurança interna que roíam suas entranhas.
— Sai da frente! — Dante rosnou, empurrando o ombro de um aluno do segundo ano que hesitou perto do mural de avisos.
O garoto encolheu-se imediatamente, murmurando desculpas enquanto abria caminho. Dante continuou marchando com os maxilares travados, os olhos escuros fixos na linha do horizonte, recusando-se a vacilar diante dos olhares atentos dos outros estudantes.
Clack.
Dante bateu a porta de seu armário de metal azul com violência, arrancando um estalo seco que fez os alunos ao redor silenciarem. Ele jogou dois livros didáticos dentro do compartimento, respirando de forma curta e rápida.
— Calma aí, chefe... O armário não te fez nada — Lico se aproximou, encostando o ombro na fileira de metal com o cronômetro de treino pendurado no pescoço.
Dante não respondeu de imediato. Ele apenas puxou a alça da mochila, o corpo tenso como uma mola prestes a disparar.
Lico, no entanto, franziu o nariz assim que quebrou a distância de segurança entre os dois. Ele inclinou a cabeça milimetricamente para a frente, as narinas inflando enquanto farejava o ar ao redor do pescoço de Dante.
— Cara... Que porra de perfume é esse? — Lico perguntou, as sobrancelhas arqueadas em pura confusão. — Você trocou de colônia? É um cheiro forte, amadeirado... Parece... sei lá, cheiro de floresta depois da chuva. Não combina muito com você.
Dante travou a respiração de golpe, o coração batendo contra as costelas em um ritmo frenético de pânico biológico. Ele deu um passo ríspido para trás, criando distância do amigo.
— Não enche a porra do saco, Lico — Dante sibilou entre os dentes, a voz saindo mais grave e rústica do que o necessário. — Minha mãe comprou essa merda importada. Só usa o cronômetro e não opina sobre a minha vida.
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— Beleza, beleza... Não tá mais aqui quem falou — Lico ergueu as duas mãos em sinal de paz, recuando diante da agressividade desmedida do líder.
O Disfarce do Rei estava funcionando no tabuleiro social. Dante caminhava entre dezenas de Alfas predadores no corredor, mas carregava o cheiro avassalador do Alfa Rei na pele, o que fazia os instintos dos outros lobos recuarem de forma inconsciente, reconhecendo a marca invisível de um território já dominado.
A trinta metros de distância, perto da entrada dos laboratórios, Bernardo Imperial assistia à cena em silêncio absoluto.
Ele mantinha a postura impecável, o terno cinza sem um único vinco e os óculos de armação dourada repousando sobre o nariz imponente. Bernardo sustentava um olhar satisfeito, frio e secretamente territorial por trás das lentes. Seu plano político e biológico estava funcionando perfeitamente; ele havia colocado Dante em uma coleira invisível de dependência sem que o menor pudesse protestar.
O sinal para o início das aulas tocou, cortando o falatório dos estudantes. A multidão começou a se mover em direção às salas, mas o perigo real do colégio decidiu cruzar o caminho de Dante antes que ele pudesse se isolar.
Marcos, o Alfa dominante e veterano do time de rúgbi da escola, surgiu na curva do corredor. Ele tinha quase um metro e noventa de altura, os ombros imensos e uma postura arrogantemente agressiva que rivalizava diretamente com a de Dante desde o ano anterior.
Marcos caminhava cercado por dois seguidos do time, rindo alto, até que passou a um metro de distância de Dante. O veterano travou o passo de golpe, seus sapatos sociais arrastando no mármore.
Marcos virou o rosto lentamente na direção de Dante, os olhos semidivinos examinando a silhueta do menor com uma desconfiança ríscida. Ele inflou as narinas com força, capturando as notas do novo perfume amadeirado que Dante exalava.
— Ei, Valente — Marcos chamou, a voz grave e provocadora ecoando pelo corredor que começava a esvaziar. — Que cheiro esquisito é esse na sua pele? Esse perfume amadeirado tenta esconder alguma coisa, mas... tem uma nota de fundo que eu nunca senti em você. Está parecendo uma fêmea tentando disfarçar o suor do treino.
Dante sentiu a base de sua nuca queimar instantaneamente de puro pânico, os dedos fechando-se em garras dentro dos bolsos da calça do uniforme.
O gancho da desconfiança de Marcos era uma ameaça real; se um Alfa violento daquele porte cavasse um pouco mais fundo, a máscara de Dante cairia diante de toda a instituição.
Antes que Dante pudesse avançar para desferir um soco na cara do veterano e iniciar uma briga de rua para salvar seu orgulho, uma silhueta imensa cortou o espaço entre eles.
Bernardo Imperial caminhou de forma calma e compassada, posicionando seu corpo de um metro e oitenta e nove exatamente entre Dante e Marcos, quebrando o confronto visual.
A pressão térmica da presença de Bernardo fez Marcos recuar meio passo de forma involuntária, os instintos de Alfa comum reconhecendo a dominância do Alfa Rei da linhagem purista.
— O corredor já está fechando, veterano — Bernardo ditou, a voz fria e polida saindo como uma ordem incontestável. — Sugiro que vá para a sua classe antes que o inspetor anote a sua infração.
Marcos travou os dentes, medindo a envergadura de Bernardo. Ele soltou um estalo com a língua, lançando um último olhar desconfiado para Dante por cima dos ombros de Bernardo antes de girar os calcanhares e se afastar com seus seguidores.
Dante puxou o ar com força, os ombros trêmulos de raiva e humilhação por ter sido protegido novamente. Ele deu as costas a Bernardo, marchando em direção à sala de exatas sem dizer uma única palavra.
Bernardo acompanhou o movimento do menor com passos lentos. Ao passar por Dante no vão da porta da sala de aula, Bernardo inclinou o torso milimetricamente para a frente.
— O supressor está funcionando bem, Dan — Bernardo sussurrou rente ao ouvido do menor, o hálito quente roçando a pele febril antes de se acomodar na carteira traseira com um sorriso imperceptível e vitorioso.
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