"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 11
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Capítulo 11: O Intruso na Madrugada
Clack.
O som sutil do trinco da janela de vidro cedendo cortou a penumbra do quarto. Uma lufada de ar frio e gélido de São Paulo invadiu o ambiente sufocante, agitando as cortinas de veludo pesado.
Dante arregalou os olhos escuros, a respiração travando na garganta inflamada.
Ele tentou apoiar os cotovelos no colchão encharcado de suor, mas seu corpo de Ômega puro parecia feito de chumbo. Através da névoa da febre, ele viu uma silhueta imensa cortar o vão da varanda.
— Quem... quem está aí? — Dante tentou rugir, mas a voz saiu como um sussurro falhado e trêmulo.
A silhueta deu um passo para a frente, revelando o terno cinza-escuro desalinhado e o brilho inconfundível da armação dourada dos óculos.
Bernardo Imperial havia invadido a mansão Valente, incapaz de suportar o suffering de Dante que vazava pelas frestas das paredes e perfurava seus instintos de Alfa Rei na calçada.
— Sou eu, Dan — Bernardo respondeu. A voz dele saiu extremamente grave, despida de qualquer polidez social, carregada de uma possessividade primitiva.
— Sai... Sai do meu quarto, seu desgraçado! — Dante sibilou, o ódio renegando o colapso de suas pernas.
Num impulso cego de orgulho ferido, Dante rolou para fora da cama. Seus pés descalços bateram no piso de madeira e sua mão tateou o chão, encontrando um pedaço do copo de vidro que ele havia quebrado horas antes.
Com os nós dos dedos cortados e trêmulos, ele ergueu o estilhaço pontiagudo na direção do peito do rival.
— Não dê mais... nenhum passo. Eu vou acabar com você, Imperial.
Bernardo sequer piscou por trás das lentes. Ele avançou com uma rapidez ríspida, quebrando a distância em um milissegundo.
— Você não vai a lugar nenhum nesse estado — Bernardo decretou, a voz virando perto do rosto do menor.
Antes que Dante pudesse desferir o golpe mecânico, Bernardo agarrou o pulso enfaixado do rapaz com a precisão de uma pinça, forçando os dedos trêmulos a soltarem o vidro, que caiu no chão com um estalo surdo.
Com o outro braço longo, Bernardo envolveu a cintura fina de Dante por trás, puxando o corpo seminu do menor contra o seu peito largo de Alfa.
Dante arquejou de golpe, os lábios secos se abrindo na penumbra.
No mesmo segundo, Bernardo abriu completamente a sua aura, liberando seu feromônio de tempestade e sândalo concentrado no espaço confinado do quarto.
O aroma gélido e opressor inundou os sentidos de Dante como uma lufada de água congelante em meio a um incêndio.
O alívio físico foi imediato e devastador.
A queimação excruciante na base da nuca de Dante esfriou instantaneamente sob o abraço de feromônios no cio. Suas pernas perderam totalmente a sustentação, e sua cabeça pendeu para trás, o topo de seus cabelos pretos bagunçados colando-se no ombro robusto de Bernardo.
O choque da compatibilidade biológica absoluta gerou uma onda de alívio erótico tão intensa que Dante soltou um gemido abafado entre os dentes, odiando a si mesmo por aquilo.
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— Me larga... Por favor, me larga... — Dante implorou em um sussurro arrastado, os dedos trêmulos arranhando inutilmente o tecido do terno de Bernardo enquanto derretia de prazer involuntário. — Eu odeio... o seu cheiro.
— O seu corpo está dizendo o contrário, Dan — Bernardo sussurrou contra o pescoço dele, apertando o abraço com um carinho forçado e firme, colando os corpos da nuca aos calcanhares. — Sinta o quanto você se encaixa em mim.
Dante fechou os olhos, as lágrimas de humilhação escorreendo por suas bochechas quentes. O orgulho desabava enquanto seu organismo clamava por mais daquela opressão protetora, os tremores de sua febre diminuindo gradativamente à medida que o sândalo de Bernardo anestesiava sua dor.
Bernardo manteve o queixo apoiado no ombro de Dante, as pupilas cor de âmbar completamente dilatadas no escuro, vigiando o perímetro do quarto como um predador que acaba de trancar sua presa na jaula perfeita.
— Você é meu, Dan — Bernardo declarou, a voz baixa exalando uma promessa implícita e perigosa que fez a espinha de Dante estremecer. — Nenhum outro Alfa nesta cidade vai ousar tocar na sua pele. Eu vou destruir qualquer um que tentar sentir o que é meu.
Dante tentou balançar a cabeça em negação, mas sua mente estava dopada pela fragrância gélida, o coração batendo no mesmo ritmo calmo que o de Bernardo.
Devagar, Bernardo inclinou o rosto milimetricamente para o lado. Seus lábios roçaram a pele sensível da orelha de Dante, e ele desferiu uma mordida de leve, um aperto firme que fez o corpo do menor dar um último espasmo de calor antes de relaxar por completo em seus braços.
— Estou aqui, meu marrento — Bernardo sussurrou, a voz ríspida abafando os últimos tremores do corpo de Dante enquanto a tempestade lá fora lavava as ruas de São Paulo.
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